Nesta seção a Dra. Gabriela Kuster resume alguns dos principais estudos que se destacaram recentemente na literatura médica na área de Ginecologia e Obstetrícia.
1. Retirar o útero ou não, eis a questão
O sangramento uterino anômalo afeta cerca de um terço das mulheres no mundo e representa 60% das queixas no consultório, resultando em muitas admissões no pronto-socorro. Muitas dessas mulheres necessitarão de cirurgia para a resolução do sangramento.
Dentre as opções cirúrgicas para reverter o sangramento uterino anômalo temos a histerectomia, que é eficaz, mas apresenta mais complicações do que cirurgias mais simples, como a ablação endometrial, que é menos invasiva.
A dúvida sobre qual seria o tratamento ideal nestes casos foi parcialmente respondida por um trabalho realizado no Reino Unido, onde 25% das mulheres apresenta o quadro, e publicado recentemente.
O estudo foi multicêntrico (feito em 31 hospitais), aberto, controlado e randomizado. As participantes eram mulheres de até 50 anos encaminhadas para cirurgia devido a sangramento uterino anômalo – normalmente intenso – elegíveis para cirurgia. Elas foram randomizadas (1:1) para histerectomia supracervical laparoscópica (histerectomia subtotal minimamente invasiva) ou ablação endometrial não histeroscópica (com balão térmico ou por radiofrequência). As participantes foram randomizadas de acordo com a faixa etária (< 40 anos vs. ≥ 40 anos).
Ao todo, 660 mulheres participaram do estudo (330 em cada grupo). Destas, 588 (95%) fizeram o procedimento para qual haviam sido randomizadas e 28 (5%) fizeram uma cirurgia alternativa.
Os desfechos foram a satisfação da paciente e a qualidade de vida específica da condição, medida com a escala de qualidade de vida com múltiplos atributos da menorragia (MMAS), avaliada 15 meses após a randomização.
Mais pacientes no grupo histerectomia supracervical laparoscópica ficaram satisfeitas com a cirurgia do que no grupo ablação endometrial (270 de 278 versus 244 de 280; razão de chances ou odds ratio ajustada, OR, de 2,53; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 1,83 a 3,48; P < 0,0001).
As pacientes que fizeram histerectomia supracervical laparoscópica também tiveram mais chances de ter uma pontuação MMAS maior do que as designadas para ablação endometrial (180 de 262 vs. 146 de 268; OR = 1,87; IC 95% de 1,31 a 2,67; P = 0, 00058).
Esses bons resultados da histerectomia supracervical vieram com o mesmo número de complicações/eventos adversos nos dois grupos (OR ajustada = 1,30; IC 95%, de 0,56 a 3,02; P = 0,54).
| Para lembrar: Apesar de o tempo de recuperação ser maior, a histerectomia supracervical laparoscópica é superior à ablação endometrial em termos de eficácia clínica com proporção semelhante de complicações. |
Referência:
Laparoscopic supracervical hysterectomy versus endometrial ablation for women with heavy menstrual bleeding (HEALTH): a parallel-group, open-label, randomised controlled trial. Cooper K, Breeman S, Scott NW, Scotland G, Clark J, Hawe J, Hawthorn R, Phillips K, MacLennan G, Wileman S, McCormack K, Hernández R, Norrie J, Bhattacharya S, HEALTH Study Group Lancet. 2019
© 2019 WebMD, LLC
As opiniões expressas aqui são de responsabilidade pessoal do autor e não representam necessariamente a posição da WebMD ou do Medscape.
Citar este artigo: Estudo avalia opções cirúrgicas em casos de sangramento uterino anômalo - Medscape - 22 de outubro de 2019.
Comente