ESMO 2019: Imunoterapias e a evolução da medicina de precisão serão o centro das atenções evento

Liam Davenport

24 de setembro de 2019

Barcelona – O papel cada vez maior das imunoterapias e a evolução da medicina de precisão serão o centro das atenções do congresso de 2019 da European Society for Medical Oncology, com resultados que possivelmente irão alterar a prática clínica em casos de câncer de mama, de pulmão e de ovário.

O congresso de 2019 da ESMO vai de 27 de setembro a 1º de outubro.

A Dra. Pilar Garrido, Ph.D., médica, professora associada de medicina da Universidad de Alcalá, na Espanha, e presidente da Comissão de Assuntos de Imprensa e Mídia da ESMO disse que está "realmente empolgada" com o congresso deste ano, em parte por ser um dos maiores encontros sobre oncologia no mundo e um dos "melhores lugares" para discutir a ciência que "é realmente relevante para os nossos pacientes".

Dos quase 4.000 Abstracts recebidos, o comitê científico aceitou por volta de 2.200, dos quais 92 serão late breaking abstracts (LBA).

Além disso, o ESMO 2019 firmou parceria com a European Association for Cancer Research, e uma sessão colaborativa ocorrerá no primeiro dia de evento (sexta-feira).

A European Oncology Nursing Society também retorna em 2019 com duas sessões próprias: uma sobre o desafio do tratamento das células Car-T, no sábado; e uma jornada pelos diversos métodos de pesquisa disponíveis para estudar desfechos relacionados com o paciente, no domingo.

Além disso, uma série inteira dedicada às políticas de saúde mostrará como a ESMO está colaborando com as autoridades em questões como a escassez de medicamentos, o seu preço e valor.

No entanto, como sempre, o foco estará no programa científico, a Dra. Pilar explicou que os participantes verão "muitos avanços" em imunoterapia, com o uso de "estratégias muito inovadoras", e a evolução da medicina de precisão.

Ela citou que as "estrelas" de 2019, em termos de tumores, serão os tumores de mama, ovário e de pulmão.

Para o câncer de mama, o segundo Simpósio Presidencial, no domingo, trará duas apresentações sobre doença avançada e resistência endócrina – MONARCH-2 e MONALEESA-3 – ambas contendo dados de sobrevida há muito aguardados.

O câncer de ovário será assunto de vários estudos importantes, que a Dra. Pilar acredita que "possivelmente modificarão a conduta padrão".

Por exemplo, o estudo PAOLA-1, no primeiro Simpósio Presidencial, no sábado, analisou a terapia de manutenção com olaparibe + bevacizumabe em pacientes com câncer de ovário avançado recém-diagnosticadas e tratadas com quimioterapia à base de platina.

"O ponto de interesse deste estudo", disse a Dra. Pilar, "é que essa potencial estratégia dupla de manutenção é para todas as pacientes, independentemente do status da mutação no BRCA1/2".

"Vamos ver, mas é uma possibilidade de expandir o uso, neste caso, de olaparibe, para uma população maior."

Dois estudos que também serão apresentados no primeiro Simpósio Presidencial são sobre câncer de pulmão, um focado na imunoterapia e outro na medicina de precisão.

O ensaio FLAURA foi realizado em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) com uma mutação EHFR que, segundo a Dra. Pilar, acomete cerca de 10% a 13% dos pacientes caucasianos.

"Nós já sabíamos que o osimertinibe, que é o medicamento utilizado no braço experimental deste estudo, era positivo como primeira linha para doença com progressão, mas este ano conheceremos os resultados gerais de sobrevida", explicou ela.

"De acordo com um comunicado de imprensa da empresa fabricante do medicamento, parece que o estudo foi positivo, mas precisamos conhecer a magnitude do benefício."

Isso, disse ela, é necessário "para saber se podemos encerrar o debate sobre a sequência de tratamento ou, caso a magnitude não seja suficientemente boa, se continuaremos a debater".

O objetivo do CheckMate 227 foi determinar se a quimioterapia poderia ser totalmente evitada ou retardada em uma população de pacientes com CPCNP avançado selecionada por biomarcadores.

Os pacientes receberam nivolumabe + ipilimumabe ou quimioterapia à base de platina como primeira linha.

Os resultados sobre o uso da carga mutacional do tumor como uma forma de selecionar pacientes foram apresentados no congresso de 2018 da ASCO, e a Dra. Pilar disse que, embora os resultados para sobrevida e resposta sem progressão tenham sido "bastante interessantes, a sobrevida global foi negativa".

"Este ano teremos os resultados baseados em outro biomarcador, o programmed death ligand 1 (PD-L1), que já está implementado em ensaios clínicos", revelando se a imunoterapia combinada pode ser usada no lugar da quimioterapia em alguns subgrupos de pacientes.

A médica disse que, além dessas apresentações principais, o terceiro Simpósio Presidencial, na segunda-feira, trará uma apresentação do ensaio ClarIDHy com ivosidenibe versus placebo no colangiocarcinoma avançado com mutação IDH1, que é um tipo muito raro do tumor.

Ela explicou que "se o estudo for positivo e os resultados forem suficientemente bons, é possível que tenhamos uma opção para um em cada seis pacientes com esse tipo de doença avançada, que hoje dispõem de muito poucas opções, por isso é realmente interessante".

A mesma sessão também trará os resultados do IMvigor130, que comparou o atezolizumabe com placebo + quimioterapia à base de platina em pacientes com carcinoma urotelial metastático ou localmente avançado não tratado.

A Dra. Pilar também destacou um estudo sobre sarcoma a ser apresentado na segunda-feira.

INVICTUS é um estudo de fase 3, duplo-cego e controlado por placebo, no qual pacientes com tumores estromais gastrointestinais receberam ripretinibe como terapia de pelo menos quarta linha.

"Novamente, de acordo com o comunicado de imprensa do fabricante, parece que o estudo INVICTUS demonstrou algum benefício nesses casos", disse a Dra. Pilar, e pode ser uma opção "para um pequeno subgrupo de pacientes que precisa desse tipo de pesquisa".

Por fim, a Dra. Pilar destacou as atividades do programa ESMO 2019 dedicadas aos jovens oncologistas, com várias sessões, incluindo uma na sexta-feira, na qual especialistas discutirão assuntos polêmicos.

Declaração de conflito de interesses: a Dra. Pilar Garrido informou: Roche, Palestrante, Consultora; AstraZeneca, Palestrante, Consultora; Bristol (BMS), Palestrante, Consultora; Guardant Health, Consultora; MSD, Palestrante, Consultora; Pfizer, Palestrante, Consultora; Janssen, Consultora; Boehringer Ingelheim Palestrante, Consultora; Novartis, Palestrante, Consultora; Gilead, Palestrante; Rovi, Palestrante; Abbvie, Consultora; Lilly, Consultora; Takeda, Consultora, Palestrante; Sysmex, Palestrante; Blueprint Medicines, Consultora. Outros (interesses financeiros institucionais relacionados aos ensaios clínicos): Roche, Lilly, MSD, Novartis, Takeda, Blueprint Medicine, AstraZeneca, BMS, Janssen, BI, Abbvie.

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