COMENTÁRIO

Mortes preveníveis: Como pode alguém morrer de asma em pleno século XXI?

Dra. Carla Vorsatz; Dra. Cecília Villela de Moura

Notificação

11 de setembro de 2019

Um incômodo visceral e avassalador nos dominou diante da notícia da morte da escritora e apresentadora Fernanda Young, aos 49 anos de idade. Morreu de asma. Teve uma crise durante a noite em um lugar afastado e de difícil acesso.

Que notícia difícil de ser digerida. Fernanda, com sua liberdade de pensamento e expressão, era um oásis nesse mundo em que as pessoas buscam cada vez mais enquadrar-se em padrões. Originalidade é artigo em extinção, vai fazer falta.

Saber que ela estava em seu sítio, no interior de Minas Gerais, a humanizou, nos aproximou. A sensação de vulnerabilidade por estar em um local remoto fez nova visita. As questões da segurança do isolamento de áreas distantes da urbe se tornaram prementes e momentaneamente ressignificaram o sítio de local sagrado e protegido para um local vulnerável e ameaçador.

Pensamos que o caminho para evitar mortes como a da Fernanda é a informação. Então, falemos sobre a asma.

Contexto

Doença crônica que acomete as vias respiratórias e o pulmão, a asma atinge 6,4 milhões de brasileiros acima de 18 anos, segundo Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As mulheres são as mais atingidas pela doença: cerca de 3,9 milhões afirmaram ter diagnóstico de asma comparadas com 2,4 milhões de homens, ou seja, uma prevalência de 39% a mais entre o sexo feminino. [1]

A doença é responsável por mais de 100 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS). A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 300 milhões de pessoas no mundo, incluindo crianças, sofram de asma. No Brasil, a doença é responsável por um número significativo de internações hospitalares. Somente em 2014 (de janeiro a novembro) foram registradas 105,5 mil internações por asma, representando um custo de R$ 57,2 milhões para a rede pública de saúde – segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH). [1]

Na vida real

Vamos nos colocar na pele dos médicos que estão na linha de frente do atendimento.

Imagine que no seu plantão chegue um paciente sabidamente asmático, agitado e francamente dispneico.

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