DC "estável" reconsiderada nas novas diretrizes para síndrome coronariana crônica da ESC

Notificação

3 de setembro de 2019

No ano passado, a European Society of Cardiology (ESC) introduziu um novo nome para o que antes era conhecido como doença coronariana (DC) estável, nome este que adequa melhor a nomenclatura ao entendimento contemporâneo do sua etiologia, evolução e controle.

Agora a sociedade publicou suas primeiras diretrizes incorporando o novo nome, síndrome coronariana crônica (CCS), que reconhece a doença coronariana como "um processo dinâmico" de aterosclerose e de alteração funcional "que pode ser modificada por estilo de vida, tratamento farmacológico e revascularização, que resultam na estabilização ou regressão da doença", afirmou o relatório.

"Pensávamos que o termo 'estável' não era, na nossa opinião, o ideal para descrever as diferentes situações clínicas nas quais você tem uma doença crônica que evolui e, às vezes, regride", disse o Dr. Juhani Knuuti, médico da Turun yliopisto, na Finlândia, ao Medscape.

O nome síndrome coronariana crônica também considera a doença como uma espécie de contrapartida ambulatorial da síndrome coronariana aguda (SCA).

O Dr. Juhani disse que a mudança de nome de doença coronariana estável para síndrome coronariana crônica, ao que ele saiba, foi geralmente bem recebida, embora "nem todos gostem dele". Dr. Juhani é um dos dois diretores da força-tarefa encarregada de elaborar as diretrizes para a síndrome coronariana crônica, com o Dr. William Wijns, Ph.D., médico da National University of Ireland em Galway, sendo o outro diretor.

O documento foi publicado em 31 de agosto no periódico European Heart Journal como um prelúdio para a sua cobertura nas apresentações desta semana no congresso de 2019 da ESC . São definidos seis cenários clínicos que refletem a natureza heterogênea da síndrome coronariana crônica, cada um determinado pelo seu próprio conjunto de problemas diagnósticos e terapêuticos, o disse Dr. Juhani.

Os cenários são:

  • Suspeita de doença coronariana com sintomas do tipo angina "estável", com ou sem dispneia

  • Suspeita de doença coronariana com sinais ou sintomas de insuficiência cardíaca (IC) de início recente ou disfunção ventricular esquerda

  • Assintomática ou sintomática compensada em um ano depois de um episódio de síndrome coronariana aguda ou após a revascularização coronariana.

  • Assintomática ou sintomática mais de um ano depois do diagnóstico inicial ou da revascularização.

  • Angina e suspeita de doença vasospástica ou microvascular

  • Doença coronariana assintomática detectada por rastreamento

Embora algumas pessoas possam se surpreender que o documento inclua seções sobre comportamentos de estilo de vida saudável e outros princípios da cardiologia preventiva, as escolhas de estilo de vida continuam a influenciar a progressão da doença coronariana nos pacientes que já têm doença crônica, disse o Dr. Juhani.

Em muitos casos, os médicos podem ter tendência a se concentrar na farmacoterapia e em outras intervenções para os seus pacientes com doença crônica e, à medida que esta evolui, podem ignorar "coisas básicas como a alimentação e a prática de exercícios, que podem ter grande repercussão nos desfechos clínicos, mesmo nos casos de doença avançada".

As recomendações de tratamento antitrombótico para os pacientes com doença coronariana em ritmo sinusal ou com fibrilação atrial (FA) também são novidade no documento, observou o Dr. Juhani. Essas englobam a recomendação IIa para a o acréscimo de um segundo antitrombótico ao ácido acetilsalicílico (AAS) na prevenção secundária dos pacientes com alto risco de isquemia, mas com baixo risco de sangramento.

Existem também novas recomendações de tratamento antitrombótico após a cirurgia de revascularização coronariana em pacientes com fibrilação atrial, com orientações sobre o momento de prescrição do tratamento antitrombótico duplo ou triplo.

O documento destaca a intervenção coronariana percutânea (ICP) guiada pela medida da reserva de fluxo fracionada (RFF), na sequência de dados recentes que sugerem que a ICP orientada por RFF pode diminuir o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) em relação ao tratamento clínico da doença coronariana estável, disse Dr. Juhani.

"Geralmente tem sido um desafio provar que a intervenção coronariana percutânea tenha esse tipo de resultado. Mas sabe-se atualmente, pela associação de vários ensaios clínicos prospectivos, que o risco de infarto agudo do miocárdio cai se você fizer uma intervenção coronariana percutânea guiada pela reserva de fluxo fracionada".

O novo documento atribui aos medicamentos recém-introduzidos para insuficiência cardíaca sacubitril/valsartana indicações coerentes com as diretrizes da ESC para insuficiência cardíaca, ou seja, na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida sem resposta aos inibidores convencionais do sistema renina-angiotensina e aos β-bloqueadores.

O tratamento da dislipidemia recomendado para os pacientes com síndrome coronariana crônica está de acordo com as recém-elaboradas diretrizes da ESC sobre o controle da dislipidemia. E para os pacientes com síndrome coronariana crônica e diabetes, o documento favorece o uso de agonistas do receptor 1 do tipo glucagon e dos inibidores do cotransportador 2 de sódio e glicose inibidores, com recomendações de categoria IA.

Outras organizações afiliadas com à ESC, que contribuíram para a elaboração do documento, informa o relatório, são Acute Cardiovascular Care Association (ACCA), Association of Cardiovascular Nursing & Allied Professions (ACNAP), European Association of Cardiovascular Imaging (EACVI), European Association of Preventive Cardiology (EAPC), European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions (EAPCI), European Heart Rhythm Association (EHRA) e a Heart Failure Association (HFA).

Eur Heart J. Publicado on-line em 31 de agosto de 2019. Texto Completo European Society of Cardiology (ESC) Congress 2019.

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