Casos clínicos: menino de 12 anos parece avoado e tem declínio no desempenho escolar

Dr. Stephen Soreff; Dr. Foad Afshar

Notificação

13 de agosto de 2019

Nota do Editor:
A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste sua capacidade diagnóstica e terapêutica usando o caso clínico a seguir e as perguntas correspondentes.

Introdução

Michael é um rapaz de 12 anos que mora com a mãe, o pai e a irmã dois anos mais nova. Ele está na quinta série e, ao longo do último ano, suas notas caíram significativamente. Ele evita ir à escola, alegando estar doente, e quando vai, se comporta mal e vai à enfermaria com frequência. Os pais de Michael relatam que é difícil conseguir que o filho faça a lição de casa, e que quando precisa cumprir tarefas que demandam tempo ou capacidade cognitiva Michael tem "crises nervosas" e "faz birra". O que ele mais gosta de fazer é jogar no video game.

Os pais também observaram que Michael pode ser muito distraído. Em casa, à noite, quando sobe para se preparar para dormir, ele literalmente esquece por que está no segundo andar da casa e começa a brincar com seus Legos ou com o gato. Além disso, embora Michael goste de ajudar o pai nos trabalhos com máquinas, ele frequentemente esquece as ferramentas que é solicitado a buscar. Os pais de Michael procuraram atendimento depois de irem ao pediatra de Michael a pedido dos professores e do orientador da escola.

Exame físico e propedêutica

Durante a primeira consulta, além da anamnese feita com os dois pais, foi realizado um exame do estado mental por meio de uma entrevista clínica com o paciente. O exame revelou ansiedade relativamente alta, o paciente estava orientado no tempo e espaço, tinha pensamentos coerentes e afeto congruente. Michael demonstrou senso humor e domínio da expressão oral típico, montando frases complexas com vocabulário adequado para a sua idade. A memória, de curto e longo prazo, também estava preservada. Nenhuma alucinação, delírio ou comportamento violento foram relatados. Ele não relatou pensamentos de autoagressão, apesar de ter dito que às vezes se sente "burro" e acha que não pertence a nenhum grupo. Ele não tem história de trauma na cabeça nem apresenta patologias importantes. Os exames laboratoriais e o exame físico de rotina não mostraram alterações, e revelaram que Michael não tem problemas de audição ou visão.

Durante o crescimento Michael alcançou todos os marcos de desenvolvimento dentro dos limites normais; na verdade, foi informado que Michael começou a falar e a andar cedo. Além disso, seus pais o descreveram como "um garoto ativo, que gosta de atividades ao ar livre". Não houve relato de grandes crises familiares ou de traumas emocionais. O histórico escolar recente revela episódios de mal comportamento em sala de aula e necessidade exacerbada de se movimentar; no entanto, nesta época Michael conseguia dar conta das demandas da escola sem precisar fazer as lições de casa. Ele não tem história familiar de doença mental; embora o pai tenha admitido que muitas vezes o menino começa tarefas demais e não vai até o fim.

Durante a sessão diagnóstica Michael ficou visivelmente inquieto, com a fala mais gaguejada, orelhas vermelhas e rosto ruborizado ao ser solicitado a ler um texto de nível do terceiro ano e a fazer um exercício de aritmética básica. Depois ele explicou que quando precisa fazer tarefas como essas, fica enjoado e sente "calor". Michael também disse que muitas vezes sente dor de cabeça assim que começa a fazer tarefas que exigem atenção prolongada, especialmente "se forem chatas". O rapaz não tem dificuldade de memorizar os textos das peças (ele faz teatro), nem de ler as partituras nos ensaios da banda da qual participa.

Ele admite que se sente "burro" na escola e que desconta suas frustrações em crianças que considera inteligentes, sabotando o aprendizado delas com seu comportamento disruptivo.

Em uma avaliação psicoeducacional abrangente feita por uma equipe da escola (que incluiu o preenchimento das Conners' Rating Scales pelos pais e professores de Michael) e aplicada antes da consulta, os professores indicaram que Michael não conseguia se concentrar nas tarefas, abandonava as que havia iniciado e começava outras e ficava avoado com frequência.

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