Teste: O que você sabe sobre a discinesia tardia?

Dr. Matthew Swan

Notificação

29 de mai de 2019

Para os pacientes com suspeita de discinesia tardia, anéis escuros nas bordas exteriores da íris podem ser anéis de Kayser-Fleischer por deposição de cobre em parte da córnea (membrana de Descemet). Em alguns pacientes, é preciso fazer o exame por lâmpada de fenda para a visualização dos anéis. Este achado, junto com a idade e os sintomas do paciente, aventa a possibilidade de doença de Wilson, uma doença rara autossômica recessiva do metabolismo do cobre. Na doença de Wilson, o cobre se acumula em vários órgãos, principalmente no cérebro e no fígado. A doença de Wilson deve ser considerada nos pacientes com menos de 50 anos apresentando distúrbios do movimento. O paciente pode manifestar tremores, diminuição da destreza, movimentos coreiformes, distonia, rigidez e/ou disartria. Quadros psiquiátricos ocorrem em 10% a 20% dos pacientes e podem preceder o distúrbio de movimento. O acúmulo patológico de cobre no fígado pode resultar em icterícia, dor abdominal ou hepatomegalia. Sem tratamento, a doença de Wilson pode levar à insuficiência hepática fulminante. No mínimo, sempre que houver suspeita de doença de Wilson, deve-se dosar os níveis séricos de cobre e ceruloplasmina, fazer uma ressonância magnética (RM) de crânio e uma consulta oftalmológica. Os resultados da RM de crânio na doença de Wilson podem demonstrar a clássica "face do panda gigante" no mesencéfalo nas imagens ponderadas em T2.

Se o paciente com hipercinesia semelhante à discinesia tardia tiver alterações cognitivas, convém também considerar a doença de Huntington .

Se a hipercinesia semelhante à discinesia tardia for focal (comprometendo um membro) e, principalmente, se for concomitante a outros déficits neurológicos focais (p. ex.: assimetria dos reflexos e/ou hemiparesia), deve-se fazer um exame de imagem para excluir lesão cerebral estrutural.

As linhas de Hudson-Stahli e os anéis intraestromais de Ascher na córnea são achados oftalmológicos sem relevância clínica e não fazem parte do diagnóstico diferencial da discinesia tardia.

Leia mais sobre o diagnóstico diferencial da discinesia tardia.

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