Para os pacientes com suspeita de discinesia tardia, anéis escuros nas bordas exteriores da íris podem ser anéis de Kayser-Fleischer por deposição de cobre em parte da córnea (membrana de Descemet). Em alguns pacientes, é preciso fazer o exame por lâmpada de fenda para a visualização dos anéis. Este achado, junto com a idade e os sintomas do paciente, aventa a possibilidade de doença de Wilson, uma doença rara autossômica recessiva do metabolismo do cobre. Na doença de Wilson, o cobre se acumula em vários órgãos, principalmente no cérebro e no fígado. A doença de Wilson deve ser considerada nos pacientes com menos de 50 anos apresentando distúrbios do movimento. O paciente pode manifestar tremores, diminuição da destreza, movimentos coreiformes, distonia, rigidez e/ou disartria. Quadros psiquiátricos ocorrem em 10% a 20% dos pacientes e podem preceder o distúrbio de movimento. O acúmulo patológico de cobre no fígado pode resultar em icterícia, dor abdominal ou hepatomegalia. Sem tratamento, a doença de Wilson pode levar à insuficiência hepática fulminante. No mínimo, sempre que houver suspeita de doença de Wilson, deve-se dosar os níveis séricos de cobre e ceruloplasmina, fazer uma ressonância magnética (RM) de crânio e uma consulta oftalmológica. Os resultados da RM de crânio na doença de Wilson podem demonstrar a clássica "face do panda gigante" no mesencéfalo nas imagens ponderadas em T2.
Se o paciente com hipercinesia semelhante à discinesia tardia tiver alterações cognitivas, convém também considerar a doença de Huntington .
Se a hipercinesia semelhante à discinesia tardia for focal (comprometendo um membro) e, principalmente, se for concomitante a outros déficits neurológicos focais (p. ex.: assimetria dos reflexos e/ou hemiparesia), deve-se fazer um exame de imagem para excluir lesão cerebral estrutural.
As linhas de Hudson-Stahli e os anéis intraestromais de Ascher na córnea são achados oftalmológicos sem relevância clínica e não fazem parte do diagnóstico diferencial da discinesia tardia.
Leia mais sobre o diagnóstico diferencial da discinesia tardia.
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Citar este artigo: Teste: O que você sabe sobre a discinesia tardia? - Medscape - 29 de mai de 2019.
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