Um homem tomando betabloqueador apresenta frequência cardíaca de 48 bpm. O que revela o ECG?

Dr. Philip J. Podrid

Notificação

20 de mai de 2019

O diagnóstico é ritmo sinusal, bloqueio atrioventricular total com ritmo de escape juncional, ondas P retrógradas e complexos atriais prematuros sem condução.

Figura 2.

 

Cortesia do Dr. Philip J. Podrid

Discussão

O ritmo é regular com frequência de 48 batimentos por minuto (bpm). A duração do complexo QRS é normal (0,08 seg), com morfologia normal e eixo entre 0° e 90° (complexo QRS positivo em DI e aVF). Os intervalos QT/QTc são normais (440/390 mseg). As ondas P são vistas (+), mas sem relação com os complexos QRS (ou seja, os intervalos PR são variáveis; isso representa dissociação atrioventricular ou AV). As ondas P são positivas em DI, DII, aVF e de V4 a V6. Portanto, há ritmo sinusal subjacente. A maioria dos intervalos PP é constante (└┘) com frequência de 75 bpm.

Existem duas etiologias para a dissociação atrioventricular (AV). Uma é o bloqueio atrioventricular (BAV) total (de terceiro grau), no qual a frequência atrial é mais rápida do que a frequência dos complexos QRS. A outra é um marcapasso de localização mais baixa e mais acelerado (p. ex., juncional ou ventricular), na qual a frequência atrial é mais lenta do que a frequência dos complexos QRS. Isto é, portanto, um bloqueio atrioventricular total e o ritmo de escape é juncional. A etiologia do ritmo de escape não se baseia na velocidade do ritmo de escape, mas sim na morfologia do complexo QRS, que neste caso é normal.

São vistos três intervalos PP prolongados (↔). Cada qual está associado a um complexo QRS (terceira, quarta e sexta; [v]) com uma morfologia ligeiramente diferente pela deflexão negativa observada após estes complexos QRS (^). Isto representa uma onda P retrógrada, resultante da condução ventriculoatrial associada ao complexo juncional. Como resultado da ativação atrial retrógrada, o nódulo sinusal é redefinido, respondendo pelo prolongamento do intervalo PP. Embora exista bloqueio AV anterógrado total, a condução retrógrada, ou ventriculoatrial, pode ser observada em até 40% dos casos. Isto se deve a uma das seguintes opções:

  • Diferentes parâmetros de condução AV nodal anterógrada e retrógrada

  • Duas vias AV nodais, uma das quais capaz de condução VA (retrógrada)

  • Existência de um trato de derivação oculto que só faz condução retrógrada

Além disso, existem duas ondas P prematuras (*), cuja morfologia difere das ondas P sinusais. Estas são as contrações atriais prematuras (CAP) que não são geram condução (CAP bloqueadas).

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