COMENTÁRIO

Contraindicado pela FDA mas recém-autorizado pelo ACOG morcelamento de miomas uterinos deve ser considerado com cautela

Dra. Gabriela Kuster

Notificação

8 de maio de 2019

No final de fevereiro, a American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) publicou um parecer com a opinião do comitê e suas recomendações sobre o morcelamento de miomas uterinos.

Essa opinião é de grande importância para validar a utilização do morcelador em úteros e miomas depois que a Food and Drug Admnistration (FDA) norte-americana publicou um alerta em 2014 sobre a utilização dos mesmos.

Os morceladores são instrumentos que viabilizam a realização de cirurgias minimamente invasivas em úteros miomatosos e de grande volume (histerectomia ou miomectomia). Desde o alerta da FDA, as cirurgias minimamente invasivas tiveram queda importante, o que gerou o consequente aumento do número de cirurgias abdominais/laparotômicas, aumentando também a quantidade de complicações intra e pós-operatórias, como a necessidade de transfusões e a readmissão hospitalar em menos de 30 dias.

O grande problema reside no fato de um mioma poder ser um leiomiossarcoma, que, caso seja morcelado, pode vir a piorar o prognóstico/sobrevida da paciente.

Após a revisão do tema, o ACOG autorizou a utilização dos morceladores desde que:

  • Seja realizada uma avaliação pré-operatória da paciente, averiguando se ela tem risco aumentado de tumores malignos do útero. Essa avaliação deve incluir exames de imagem, avaliação do endométrio, rastreamento para câncer do colo do útero e estratificação de risco para sarcomas uterinos. Deve-se atentar para o fato de que nenhum exame tem acurácia suficiente para excluir o diagnóstico de sarcoma antes da cirurgia. No entanto, a incidência de leiomiossarcomas é de 0,36 por 100.000 mulheres/ano.

  • A paciente deve ser informada sobre o risco de disseminação do tumor com o uso do morcelador, caso o mioma se revele um leiomiossarcoma, e pesar os riscos e benefícios.

  • Apesar do risco de leiomiossarcomas e de disseminação do tumor em caso de cirurgias minimamente invasivas, as cirurgias laparotômicas apresentam maior morbidade, ou seja, cabe ao médico pesar o risco de sarcoma versus o risco de morbidades cirúrgicas.

  • O médico e a paciente devem concordar com a escolha do método, e a paciente deve assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

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