COMENTÁRIO

Evento inédito no país discute educação em telemedicina responsável, eficiente e sustentável

Dr. Gustavo Kuster

Notificação

12 de abril de 2019

A capital paulista sediou de 03 a 06 de abril o I Global Summit Telemedicine & Digital Health, evento onde foram revisitados os principais temas relacionados com telemedicina e saúde digital.

Na sessão "Educação em Telemedicina Responsável, Eficiente e Sustentável", coordenada pelo Dr. Chao Lung Wen, médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), foram abordados seis temas, dos quais destaco três de grande importância:

Ensino de telemedicina em graduação, residência médica e pós-graduação estrito senso usando educação híbrida

Nessa apresentação o Dr. Chao afirmou que a telemedicina é a inserção do digital na vida real. Estamos no meio da transformação digital, uma era na qual os serviços de saúde serão conectados, e as cidades serão inteligentes.

A telemedicina pode ser entendida como um voo de avião, e para se ter um voo é necessário um sistema de embarque, um checklist da aeronave, uma central de controle e uma pista. A telemedicina, assim como um voo, é um processo de interação entre um ou mais profissionais de saúde e um paciente por meio da tecnologia. Trata-se da estruturação de uma cadeia estratégica de serviços.

A telemedicina amplia, agiliza, integra e, por fim, soma, e pode ser dividida em: acadêmica, social, governamental e privada/comercial. A telemedicina acadêmica pode orientar e potencializar a privada/comercial. No Brasil, temos uma demanda reprimida de atendimentos, que pode ser suprida por meio da telemedicina. Assim sendo, ela não substitui o médico presencial. Além disso, a telemedicina pode elevar o nível da medicina no país através de "tele-juntas médicas", elevando a qualidade da assistência prestada no país.

Segundo a definição do próprio Dr. Chao: "A telemedicina é a integração de métodos de raciocínio integrativo médico ampliada com recursos interativos digitais seguros para aumentar os cuidados e melhorar a logística da saúde fornecida aos pacientes".

"Telemedicina responsável" pode ser definida como: o exercício da medicina usando recursos tecnológicos interativos a fim de possibilitar cuidados integrados e humanizados, aumentar o acesso aos pacientes e promover a eficiência da logística na saúde.

De acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei n°13.709/2018), de 14 de agosto de 2018, é necessário o consentimento livre e esclarecido do paciente para que os seus dados possam ser utilizados. Existem fortes evidências científicas sobre o papel da telemedicina no aumento do acesso à saúde e na redução de custos no cuidado dos pacientes.

A solução passa por um processo de educação dos profissionais de saúde através da pós-graduação lato sensu em telemedicina.

Organização de telemedicina acadêmica em operadora de saúde

Nesta palestra o Dr. Marcos Loreto, diretor médico da Omint Saúde e Seguros, apresentou como as operadoras saúde podem se posicionar frente à telemedicina. Vinte e dois porcento dos brasileiros têm planos de saúde (dados de junho de 2018), e existe uma queda importante do número de pessoas com acesso aos planos de saúde. Isso pode ser justificado pelo aumento progressivo e desproporcional da inflação em saúde, além do aumento do desemprego, uma vez que a maioria dos planos são corporativos.

Houve, em consequência, uma redução progressiva dos planos de saúde e o aumento da sinistralidade das operadoras de saúde, além do aumento das doenças crônicas, que causam um crescimento de gastos em saúde. Os protocolos clínicos também estão mais caros, e existe um aumento da velocidade na incorporação de novas tecnologias e novos medicamentos.

Algumas ações na saúde suplementar para segurar os custos em saúde são: resgatar a medicina preventiva, protocolos clínicos com custos efetivos, educação médica, combate às fraudes e evitar os desperdícios. A telemedicina é uma excelente ferramenta para evitar desperdícios e otimizar processos. Ela permite acesso ao médico em áreas remotas, é uma excelente ferramenta para fazer triagem, dar orientação médica, monitorar doenças crônicas e prover auxílio diagnóstico, como na telerradiologia.

No Brasil, a regulamentação da telemedicina é de 2002, portanto, existe uma falta de regulamentação adequada, é necessário estruturar todo o ferramental de telemedicina, organizando melhor os processos em saúde.

O projeto da Omint consiste na triagem em pediatria, estruturando uma plataforma de segurança, respeitando as normas de proteção de dados dos pacientes prevista no Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPAA), além do treinamento dos pediatras em bioética digital. Todos os atendimentos seguem protocolos clínicos, com registro clínico dos dados e depois existe uma pesquisa de satisfação.

A telemedicina na triagem em pediatria diminui a procura dos pacientes ao pronto-socorro, reduzindo a procura desnecessária aos serviços de saúde, aumentando a eficiência e reduzindo os custos em saúde.

Inovação em serviço de telemedicina em oftalmologia

O Dr. Alexandre Taleb, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM/UFG), apresentou soluções de telemedicina em oftalmologia. Existe um novo paradigma que envolve uma mudança da cultura digital nos últimos anos. O projeto de teleoftalmologia iniciou em 2008, com o Projeto Nacional de Telessaúde (PNT), um programa permanente de detecção precoce das principais causas da cegueira.

Na oftalmologia, é possível realizar a teleconsulta por meio de novas tecnologias com dispositivos com autorrefratores, que permitem fazer a refração dos pacientes, além de lâmpada de fenda digital portátil. Outra área interessante é a teleinterconsulta, na qual um especialista discute com médicos generalistas em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O telediagnóstico inclui a telerretinografia, na qual o fundo de olho do paciente é fotografado e a imagem enviada a um oftalmologista à distância, para dar o diagnóstico.

Normalmente, o fundo de olho é avaliado através de três fotos por olho (seis fotos por paciente), e todas as áreas da retina são avaliadas. Foi criada uma plataforma nacional de telessaúde em oftalmologia.

Em uma análise do projeto, foram avaliados mais de 28.000 pacientes, e 82% tinham a retina normal, mas nos pacientes diabéticos houve elevada prevalência de retinopatia diabética e catarata.

Os próximos passos nessa área são: aplicação da inteligência artificial para identificação de retinas normais e retinopatia diabética. Além de permitir a classificação do grau de retinopatia, isso pode ser feito com redes neurais convulsionais, aumentando o diagnóstico de retinopatias e possibilitando maior acesso ao tratamento pelos pacientes.

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