Fumar duplica o risco de morte súbita e inesperada de recém-nascidos

Troy Brown

Notificação

25 de março de 2019

Recém-nascidos de mulheres que fumaram até mesmo um cigarro por dia durante a gestação tiveram mais que o dobro do risco de morte súbita e inesperada, em comparação com aqueles cujas mães não fumaram, e esse risco aumentou a cada cigarro, mostra um grande estudo. O risco caiu quando as mulheres reduziram a quantidade de cigarros ou pararam de fumar.

"Em comparação com as gestantes que não reduziram a quantidade de cigarros durante a gestação (mais da metade), os bebês das mães que o fizeram por volta do terceiro trimestre tiveram modesta queda (17%) do risco de morte súbita e inesperada, e os bebês das gestantes que pararam de fumar no terceiro trimestre apresentaram uma redução ainda maior (23%) do risco", segundo os pesquisadores.

O estudo, feito pela Dra. Tatiana M. Anderson, Ph.D., do Center for Integrative Brain Research, do Seattle Children's Research Institute, em Seattle, Washington, e colaboradores, foi publicado on-line em 11 de março, no periódico Pediatrics.

Os pesquisadores analisaram dados estatísticos vitais de 20.685.463 nascimentos e 19.127 casos de morte súbita e inesperada, ajustando para raça e/ou etnia/origem hispânica de mãe e pai, idade da mãe e do pai, estado civil da mãe, escolaridade da mãe, ordem de nascidos vivos, número de consultas pré-natais, idade gestacional em semanas, tipo de parto (vaginal ou cesariana), sexo do recém-nascido e peso ao nascer.

A morte súbita e inesperada inclui a síndrome da morte súbita do lactente, sufocação e estrangulamento acidentais no leito e causas mal definidas.

Comparado com recém-nascidos de mães não fumantes, o risco de morte súbita e inesperada foi mais que o dobro para recém-nascidos de mães que relataram ter fumado durante a gestação (razão de risco ajustada ou adjusted odds ratio, aOR, de 2,44; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 2,31 a 2,57).

O risco foi quase duas vezes maior com um cigarro fumado por dia (aOR de 1,98; IC 95%, de 1,73 a 2,28), e aumentou linearmente até o platô de 3,17 (IC 95%, de 2,87 a 3,51) para as que fumaram um maço (20 cigarros) por dia.

"Essa correlação foi similar para cada trimestre quando modelada independentemente, mas o número médio de cigarros nos três trimestres juntos teve o maior poder preditivo", explicaram os pesquisadores.

Os achados indicam que "os esforços de cessação do tabagismo podem ter um impacto maior na diminuição das taxas de morte súbita e inesperada quando direcionadas a pessoas que fumam menos de um maço por dia, em vez das que fumam mais de 20 cigarros por dia, que são os alvos mais tradicionais das campanhas", dizem os pesquisadores.

Mais da metade (55%) das mães que fumaram durante a gestação continuaram a fumar a mesma quantidade de cigarros que fumavam antes da gestação. Em média, aquelas que pararam de fumar no começo do terceiro trimestre (20%) reduziram o número de cigarros fumados durante toda a gestação em 58%, e as que reduziram o fumo no terceiro trimestre reduziram o número de cigarros em 33%. Esta foi uma "redução mensurável", segundo os pesquisadores.

Em comparação com as gestantes que continuaram a fumar, o risco de morte súbita e inesperada foi ligeiramente menor no grupo que reduziu a quantidade de cigarros (aOR de 0,88; IC 95%, de 0,79 a 0,98), mas a maior redução no risco foi observada no grupo que parou de fumar (aOR de 0,77 IC 95%, de 0,67 a 0,87).

Na comparação com mulheres que não fumaram durante a gestação ou nos três meses anteriores, o risco de morte súbita e inesperada aumentou progressivamente nas mães que fumaram e pararam antes da gestação (aOR de 1,47; IC 95%, de 1,16 a 1,87), naquelas que não fumavam antes, mas fumaram durante a gestação (aOR de 2,22; IC 95%, de 1,15 a 4,29) e nas que fumavam antes e durante a gestação (aOR de 2,52; IC 95%, de 2,25 a 2,83).

Para aquelas que só fumaram antes da gestação, a quantidade de cigarros não pareceu ter efeito sobre o risco de morte súbita e inesperada.

Os pesquisadores acreditam que as estimativas de tabagismo provavelmente são conservadoras, porque não avaliaram a exposição ambiental ao fumo durante o pré-natal e o pós-parto, ou o tabagismo paterno, que é um fator conhecido para o risco de morte súbita e inesperada. Além disso, as estimativas de tabagismo dependem dos relatos das mulheres, que podem ter preferido não revelar o seu status de fumante.

As mulheres devem ser "fortemente incentivadas" a não fumar durante a gestação e a reduzir a quantidade de cigarros, dizem os autores. "Estimamos que as taxas de morte súbita e inesperada nos Estados Unidos poderiam ser reduzidas em 22% se nenhuma mulher fumasse durante a gestação", concluem.

O estudo teve apoio dos National Institutes of Health, Microsoft, e AaronMatthew Sudden Infant Morte Syndrome Research Guild. Os autores informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

Pediatrics. Publicado on-line em 11 de março de 2019. Abstract

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