Suicídio: fatores de risco são extremamente importantes para a prevenção

Dr. Sivan Mauer

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4 de março de 2019

Neste artigo

Dr. Sivan Mauer

Nesta seção o psiquiatra Sivan Mauer destaca e comenta estudos relevantes no campo da psiquiatria. O Dr. Mauer é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, e doutorando em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além da prática privada exercida em São Paulo e Curitiba, o Dr. Mauer é clinical faculty na Tufts University School of Medicine, Boston (EUA).

1. Fatores de risco para suicídio em depressão: pacientes hospitalizados pela primeira vez acompanhados por 24 anos na Finlândia

Cerca de 50% das pessoas que cometem suicídio sofrem de transtornos do humor, e cerca de 50% têm algum histórico de internação psiquiátrica.

Os pacientes hospitalizados com transtornos afetivos têm alto risco de suicídio, no entanto, evidências prospectivas sobre os fatores de risco de suicídio em transtornos do humor são limitadas. A grande maioria dos estudos foca em dados de pessoas próximas ou de familiares para avaliar ideação e tentativas de suicídio, acarretando incerteza na generalização dos resultados.

De acordo com algumas revisões sistemáticas, existem alguns importantes fatores de risco de suicídio em pacientes com transtornos do humor, como: ser do sexo masculino, ter história familiar de doença psiquiátrica, tentativas prévias  e gravidade do episódio, desesperança, comorbidade com ansiedade, transtornos de personalidade e abuso de substâncias.

No entanto, as evidências são, na maioria das vezes, provenientes de estudos de caso-controle e de coortes com amostras pequenas. Assim, estudos longitudinais de grande escala na avaliação, planejamento terapêutico e esforços preventivos clínicos são necessários.

A disparidade entre os gêneros como fator de risco de suicídio ainda deve ser melhor compreendida, sendo necessária a realização de mais estudos. O excesso de mortalidade em homens pode ser explicado pela diferença de comorbidades de doenças mentais, pelas tentativas de suicídio, pelos traços impulsivos agressivos ou pela escolha de métodos mais letais.

Este estudo foi baseado na coorte finlandesa de todos os pacientes internados pela primeira vez (N = 56.826) por depressão, entre 1991 e 2011, e que foram acompanhados depois da alta até o final do ano de 2014 ou até a morte. Destes, 25.188 eram homens e 31.638 eram mulheres.

As características clinicas encontradas foram: gravidade do quadro depressivo (razão de risco ou hazard ratio, HR, de 1 ,19; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 1 ,08 a 1 ,30), depressão psicótica (HR = 1 ,45; IC 95%, de 1 ,30 a 1 ,62), comorbidade com abuso de bebidas alcoólicas (HR = 1 ,26 ; IC 95%, de 1 ,13 a 1 ,41) e ser do sexo masculino (HR = 2 ,07; IC 95% de 1 ,91 a 2 ,24).

Para lembrar:
Fatores de risco são extremamente importantes para a prevenção do suicídio na prática clínica. Homens com tentativas prévias são pacientes com alto potencial de virem a cometer uma nova tentativa de suicídio. Estes pacientes precisam ser acompanhados com proximidade, e de preferência ser tratados com lítio, mesmo que em doses baixas.

Referência:
Aaltonen KI, Isometsä E, Sund R, Pirkola S. Risk factors for suicide in depression in Finland: first‐hospitalized patients followed up to 24 years. Acta Psychiatr Scand. 2018:154-163. doi:10.1111/acps.12990.

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