As 10 maiores ameaças à saúde pública incluem a pandemia de gripe e a poluição do ar

Megan Brooks

Notificação

29 de janeiro de 2019

O mundo está enfrentando vários desafios na área da saúde, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma lista com as 10 maiores ameaças à saúde global em 2019, que exigirão suas ações e de seus parceiros.

No topo da lista estão a poluição do ar e as mudanças climáticas. De acordo com a OMS, 9 de cada 10 pessoas respiram ar poluído todos os dias, e este tipo de poluição responde pela morte prematura de sete milhões de pessoas todos anos por enfermidades como câncer, acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardíacas e pulmonares. A maioria destas mortes ocorre nos países de baixa ou média renda, grandes emissores de poluição em setores como a indústria, o transporte e a agricultura. Além disso, nestes países, o ambiente interno das casas é comprometido pelo uso de combustíveis poluentes para o cozimento de alimentos.

A queima de combustíveis fósseis é a principal causa de poluição do ar e um grande fator de contribuição para as mudanças climáticas, além de comprometer a saúde. Entre os anos de 2030 e 2050, espera-se que as alterações climáticas provoquem 250.000 mortes adicionais por ano por desnutrição, malária, diarreia e estresse pelo calor.

O segundo lugar da lista de ameaças globais à saúde é ocupado pelas doenças e agravos não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardíacas, que juntos respondem pela morte de 41 milhões de pessoas, ou mais de 70% de todas as mortes no mundo, segundo dados da OMS. Aí se incluem 15 milhões de mortes prematuras de pessoas entre 30 e 69 anos de idade.

O tabagismo, a falta de atividade física, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a alimentação inadequada e a poluição do ar são os fatores cruciais para o aumento da incidência de doenças e agravos não transmissíveis. Estes fatores de risco também contribuem para problemas de saúde mental.

A ameaça de uma pandemia de influenza é o terceiro item da lista. "O mundo enfrentará uma nova pandemia de influenza – só não sabemos quando e qual será sua gravidade. A eficácia das defesas globais depende do elo mais fraco da corrente de preparo e resposta às emergências, considerando todos os países do planeta", segundo um comunicado da OMS. A agência monitora constantemente a circulação dos vírus influenza, para detectar potenciais sorotipos que possam causar uma pandemia: 153 instituições em 114 países participam do sistema de vigilância e resposta global.

O quarto lugar da lista são as situações de fragilidade e vulnerabilidade, como nas regiões afetadas por seca, fome, conflitos ou deslocamentos populacionais. De acordo com a OMS, mais de 1,6 bilhão de pessoas (22% da população global) vive em lugares onde crises prolongadas e serviços de saúde precários as deixam sem acesso ao atendimento básico de saúde.  "As situações de precariedade existem em quase todas as regiões do mundo, e são estes os lugares onde as metas de desenvolvimento sustentável, incluindo a saúde materno-infantil, ainda não foram alcançadas", segundo a OMS.

As últimas cinco

A lista completa das 10 maiores ameaças globais traz ainda:

5. Resistência aos antimicrobianos: o tempo "está acabando", segundo a OMS. "A resistência aos antimicrobianos ameaça nos levar de volta ao tempo em que não tínhamos como tratar infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose. A impossibilidade de prevenir infecções pode comprometer procedimentos como cirurgia e quimioterapia".

6. Ebola e outros patógenos de alto risco: Em 2018, a República Democrática do Congo teve dois surtos distintos de Ebola, ambos atingiram cidades com mais de um milhão de habitantes. Uma das províncias atingidas também é uma zona de conflito ativo.

7. Sistemas de atenção primária precários: o atendimento primário pode resolver a maioria das necessidades de saúde de uma pessoa durante toda a sua vida. Apesar disso, muitos países não dispõem de serviços adequados. Neste ano, a OMS informou que vai trabalhar com seus parceiros para revitalizar e fortalecer o atendimento primário em vários países.

8. Dúvidas sobre vacinas: A relutância ou a recusa em tomar vacinas, mesmo quando disponíveis, é uma ameaça ao progresso alcançado no combate às doenças preveníveis. Atualmente, a vacinação previne duas a três milhões de mortes todos os anos, e outras 1,5 milhões de mortes poderiam ser evitadas com a melhora da cobertura vacinal global, segundo a OMS.

9. Dengue: Essa doença potencialmente fatal é transmitida por mosquitos, sendo uma ameaça cada vez mais importante nas últimas décadas. Estima-se que 40% do mundo tenha risco de dengue, e cerca de 390 milhões de infecções ocorrem todos os anos. A estratégia de controle da dengue da OMS visa reduzir as mortes em 50% até 2020.

10. HIV: Apesar do "enorme" progresso no combate ao HIV, alcançado por meio do anti-HIV, da distribuição e do uso de antirretrovirais (22 milhões de pessoas estão em tratamento) e das medidas preventivas, com a profilaxia pré-exposição, a epidemia continua; quase um milhão de pessoas morrem de HIV/Aids todos os anos. A OMS atuará junto com os governos de diversos países para a introdução do autoteste, para que mais pessoas conheçam o seu status sorológico e assim possam receber tratamento ou adotar medidas de prevenção.

Para enfrentar estas e outras ameaças, o ano de 2019 marca o início do plano estratégico de cinco anos da OMS – o 13th General Programme of Work. O plano estabelece como alvo três bilhões de pessoas: assegurar que mais um bilhão de pessoas tenham acesso aos sistemas universais de saúde, mais um bilhão de pessoas fiquem mais bem protegidas contra as emergências de saúde e mais um bilhão de pessoas tenham boa saúde e bem-estar.

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....