Embora o mercado norte-americano de suplementos nutricionais e alimentares permaneça forte ( estimam-se 41,1 bilhões de dólares em vendas em 2016 ) [1] a Academy of Nutrition and Dietetics alerta contra o uso rotineiro e indiscriminado desses suplementos .
Em um artigo de opinião atualizado publicado on-line em 20 de novembro no periódico Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, a sociedade afirmou que, embora os suplementos vitamínicos e minerais com um ou mais componentes possam beneficiar muitos norte-americanos com alimentação deficiente em micronutrientes, não há evidências científicas para justificar o uso regular na prevenção de doenças crônicas em pessoas saudáveis.
Esta conclusão se baseia em revisões de evidências feitas por vários órgãos, como os National Institutes of Health, a Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ) e a US Preventive Services Task Force (USPSTF).
"Pessoas com maiores demandas em consequência de crescimento , doenças crônicas, uso de medicamentos, má absorção, gestação, aleitamento e envelhecimento podem ter um risco particular de consumo inadequado de alimentos ", escreveram as Dras. Melissa Ventura Marra, Ph.D., professora assistente de nutrição humana e alimentos na West Virginia University, em Morgantown, West Virginia, e Regan Bailey, Ph.D., professora associada de ciência da nutrição na Purdue University em West Lafayette, Indiana.
Cerca de um terço dos adultos norte-americanos tomam algum suplemento multivitamínico-mineral, observaram os autores. Suplementos usados com prudência podem ajudar nas alimentações deficientes; uma análise anterior dos dados do National Health and Nutrition Examination Survey[2] mostrou que 25% a 70% dos norte-americanos têm baixa ingestão de cálcio, magnésio e vitaminas A, C, D e.
Suplementos de micronutrientes podem beneficiar especificamente mulheres que pretendem engravidar ou gestantes ; bebês, principalmente em aleitamento materno ; pessoas com dependência de álcool e pessoas com degeneração macular relacionada com a idade, de acordo com a declaração da AHRQ.
No entanto, o uso indiscriminado dos suplementos pode elevar o consumo de certos micronutrientes acima dos níveis máximos de ingestão toleráveis, provocando riscos à saúde, como interações medicamentosas adversas e inibição de outros micronutrientes essenciais. Embora a maioria dos usuários adultos não ultrapasse os níveis máximos tolerados, os autores alertaram que alguns podem consumir involuntariamente quantidades excessivas de ferro (9,0%), zinco (9,0%), ácido fólico (7,0%), cálcio (6,0%), magnésio (6,0%), vitamina B6 (3,5%), vitamina A (3,0%) e vitamina C (1,6%).
"Os consumidores podem não estar bem informados sobre a segurança e o uso desses produtos e alguns podem ter dificuldade de compreender as bulas", escreveram os autores.
Os pesquisadores ressaltaram que os profissionais que oferecem orientação nutricional devem se manter atualizados quanto a eficácia e segurança desses produtos, bem como sobre as questões regulatórias para sua utilização. O documento fornece uma lista abrangente de recursos confiáveis sobre possíveis contraindicações e interações medicamentosas e alimentares, como o AHRQ, a Cochrane Collaboration, a Food and Drug Administration norte-americana , o Office of Dietary Supplements e a National Academy of Medicine.
O artigo provê embasamento para as seguintes recomendações sobre suplementos de micronutrientes específicos:
400 UI/dia de vitamina D para lactentes em aleitamento materno
400 a 800 µg/dia de ácido fólico (se não consumido em alimentos fortificados) para mulheres que planejam engravidar
Suplementos antioxidantes para pessoas com degeneração macular relacionada com a idade intermediária ou avançada
2,4 mg/dia de vitamina B12 de suplementos ou alimentos fortificados para pessoas a partir dos 50 anos
Os autores também citaram desvantagens no consumo de suplementos:
Suplementos de ferro devem ser evitados pelas mulheres após a menopausa e pelos homens e pessoas homozigotas para hemocromatose
Mulheres após a menopausa devem evitar suplementos de retinol, associados à redução da densidade mineral óssea e maior risco de fratura do quadril
Consumo elevado de vitamina B6 em suplementos foi associado a neuropatia sensitiva
Altas doses de suplementos de ferro podem diminuir a absorção de zinco, e o zinco pode impedir a absorção de cobre. Os suplementos de cálcio inibem tanto a absorção de ferro heme como não heme
Altas doses podem interagir de forma inadvertida com medicamentos ; por exemplo, as vitaminas E e K podem interferir com anticoagulantes como varfarina
Betacarotenos em altas doses podem aumentar o risco de câncer de pulmão nos fumantes
A USPSTF não encontrou evidências suficientes respaldando os suplementos de cálcio e vitamina D muito prescritos para reduzir o risco de fraturas nas mulheres após a menopausa e sugeriu que estes suplementos podem aumentar o risco de cálculo renal
Este ano, o Medscape noticiou a publicação de uma met análise que não encontrou evidências científicas de que suplementos multivitamínicos e minerais reduzam o risco de eventos cardiovasculares.
Para os pacientes que desejam tomar suplementos, a Dra. Melissa disse ao Medscape que um suplemento multivitamínico e mineral uma vez ao dia que fornece cerca de 100% do valor diário recomendado da maioria dos nutrientes pode ajudar a prevenir inadequações, sendo geralmente seguro para as pessoas saudáveis.
"Ironicamente, a maioria dos pacientes que toma suplementos multivitamínicos não é quem mais precisa deles" .
Por outro lado, o consumo de vitaminas e minerais isolados geralmente não é aconselhável, a não ser que uma deficiência nutricional específica esteja sendo tratada, continuou Dra. Melissa .
"Ao fazer recomendações para os pacientes, precisamos considerar fatores individuais como a qualidade geral da dieta, as condições de saúde e uso de medicamentos", disse .
"Os pacientes que fazem dietas de baixa caloria, que restrigem certos alimentos ou têm problemas de saúde que interferem na absorção ou consumo de nutrientes, podem se beneficiar especialmente da suplementação de micronutrientes".
A Dra. Melissa ressaltou que a suplementação não deveria ser vista como um substituto para uma dieta saudável.
"Existem muitos nutrientes benéficos para a saúde, como fibra alimentar ou fitoquímicos, que os suplementos não fornecem", afirmou .
Em vez disso, ela recomendou a prescrição de mais alimentos ricos em nutrientes para os pacientes, a fim de ajudar a suprir suas deficiências.
O artigo de posição não recebeu apoio financeiro. A Dra. Regan Bailey é consultora científica de National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements, e informou receber subsídios de viagens de Council of Responsible Nutrition . A Dra. Melissa Ventura Marra declarou não ter relações financeiras relevantes.
J Acad Nutr Diet . 2018;118:2162-2173 . Texto completo
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Citar este artigo: Suplementos alimentares não previnem doenças crônicas - Medscape - 18 de dezembro de 2018.
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