COMENTÁRIO

Opinião: Quanto vale uma ótima ideia de negócios em medicina?

Dr. Gustavo Kuster

Notificação

10 de outubro de 2018

Atualmente o tema "empreendedorismo" vem sem tornando cada mais frequente nos meios médicos. Vemos exemplos de médicos de sucesso que largam as carreiras de mais de 10 anos de estudos para se dedicar a alguma ideia ou a alguma startup.

Mas afinal, o que é uma startup? Quanto vale uma ideia revolucionária? Devo abandonar uma carreira medica sólida para me dedicar ao desconhecido?

Começando com a primeira pergunta: o que é uma startup? No American Heritage Dictionary, é "uma empresa ou um negócio que acabou de começar as operações". Neil Blumenthal, co-fundador da Warby-Parker, define startup como "uma empresa que trabalha para resolver um problema cuja solução não é obvia e o sucesso não é garantido".

Segundo Flavio Pripas, diretor do Cubo, um grande centro de inovação e empreendedorismo no Brasil, startup é uma empresa que resolve um problema real, do mundo real, e cria soluções com potencial de escala.

Um aspecto que todos concordam: startup é uma empresa que foi desenhada para crescimento rápido e para atingir muitas pessoas (escala). E isso tem menos a ver com o tamanho da empresa – por exemplo, o Uber é considerado por alguns uma startup – e mais com o modelo de negócios dela. Voltando para a medicina, uma startup em saúde, também conhecida como HealthTech, é uma empresa que resolve um problema de saúde com escalabilidade.

Então, o fato de ter uma ideia revolucionária já pode ser considerado uma startup, e essa ideia já vale milhões de dólares?

Quando comecei a Stanford Business School (Ignite), o professor Jonathan Levav me surpreendeu quando respondeu a essa pergunta em sala de aula:

"Querem saber quanto vale a ideia de vocês?", indagou ele.

Nesse momento imaginei que ele nos ensinaria métodos revolucionários que calcular quanto vale uma ideia, mas a resposta foi decepcionante:

"A ideia de vocês não vale NADA. Sem execução, essa ideia é apenas uma ideia", disse ele.

De fato, muitos já haviam pensado e até tentaram montar um Airbnb ou um Uber, mas falharam na execução da ideia. 

Para se montar uma startup, é preciso entender muito bem o problema que se quer solucionar, conhecer as dores dos principais impactados (stakeholders), do processo, e montar um plano para solucionar este problema (business plan).

Por exemplo, se você é um clínico que trabalha em um pronto-socorro onde chegam muitos casos de AVC e não há um neurologista presencial, pode-se entender que uma solução seria ter um neurologista à distancia, orientando você por telefone. Ao telefone, no entanto, não conseguimos examinar o paciente, nem mesmo ver a tomografia. Então, talvez seja interessante desenvolver uma solução mais completa para isso. Essa é a ideia baseada em um problema real. A partir dai é necessário entender se mais médicos têm o mesmo problema que você, e se esse é um problema em mais outros lugares (do Brasil e de mundo). Se a resposta for sim, esteja preparado para criar um plano para executar a sua ideia e transformá-la em uma empresa que vai atingir milhares de pessoas (startup).

A partir desse momento você deixa de ter uma ideia, passa a ter uma empresa que resolve um problema real, e isso cria valor, e tem valor de mercado.

Por fim, a pergunta crucial: você deve abandonar a carreira médica para investir nisso? Bem, trocar a carreira por uma ideia é realmente trocar o certo por algo desconhecido. Agora, se essa ideia resolve um problema real, se foi testada e validada em outros ambientes, se existe um plano de negócios detalhado, então você não está trocando de profissão. Você está aplicando seus conhecimentos de modo diferente, podendo atingir e ajudar um maior número de pacientes do que ajuda na pratica diária, seja no consultório ou no hospital.

 

 

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