Dr. Fabiano M. Serfaty
Nesta seção o Dr. Fabiano Serfaty resume estudos recém-apresentados nas Sessões Científicas da American Diabetes Association (ADA) 2018 do ENDO, um dos mais prestigiosos eventos na área de Diabetes.
1. O uso da sotagliflozina associado à insulina na melhora do controle glicêmico do diabetes tipo 1
Os resultados do estudo InTandem 1, publicados no ADA e descritos com mais detalhes em uma publicação na mesma semana no periódico Diabetes Care, demonstrou que pacientes com diabetes tipo I tratados com 200 mg ou 400 mg de sotagliflozina em associação com insulinoterapia, apresentaram uma redução estatisticamente significativa dos níveis de HbA1c e peso corporal, além de uma menor incidência de eventos de hipoglicemia grave, quando comparados àqueles que utilizaram placebo com insulina.
A sotagliflozina é um inibidor duplo da SGLT1 e SGLT2, duas proteínas responsáveis pela regulação fisiológica da glicose. A Inibição da SGLT1 atrasa e reduz a absorção da glicose no intestino delgado, melhorando o controle glicêmico pós-prandial. A inibição da SGLT2 leva a perda de glicose através da urina. A sotagliflozina é o primeiro inibidor duplo da SGLT1/SGLT2 a ser amplamente estudado em seres humanos.
O estudo, um duplo-cego, fase 3, realizado em 75 locais nos Estados Unidos e no Canadá, avaliou 793 adultos com diabetes tipo 1 (DM1). Depois de seis semanas de otimização da insulinoterapia os participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: 268 receberam placebo, 263 receberam 200 mg de sotagliflozina, e 262 receberam 400 mg de sotagliflozina, sendo a medicação administrada uma vez por dia antes da primeira refeição do dia. Os participantes tinham níveis de HbA1c entre 7% e 11 % antes do estudo. Após 52 semanas, os pacientes que receberam sotagliflozina, além de terem otimizado a dose de insulina, apresentaram uma redução sustentada dos níveis de HbA1c, do peso corporal, e da dose total diária de insulina em comparação com o grupo que utilizou apenas insulina. O uso da sotagliflozina também foi associado a menos episódios de hipoglicemia graves, apesar da redução da glicemia média total.
Um total de 17 participantes do grupo que utilizou 200 mg sotagliflozina e 400 mg (6,5% de cada grupo), informou episódios de hipoglicemia graves em comparação com 26 participantes (9,7%) do grupo placebo. Foi observado no estudo um aumento do risco de cetoacidose diabética devido à inibição do SGLT2: nove pacientes (3,4%) do grupo que usou 200 mg, 11 pacientes (4,2%) do grupo de 400 mg, em comparação com um paciente (0,4%) do grupo do placebo.
Os dados demonstraram, que o tratamento combinado da sotagliflozina adicionado à otimização da insulinoterapia em pacientes adultos com diabetes tipo 1 alcançou os alvos glicêmicos sem aumento significativo de eventos hipoglicemia graves. Em relação às metas de controle glicêmico propostas pela ADA, após 52 semanas do estudo, alcançaram seus alvos glicêmicos 69 (26,2%) dos pacientes que usaram 200 mg, 85 (32,4%) dos pacientes que utilizaram a dose de 400 mg, e 51 (19%) dos que usaram placebo.
| Para lembrar: Este importante estudo de 52 semanas demonstrou a eficácia e a segurança da sotagliflozina, um duplo inibidor da SGLT1/SGLT2, como terapia adjuvante à insulinoterapia em adultos com diabetes tipo 1. |
Referência:
American Diabetes Association 2018 Scientific Sessions. 24 de junho de 2018; Orlando, Flórida. Resumo 212-OR, 213-OR.
Citar este artigo: Clube de Revista: mães com diabetes podem aumentar chances de autismo em crianças - Medscape - 6 de agosto de 2018.
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