Rio de Janeiro - Campanhas de vacinação são realizadas no Brasil todos os anos com o objetivo de reduzir os casos graves de influenza. Desde 1999, o Ministério da Saúde realiza campanhas de vacinação contra influenza e observa-se que cobertura vacinal vem aumentando, atingindo a meta estabelecida de 80% pelo Ministério da Saúde[1]. Durante a sessão "Vigilância epidemiológica de surtos e agravos", no 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizado no final de julho no Rio de Janeiro, a pesquisadora Laís Nery Pereira, graduanda em enfermagem do Centro Universitário São Camilo (Espírito Santo), analisou as taxas de vacinação e os motivos da não adesão dos idosos à campanha de vacinação contra o Influenza, de 2011 a 2016.
Laís é uma das autoras do estudo Cobertura vacinal contra influenza e motivos da não adesão em idosos, orientado por Michele Thiébaut Miranda Boscaglia, professora do Centro Universitário São Camilo e enfermeira da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo.
"Nossos dados foram coletados no DataSus[2] e mostram que até 2016 pelo menos a meta de 80% vinha sendo atingida. Esta é uma boa notícia, pois com o aumento da vacinação conseguimos diminuir os casos de hospitalização por infecções respiratórias nos idosos, o que é um ponto positivo na saúde do idoso e também para o governo, por meio da redução de gastos hospitalares e de custos com o tratamento da doença", disse ela.
Segundo a pesquisadora, apesar de reconhecida a eficácia da vacinação na diminuição dos impactos das infecções respiratórias nos idosos[3], ainda são encontrados pacientes resistentes à campanha vacinal. No estudo, que é uma revisão bibliográfica de meta-análise, foi verificado que os principais motivos para a não adesão à vacina, foram: crença de que a gripe é uma doença banal; falta de consciência sobre as graves complicações da gripe; descrença nos benefícios da vacina; e falta de orientação dos profissionais de saúde sobre a importância da imunização. Também foi verificado, segundo Laís, baixa taxa de adesão entre idosos que não têm doenças crônicas, pois são idosos que geralmente não frequentam as unidades de saúde, recebendo assim menos orientação sobre a imunização.
"A vacinação é essencial para prevenir os agravos da influenza, porém ainda há uma resistência dos idosos devido a uma brecha na conscientização".
Para mudar esse cenário, diz Laís, é necessário educação continuada dos profissionais de saúde sobre a abordagem dos efeitos e benefícios da vacinação aos idosos, melhorar a informação dos idosos sobre as graves consequências da gripe em linguagem que eles possam entender; e investir para que as metas estabelecidas de cobertura vacinal sejam alcançadas em todos os estados e municípios do país.
"É por meio delas que conseguimos redução nas taxas de mortalidade e de hospitalização por infeções respiratórias", disse a pesquisadora.
A Dra. Gerluce Alves Pontes da Silva, médica do Ministério da Saúde e pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, que coordenou a sessão no evento, destacou a importância da vigilância em saúde no sentido da notificação dos casos de influenza como ferramenta para o enfrentamento da doença.
"Sabemos que às vezes é difícil fazer a vigilância dos dados devido aos diversos 'incêndios' que temos de apagar diariamente. Mas devemos ter sempre em mente que as ações de intervenção caminham juntas com a vigilância epidemiológica, por isso é importante que periodicamente façamos essa reflexão e monitoramento".
Citar este artigo: É preciso melhorar informação aos idosos sobre as graves consequências da gripe - Medscape - 3 de agosto de 2018.
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