Níveis mais elevados de vitamina D associados a menor risco de câncer colorretal

Pam Harrison

Notificação

9 de julho de 2018

Níveis circulantes de 25-hidroxivitamina D (25-OH D) mais altos, até 100 nmol/L, estão associados a risco significativamente menor de câncer colorretal (CCR) nas mulheres e um risco não significativamente menor nos homens, em comparação a concentrações consideradas deficientes para a saúde óssea, sugere uma meta-análise internacional colaborativa.

“Estudos anteriores sugeriram que pode haver um risco de câncer colorretal mais baixo, com níveis mais altos de vitamina D no sangue, mas os estudos têm sido inconsistentes e geralmente menores”, disse ao Medscape a nutricionista Marjorie McCullough, autora do estudo e epidemiologista nutricional da American Cancer Society, em Atlanta, Georgia (EUA).

Os autores utilizaram dados originais de 17 estudos, permitindo à equipe controlar diferentes fatores de risco de câncer colorretal, bem como analisar subgrupos na população, o que não é possível em meta-análises típicas.

A equipe descobriu que níveis circulantes de 25 (OH) D abaixo de 30 nmol/L, considerados deficientes para a saúde óssea pelo Institute of Medicine (IOM) norte-americano, estavam associados a um risco 31% maior de câncer colorretal, comparado aos níveis de 50 a < 62,5 nmol/L, o menor intervalo de 25 (OH) D considerado suficiente para a saúde dos ossos.

O estudo foi publicado on-line em 14 de junho no Journal of the National Cancer Institute.

Os pesquisadores reuniram dados em nível de participantes de 17 coortes contendo 5.706 pacientes com câncer colorretal e 7.107 controles.

“Cabe ressaltar que em oito dos estudos, nós dosamos recentemente os níveis séricos de vitamina D, e para os outros estudos que dosaram a vitamina D, obtivemos amostras na faixa concentrações de 25 (OH) D dentro desses estudos, e as reavaliamos no mesmo laboratório que usamos para os novos estudos, para que pudéssemos calibrar os valores já dosados e usar os mesmos pontos de corte ao analisar a relação do câncer colorretal em relação à variação dos níveis de vitamina D observados internacionalmente”, explicou a Dra. Marjorie.

No passado, grandes diferenças entre os testes dificultavam para os pesquisadores integrar os dados de vitamina D de diferentes estudos, explicam os autores.

Após um acompanhamento médio de 5,5 anos, os participantes no quintil inferior de concentrações de 25 (OH) D tiveram um risco relativo 23% maior de câncer colorretal, enquanto aqueles no quintil superior tiveram um risco 21% menor de câncer colorretal em um modelo não ajustado.

O ajuste por índice de massa corporal (IMC) e atividade física modificou pouco essas estimativas de risco, observam os autores.

Os pesquisadores também avaliaram a associação dos níveis de 25 (OH) D entre 75 e < 87,5 nmol/L.

Nesses níveis, eles observaram um risco relativo 19% menor de câncer colorretal. Para os participantes com níveis circulantes de 25 (OH) D entre 75 e < 100 nmol/L, o risco relativo de câncer colorretal foi 22% menor em comparação com os participantes com níveis circulantes mais baixos de 25 (OH) D considerados inadequados para a saúde óssea.

Os participantes com níveis de 25 (OH) D de 100 nmol/L ou mais não tiveram mais proteção contra o risco de câncer colorretal, observam os autores.

“Em modelos contínuos, cada aumento de 25 nmol/L de 25 (OH) D circulante foi associado a um risco estatístico significativamente menor de câncer colorretal em mulheres e homens combinados”, observam os pesquisadores. A redução do risco relativo foi de 13%.

Nas mulheres, essa redução de risco foi ligeiramente acima de 19%. No entanto, entre os homens, não foi mais significativo, com uma redução do risco relativo de apenas 7%, acrescentam.

Associações protetoras com níveis circulantes mais altos de 25 (OH) D foram observadas em todos os subgrupos.

“Em resumo, ao demonstrar uma associação inversa forte, estatisticamente significativa, e robusta entre o pré-diagnóstico dos níveis circulantes de vitamina D e o risco de câncer colorretal, reforçamos substancialmente as evidências, anteriormente consideradas inconclusivas, de uma relação causal entre os níveis circulantes de 25 (OH) D e o câncer colorretal”, afirmam os pesquisadores.

“Nosso estudo sugere que as concentrações circulantes ideais de 25 (OH) D para redução do risco de câncer colorretal são de 75 a 100 nmol/L, acima das atuais recomendações do Institute of Medicine para a saúde óssea”, concluem os pesquisadores.

Uso de suplementos não é recomendado

Indagada sobre se todos devem tomar suplementos de vitamina D para assegurar que os níveis de 25 (OH) D alcancem a faixa ideal para proteger contra o câncer colorretal, Marjorie disse que não recomenda suplementos de vitamina D para a maioria das pessoas porque a maior parte delas já tem níveis circulantes suficientes de vitamina D.

“Em nossa população, apenas cerca de 8% dos participantes tinham deficiência de vitamina D, e nos EUA, esse número é de apenas 7%, de modo que, felizmente, muitas pessoas não têm deficiência, e não é difícil sair da deficiência”, explicou.

A vitamina D pode ser encontrada naturalmente em alimentos como salmão e atum, e especialmente no leite, inclusive no leite de soja e no leite de amêndoas, bem como em alguns iogurtes enriquecidos com vitamina D.

“Pessoas que vivem em climas ensolarados, ou mesmo aquelas que vivem em climas quentes durante o verão, naturalmente têm níveis séricos mais altos de vitamina D, porque a pele é muito eficiente em estimular a formação de vitamina D”, acrescentou Marjorie.

O risco de deficiência de vitamina D é maior entre as pessoas de pele muito escura; entre adultos mais velhos, cuja pele pode não ser tão eficiente na síntese da vitamina D; e entre aqueles que não saem ao ar livre.

Essas pessoas podem ser a exceção e precisar de complementação, especialmente se não estiverem ingerindo alimentos enriquecidos, sugeriu a pesquisadora.

“Futuramente, comitês terão de rever todas as evidências relacionadas com os valores diários recomendados, a fim de determinar se algumas pessoas precisarão de mais vitamina D ou não para alcançar níveis suficientes”, disse ela.

“No entanto, o nível de ingestão tolerável de vitamina D é de 4000 UI por dia, e não é recomendado que as pessoas ultrapassem esse nível, porque níveis muito altos de vitamina D podem ser tóxicos”, advertiu.

Este estudo foi financiado por National Heart, Blood, and Lung Institute e National Cancer Institute Intramural Research Program. A Dra. Marjorie McCullough revelou não possuir conflitos de interesses relevantes.

J Natl Cancer Inst. Publicado on-line em 14 de junho de 2018. Resumo

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