Erros relacionados a inalador comuns entre profissionais de saúde

Jennifer Garcia

Notificação

9 de julho de 2018

Profissionais de saúde  não possuem o conhecimento apropriado em relação à técnica correta de uso de inaladores, de acordo com uma revisão sistemática publicada na edição de maio/junho do Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice. A falta de conhecimento pode levar à ineficácia do tratamento quando profissionais de saúde ensinam aos pacientes como utilizar inaladores pressurizados dosimetrados ou inaladores de pó seco para o tratamento de doenças respiratórias.

“Estes resultados salientam a necessidade urgente de se criar estratégias eficazes para melhorar o treinamento dos profissionais de saúde em relação ao uso apropriado de inaladores,” escrevem o autor principal Dr. Vicente Plaza, do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, em Barcelona, na Espanha, e seus colegas.

Os autores revisaram estudos que analisaram técnica de uso de inaladores entre profissionais de saúde publicados entre janeiro de 1975 e dezembro de 2014. Foram identificados 404 estudos, dos quais 55 preenchiam os critérios de inclusão e foram incluídos na análise. Estes incluiram dados de 6.034 profissionais de saúde através de uma variedade de disciplinas, totalizando 9.993 testes da técnica do uso de inaladores realizados.

De modo geral, a técnica de uso de inaladores foi considerada correta em apenas 15,5% dos casos (intervalo de confidência de 95%: 12% - 19,3%). Além disso, a proporção caiu significativamente desde o período inicial do estudo (definido como anos entre 1975 a 1995) para a parte final (1996 a 2014), passando de 20,5% (CI 95%: 14,9% - 26,8%) para 10,8% (CI 95%: 7,3% - 14,8%).

Além disso, os autores observaram que dois dos erros mais comuns (falta de coordenação e inalação rápida forçada) foram considerados erros críticos baseados em achados de estudos prévios devido a “sua associação com descontrole da asma e/ou aumento nas taxas de exacerbação.”

Quando comparado com um estudo prévio avaliando técnica de uso de inaladores entre 54.354 pacientes, Dr. Plaza e seus colegas notam que “os profissionais de saúde realizaram a técnica de forma correta apenas metade das vezes daquelas dos pacientes (15,5% vs. 31%, respectivamente)” e que a taxa média de erro de técnica através de vários dispositivos “foram notavelmente maior entre profissionais de saúde e taxas semelhantes seriam esperadas de um indivíduo nunca tratado, usando o dispositivo pela primeira vez.

Os autores do estudo reconhecem como potenciais limitações do estudo a heterogeneidade dos grupos de estudo e a incapacidade de avaliar de forma apropriada os risco de viés através de todos os estudos.

“O treinamento e a educação dos pacientes no uso de inaladores é uma parte essencial das tarefas dos profissionais de saúde envolvidos no tratamento de pacientes com doenças respiratórias crônicas, incluindo médicos, terapeutas respiratórios, enfermeiros e farmacêuticos,” escrevem Dr. Plaza e seus colegas.

“É possível que programas educacionais específicos e — elemento essencial —repetidos direcionados a profissionais de saúde de acordo com suas necessidades podem melhorar sua técnica de uso de inaladores ente estes profissionais, levando assim a maior sucesso na instrução dos pacientes na técnica correta,” eles concluem.

Este estudo não recebeu patrocínio. Os autores não relatam relações financeiras relevantes.

J Allergy Clin Immunol Pract. 2018;6:987-995. Resumo

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