COMENTÁRIO

Dietas radicais: modismos e fatos

Steven Rourke;  Revisados pela Anya Romanowski, MS, RD

Notificação

12 de julho de 2018

A dieta de Sylvester Graham

O pastor presbiteriano Sylvester Graham (1794-1851) considerava a alimentação da mesma maneira que uma educação moral, combinando suas estritas crenças religiosas aos temas comuns do movimento da temperança do século XIX.[1,2,3,4,5] Os princípios nutricionais de Graham provinham de sua interpretação dos Dez Mandamentos[2] e o pastor encarava o estômago como "o ministro que ajuda o seu corpo".[1]

A dieta de Graham, lançada no final da década de 20 do século XIX, é considerada por alguns como a primeira "dieta da moda".[4] Ela apregoava contra a "supervalorização" de alguns alimentos – especificamente pães brancos refinados e carnes, que Graham acreditava serem a causa do comportamento imoral, da gula e da promiscuidade.[2] Ele propôs uma dieta vegetariana simples; substituir a carne pelo trigo[5]; e criou um pão integral rústico chamado de "pão de Graham"[6], que acabou originando os biscoitos com o mesmo nome.[2,3,4,5]

Graham viajou por todos os Estados Unidos e foi um escritor prolífico na promoção das próprias crenças. Seus pensamentos radicais o tornaram uma figura ridícula e também um homem famoso, que inspirou futuros criadores de dietas (ou "Grahamites"[5]), como John Harvey Kellogg.[4]

Apesar de afirmar que poderia prolongar a vida até os 100 anos, Graham morreu aos 57[2,4]. Entre seus legados, ele é considerado um dos fundadores do movimento vegetariano nos Estados Unidos.[3,4]

Fletcherismo

O "charmoso professor"[7] Horace Fletcher (1849-1919), também conhecido como "o Grande Mastigador"[1,8] foi um rico empresário e especialista autoproclamado em nutrição cuja dieta tornou-se um acontecimento social na virada do século XX.[1,7,8,9]

De acordo com Fletcher os alimentos – a serem comidos apenas quando uma pessoa estiver "bem e com fome" necessitavam de mastigação prolongada para evitar "a intensa putrefação" no intestino e promover a perda de peso.[1] Os alimentos que tornavam-se líquidos na boca após 100 a 700 mastigações deviam ser engolidos, enquanto os sólidos deviam ser cuspidos.[1] E, embora a dieta não restringisse nenhum tipo de alimentos[8], o próprio Fletcher foi atraído para o vegetarianismo[7] (talvez sem surpresa, com tanta mastigação).

Fletcher foi levado a sério tanto pelos médicos britânicos quanto pelos médicos americanos, e teve um público repleto de estrelas, que incluía John Rockefeller e Franz Kafka.[1] No entanto, na década de 1920, o fletcherismo caiu em desgraça, talvez pela pressão da demora, do tédio, e pelo fato do regime provocar constipação intestinal extrema.[7] Após cinco anos fazendo a dieta, Henry James, um entusiasta inicial, disse ter desenvolvido uma "aversão malsã por alimentos".[1]

Como uma nota de rodapé curiosa, um pequeno estudo recente utilizando a eletromiografia para monitorar a mastigação mostrou que "o aumento da mastigação reduziu a ingestão de alimentos".[9]

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