Novos sistemas podem expandir campo de ‘circuito fechado híbrido’ no diabetes

Miriam E. Tucker

Notificação

4 de julho de 2018

ORLANDO, EUA — Três novos sistemas de administração de insulina "em circuito fechado híbrido" são promissores para melhorar os níveis de glicemia sérica em pessoas com diabetes tipo 1.

Os resultados para os três sistemas – o sistema de circuito fechado híbrido Omnipod (Insulet) livre de canulação (Horizon Automated Glucose Control System), o sistema com inteligência artificial Diabeloop DBLG1, e o sistema de dois hormônios – foram apresentados em 24 de junho nas Sessões Científicas da American Diabetes Association (ADA) 2018.

Circuito fechado híbrido se refere a sistemas que combinam bombas de insulina, monitores contínuos de glicose (MCGs) e um algoritmo que permite que os dois dispositivos interajam para que a bomba ajuste a distribuição de insulina com base nas leituras do MCG. Mas eles são chamados de híbridos porque, até o momento, esses sistemas não podem responder de forma totalmente automática aos picos de glicose pós-prandial, ou evitar todos os episódios de hipoglicemia. O termo pâncreas artificial também é usado vagamente para se referir a esses sistemas.

Os novos dados foram discutidos durante uma coletiva de imprensa moderada pelo Dr. Irl B. Hirsch, da University of Washington, de Seattle (EUA).

"Do meu ponto de vista, todos esses são avanços muito interessantes na tecnologia do diabetes, especialmente para pessoas com diabetes tipo 1", comentou ele.

No entanto, o especialista também abordou a preocupação comum de que essas tecnologias possam levar muito tempo para atingir a maioria dos pacientes com diabetes tipo 1.

"Me preocupo com isso quando vejo meus próprios pacientes", disse o Dr. Hirsch, observando que apenas 30% dos pacientes com diabetes tipo 1 nos Estados Unidos usam bombas de insulina, e mesmo nos principais centros de diabetes, apenas 29% estão usando MCGs.

"Sem sequer considerar os custos, há a necessidade de infraestrutura e consultórios para treinamento e acompanhamento. Como podemos melhorar o acesso a essas ferramentas importantes para nossos pacientes que mais precisam delas? "

Mas o Dr. Hirsch também observou que 80% dos pacientes em sua clínica agora estão usando MCGs. A razão principal, disse ele, tem sido o reembolso muito melhor e, principalmente, a decisão do Medicare, em 2017, de cobrir MCGs.

E o programa Medicaid do estado de Washington – já no início deste ano – cobre os MCGs Dexcom e Freestyle Libre para todas as idades, enquanto anteriormente havia cobertura apenas para pacientes pediátricos.

"Então, acho que enquanto o reembolso continuar a ocorrer, vamos ver aumentos", disse ele.

Protótipo Omnipod tem bom desempenho em adultos em condições reais

Primeiro foi apresentado um estudo de viabilidade de cinco dias de um sistema de circuito fechado híbrido, usando o algoritmo de controle preditivo personalizado do Omnipod, em 11 adultos com diabetes tipo 1 que usavam o sistema enquanto permaneciam em um hotel com refeições sem restrições e exercícios diários de intensidade moderada, relatou o Dr. Bruce Buckingham, endocrinologista pediátrico da Stanford University, Califórnia (EUA).

Em comparação com sete dias de uso de bomba em circuito aberto e uso de CGM separados, a média geral de glicemia melhorou de 156 para 150 mg/dl (p = 0,46), com uma diminuição no tempo abaixo de um nível de glicose de 70 mg/dl de 5,1% para 1,9% (p = 0,001), e tempo acima de 180 mg/dl de 8,5% para 4,5% (p = 0,01).

Os resultados durante a noite foram semelhantes, com o tempo abaixo de 70 mg/dl reduzido de 5,7% para apenas 0,7%.

O tempo na faixa-alvo de glicemia (70 a 180 mg/dl) foi 11,2% maior no geral, e 13,2% maior durante a noite com o circuito fechado híbrido em relação ao tratamento padrão. A hipoglicemia foi reduzida em 3,2% no geral e em 5% durante a noite.

"Estudos adicionais de longo prazo avaliarão o algoritmo de controle preditivo do Omnipod sob condições reais de vida com uso prolongado em pacientes com diabetes tipo 1 de todas as idades. O algoritmo está em aperfeiçoamento contínuo", disse o Dr. Buckingham.

Circuito fechado híbrido francês pode alcançar mercado europeu em breve

Em seguida, a Dra. Sylvia Franc, do Sud-Francilien Hospital, Corbeil-Essonnes (França), apresentou dados para o sistema de circuito fechado Diabeloop DBLG1, que usa inteligência artificial para "automatizar com segurança as decisões de administração de insulina".

O sistema personalizável permite configurações de algoritmo personalizadas para alvos, refeições, atividade física e eventos especiais, e tem opção de telemedicina.

Em um estudo anterior apresentado no encontro da ADA do ano passado, o sistema teve um bom desempenho em "situações difíceis", como refeições pesadas, triplicando o tempo na faixa-alvo de glicose (70 a 180 mg/dl) durante a noite.

O estudo atual envolveu 67 pacientes, 33 usando o Diabeloop e 34 a bomba usual e o MCG (circuito aberto) durante 12 semanas, em condições reais. O tempo na faixa-alvo foi de 69,3% com o circuito fechado híbrido em relação a 56,6% com circuito aberto (p < 0,0001). O tempo abaixo de 70 mg/dl foi de 2% em relação a 4,5%, respectivamente, no geral (p < 0,001), e de 1,3% em relação a 3,9% durante a noite (p < 0,0001).

A glicemia média caiu de 168,5 para 156,0 mg/dl (p = 0,012).

Os pacientes ficaram muito entusiasmados com o sistema, disse a Dra. Sylvia.

Um deles disse a ela: "Um grande obrigado da minha família que finalmente conseguiu dormir em paz". Outro disse: "Mudou a vida da minha família e a minha... Um momento de pura felicidade! "

O sistema foi submetido a uma marca de conformidade europeia e espera-se uma decisão muito em breve, contou a Dra. Sylvia ao Medscape.

Pramlintide age nos picos de glicose pós-refeição

Por fim, Ahmad Haidar, da McGill University, em Montreal (Canadá), apresentou os resultados de um sistema de circuito fechado híbrido com dois hormônios que usa insulina e pramlintide, um análogo de amilina, um hormônio que é perdido no diabetes tipo 1 juntamente com a insulina.

O pramlintide retarda o esvaziamento gástrico, suprime a secreção de glucagon e promove saciedade. Vendido como injetável sob a marca Symlin (AstraZeneca), o pramlintide foi aprovado há cerca de uma década tanto para diabetes tipo 1 quanto tipo 2.

Haidar e colaboradores argumentaram que a combinação de pramlintide com insulina em um sistema de administração automatizado poderia superar o problema de excursões de insulina pós-prandial que persistem na maioria dos sistemas de administração automatizados devido ao atraso na ação da insulina infundida por via subcutânea.

Em um estudo randomizado cruzado, 12 adultos com diabetes tipo 1 usaram um sistema diferente por três períodos de 24 horas: primeiro uma bomba com insulina regular mais pâncreas artificial de pramlintide, seguida por insulina rápida mais pâncreas artificial de pramlintide e, finalmente, um pâncreas artificial apenas com insulina rápida.

Bombas separadas foram usadas para administrar insulina e pramlintide, que foram usados em uma proporção fixa (como se fossem coformuladas). Os participantes consumiram três refeições e um lanche antes de dormir em um centro de pesquisa clínica.

O tempo com medidas entre 70 e 180 mg/dl foi de 86% com a insulina rápida mais pramlintide, em comparação com 74% com insulina rápida isoladamente (p = 0,001), e 68% com insulina regular e pramlintide (p = 0,36). Os níveis médios de glicemia foram de 133 mg/dl em relação a 142 mg/dl (p = 0,01) e 142 mg/dl (p = 0,79), respectivamente.

Sistema triplo de hormônios? Seria "incrível"

Durante o período de perguntas e respostas, Haidar disse que os futuros planos de pesquisa são testar um sistema triplo de hormônios que inclua insulina, pramlintide e glucagon como um resgate de hipoglicemia.

"Esperamos que as empresas analisem nossos dados e desenvolvam uma coformulação de insulina e pramlintide", disse Haider ao Medscape.

Questionado pelo Medscape quanto à opinião sobre um possível sistema de hormônio triplo, o Dr. Buckingham, que fez uma extensa pesquisa sobre vários tipos de sistemas de circuito fechado, disse: "Eu acho que é realmente animador. Você poderia realmente diminuir o aumento da glicemia com a refeição, e poderia ser um pouco mais agressivo com a insulina, porque teria o glucagon para suporte. Você pode ficar sem contagem de carboidratos e um sistema de circuito fechado completo. Seria realmente incrível".

Mas sistemas que se comuniquem uns com os outros são necessários

No entanto, Hirsch também observou que o surgimento de sistemas de circuito fechado exclusivos levanta problemas de interoperabilidade.

"Acho que um dos nossos objetivos é tornar as coisas intercambiáveis. Atualmente temos um problema porque para cada sistema é necessário conhecer o funcionamento... E um problema ainda maior é o upload". Vários sistemas, incluindo Tidepool e Glooko, foram desenvolvidos para resolver isso e continuam a ser atualizados, destacou Hirsch.

Mas ele acrescentou: "Precisamos fazer um trabalho melhor de padronizar o campo de atuação, para que esses sistemas possam se comunicar entre si, não apenas para o paciente, mas para os profissionais".

Dr. Hirsch é consultor para Abbott, ADOCIA, Bigfoot Biomedical e Roche Diabetes Care Health and Digital Solutions. Ele recebeu apoio de pesquisa de Medtronic MiniMed. O Dr. Buckingham está no conselho consultivo para ConvaTec e Novo Nordisk, é consultor para Becton, Dickinson and Company e Tandem Diabetes Care, e recebeu apoio de pesquisa de Dexcom, Insulet, Medtronic e Tandem Diabetes Care. A Dra. Sylvia é consultora de Animas Corporation, Johnson & Johnson DiabetesInstitute e Roche Diabetes Care Health and Digital Solutions. Haidar é consultor de Eli Lilly e recebe apoio de pesquisa de AgaMatrix e Medtronic MiniMed.

Sessões científicas da American Diabetes Association 2018. 22 de junho de 2018; Orlando, Flórida. Resumo 207-OR, 208-OR, 210-OR.

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