ORLANDO, EUA — Pacientes com diabetes tipo 1 que usaram o sistema de monitoramento contínuo de glicose (MCG) Guardian Connect e o aplicativo Sugar.IQ (ambos da Medtronic) melhoraram o controle glicêmico em um pequeno estudo-piloto de curta duração.
No geral, os pacientes aumentaram o tempo na faixa normal de glicemia em 30 minutos por dia, disse Huzefa Neemuchwala, chefe de inovação, dados e informática do Medtronic Diabetes Group, em Northridge, Califórnia, durante uma apresentação oral nas Sessões Científicas da American Diabetes Association (ADA) 2018.
Conforme relatado anteriormente, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou o MCG autônomo Guardian Connect em março. O Guardian Connect não tem um receptor, e é o primeiro CGM lançado nos Estados Unidos a ter a tela do smartphone como a única opção para a visualização dos dados.
A empresa acaba de iniciar o envio do novo MCG junto com o aplicativo Sugar.IQ (que é gratuito com o MCG e funciona em um iPhone). O aplicativo, desenvolvido por meio de uma parceria com a Watson, usará a tecnologia de inteligência artificial para extrair dados do Guardian Connect e combiná-los com informações adicionais.
"O sensor Guardian Connect envia seus dados para a nuvem, onde nós os processamos, e o aplicativo Sugar.IQ dá as informações de volta para o paciente", disse Neemuchwala ao Medscape.
O sistema foi projetado para ajudar os pacientes que precisam usar múltiplas injeções diárias de insulina, acrescentou Pamela Reese, diretora de comunicação global e marketing corporativo do Medtronic Diabetes Group.
O aplicativo analisa continuamente como os níveis de glicose de um indivíduo respondem a ingestão de alimentos, doses de insulina, rotinas diárias e outros fatores, por isso revela padrões que podem ajudar os diabéticos a manterem os níveis de glicose na faixa alvo.
"Acho que é o futuro", disse ao Medscape o coordenador da sessão, Dr. Anders L. Carlson, diretor-médico do International Diabetes Center, e professor-assistente da University of Minnesota Medical School, em Minneapolis (EUA).
Todo mundo eventualmente migrará para mais aplicativos baseados em smartphones e vai querer usar aplicativos para tratar o próprio diabetes, disse ele.
No entanto, "ainda há um grande papel para educação e trabalho com a equipe de saúde. Talvez seja prudente usar isso como uma ferramenta para complementar a equipe tradicional de diabetes, em vez de substituí-la completamente", advertiu ele.
Além disso, nem todos com diabetes usam o MCG, destacou ele, mas ferramentas como esta "podem ajudar as pessoas a usarem o MCG de uma maneira mais produtiva ou mais significativa".
"Acho que muitos pacientes vão dizer 'Então, e se eu tiver meu nível de glicemia sérica a cada cinco minutos? O que eu faço com a informação?'"
Agora essa ferramenta fornece "novas formas de ver os dados da glicemia e novas estratégias para reagirmos a eles".
Menos eventos de hiperglicemia e hipoglicemia com o Sugar.IQ
O MCG e o aplicativo inteligente ajudam os pacientes a identificar padrões – alimentos que causam picos de glicemia, ou certos dias ou horários da semana em que a glicose aumenta ou diminui – para eles possam fazer pequenos ajustes nas injeções de insulina, explicou Neemuchwala.
O sistema também pode alertar o paciente de 10 a 60 minutos antes de prever um nível baixo ou alto de glicose, para que ele possa tomar uma ação preventiva.
No estudo-piloto, 256 pacientes com diabetes tipo 1 foram convidados a testar o novo sistema por 90 dias.
Os pesquisadores compararam então o tempo passado no intervalo alvo de glicemia (70-180 mg/dl) nos 30 dias antes do estudo aos tempos obtidos 90 dias após o uso do novo sistema. Os pacientes usaram o aplicativo Sugar.IQ duas vezes ao dia.
Em comparação com o basal, os pacientes passaram 33 minutos a mais por dia na faixa de glicose alvo (p < 0,15) e a hipoglicemia foi reduzida em um evento por mês (p < 0,001) durante o uso do aplicativo.
Uma semana depois de receber informações associadas à hipoglicemia, 55% e 54% dos usuários tiveram menos eventos hipoglicêmicos e hiperglicêmicos, respectivamente.
"As informações oportunas e personalizadas, como as fornecidas durante o piloto Sugar.IQ, podem promover a compreensão do paciente sobre as tendências da glicose, ajudar na mudança comportamental que melhora a adesão à terapia, e levar a melhores resultados", relatam os pesquisadores.
A empresa está procurando disponibilizar o aplicativo para o sistema operacional Android, e incorporar mais fontes de dados, "o que poderia incluir rastreadores vestíveis de atividades, balanças digitais, dados de localização geográfica, detalhes do calendário, e até mesmo clima", disse Reese. Eles também planejam lançar um sistema que combina uma bomba de insulina com um aplicativo inteligente.
O estudo foi financiado por Medtronic. Dr. Carlson foi membro de conselhos consultivos para Insulet e Sanofi, consultor para Merck e recebeu apoio de pesquisa de Medtronic e Novo Nordisk.
Sessões Científicas da American Diabetes Association 2018. 22 de junho 2018; Orlando, Flórida. Resumo 16-OR.
Citar este artigo: Teste do aplicativo Sugar.IQ para diabetes em condições reais é animador - Medscape - 4 de julho de 2018.
Comente