COMENTÁRIO

ASCO 2018: os estudos de destaque no tratamento de tumores colorretais

Dr. Fernando Meton; Dr. Alexandre Palladino, Dra. Daniella Pezzutti

Notificação

9 de agosto de 2018

Colaboração Editorial

Medscape &

Dr. Fernando Meton: Olá, meu nome é Fernando Meton, sou médico do Américas Oncologia. Estamos aqui diretamente de Chicago, na ASCO 2018 para o Medscape em português. Hoje vamos falar sobre tumores colorretais. Estou aqui com meus dois colegas, Dr. Alexandre Palladino e Dra. Daniella Pezzutti, para comentar um pouquinho dos trabalhos apresentados no congresso. Vamos começar com o Dr. Alexandre Palladino. Quais as novidades que assistimos sobre tumores de reto hoje?

Dr. Alexandre Palladino: Bem, Fernando, o tratamento considerado padrão nos pacientes com tumor de reto localmente avançado, reto inferior e reto médio, é radioterapia pré-operatória concomitante com quimioterapia como monodroga com fluoropirimidina. Muitas estratégias vêm sendo avaliadas para tentar melhorar o resultado desses pacientes. Nessa ASCO tivemos três estudos que avaliaram a incorporação de oxaliplatina no tratamento de pacientes com tumor de reto localmente avançado. Dois desses estudos avaliaram a introdução da oxaliplatina concomitante com radioterapia no pré-operatório. Na verdade, foi uma atualização de dados dos estudos PETACC-6 e do FOWARC. Ambos estudos não demonstraram benefício com a associação de oxaliplatina neste cenário. Vale colocar que o estudo FOWARC tinha um braço no qual os pacientes eram tratados apenas com quimioterapia com o esquema FOLFOX (fluorouracil e oxaliplatina), e esse braço mostrou um resultado semelhante ao tratamento convencional, com radioterapia combinada com fluoropirimidina como monodroga. Isso não muda ainda a nossa conduta, mas nos faz pensar na possibilidade de evitar a radioterapia no pré-operatório, se tivermos um esquema de quimioterapia mais ativo, como por exemplo, o FOLFOX. Um terceiro estudo interessante foi o ADORE, que também avaliou a introdução de oxaliplatina, mas em um outro momento do tratamento desses pacientes, ou seja, no pós-operatório. Os pacientes eram tratados com quimioterapia e radioterapia convencional, com fluoropirimidina como monodroga, e iam para cirurgia. Aqueles pacientes que tinham doença residual no pós-operatório eram randomizados para fazer um tratamento com fluorouracil e leucovorin, ou então, com essas drogas associadas à oxaliplatina. Esse estudo mostrou, sim, um benefício com a adição da oxaliplatina neste momento do tratamento dos pacientes.

Dr. Fernando Meton: É, de fato, a oxaliplatina na adjuvância já é uma prática clínica, e esse estudo veio corroborar esses dados. E na neoadjuvância, realmente, até agora não tivemos um resultado interessante com aumento de toxicidade. Daniella, em relação ao cenário metastático, que a gente teve de novidade no congresso?

Dra. Daniella Pezzutti: Foram vários estudos apresentados, mas são dois os que eu achei que vale a pena discutirmos aqui. Um, na verdade, é uma dúvida que a gente sempre tem: qual o papel da quimioterapia hipertérmica em associação à citorredução em pacientes com carcinomatose peritoneal? Um estudo que mostrou isso foi o PRODIGY 7, um estudo francês, uma colaboração de vários centros, que avaliou pacientes submetidos a uma citorredução ótima, dentre os quais um grupo recebia HIPEC com oxaliplatina e o outro grupo seguia com quimioterapia. E a avaliação final do estudo mostra que a sobrevida global entre os dois grupos foi exatamente igual, 41,2 versus 41,7. Já no endpoint secundário, que era sobrevida livre de recidiva, parece ter uma tendência para o grupo que recebeu a HIPEC, que foi de 13 versus 11 no grupo que não recebeu, mas essa diferença não foi estaticamente significativa. E aí a conclusão é que a gente ainda não tem, baseado nesse estudo, um dado para propor HIPEC para esses pacientes. O outro estudo que eu achei interessante foi um estudo que avaliou como fazer a terapia de manutenção com anti-EGFR. Nele, todos os pacientes do estudo recebiam FOLFOX com panitumumabe, e eram randomizados de modo que um grupo fazia manutenção com panitumumab em monoterapia, e o outro grupo era randomizado a receber panitumumab mais 5-fluorascil, parando depois de 8 ciclos do FOLFOX de indução. E o desfecho final mostrou um ganho para aqueles pacientes que receberam a combinação. Acho que esse estudo não nos fala se fazer a quimioterapia de indução é melhor do que continuar a quimio, mas nos fala que se formos fazer isso, devemos fazê-lo mantendo o 5-fluorascil.

Dr. Fernando Meton: E fica como uma opção de toxicidade, interromper o protocolo e seguir em uma manutenção, na fase de manutenção com anti-EGFR e fluoropirimidina. Bom, obrigado e até a próxima.

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