Teste genético identifica melhor antidepressivo

Megan Brooks

Notificação

25 de mai de 2018

NOVA YORK — Pacientes com transtorno depressivo maior (TDM) nos quais a terapia antidepressiva inicial falha, apresentam resultado melhor quando a seleção de medicação é guiada por teste farmacogenômico, de acordo com os resultados do maior estudo clínico de farmacogenômica em depressão.

No estudo, os pacientes com TDM resistente ao tratamento apresentaram uma probabilidade 30% maior de responder ao tratamento e 50% maior de alcançar a remissão quando a seleção da medicação foi guiada pelo teste genético psicotrópico GeneSight (Myriad Genetics).

O estudo foi apresentado no Encontro Anual de 2018 da American Psychiatric Association (APA).

Prescrição precisa

Atualmente, a prescrição por tentativa e erro de antidepressivos para TDM é um fator que contribui para o insucesso do tratamento e aumenta os custos. A farmacogenômica combinatória pode melhorar os resultados identificando medicamentos que, por razões genéticas, serão menos eficazes, podem levar a mais eventos adversos, e que podem exigir troca, disse ao Medscape o pesquisador principal, Dr. John Greden.

O teste GeneSight combina dados genéticos pessoais com informações médicas sobre medicamentos para encurtar o caminho para a recuperação. A informação envolve 12 genes e 56 medicações. Amostras de DNA são coletadas com swabs da cavidade oral, e são enviadas para um laboratório. Os resultados estão disponíveis em 36 horas na forma de um gráfico codificado por cores listando as drogas com interações gene-droga significativas (vermelho), aquelas com interações gene-droga moderadas (amarelo) e aquelas que não estão associadas a quaisquer problemas genéticos conhecidos (verde) para o paciente.

Este teste pode ajudar a poupar o médico e o paciente de "passarem por semanas" de testes com um antidepressivo apenas para fracassar, disse Dr. Greden, diretor-executivo do Centro de Depressão da University of Michigan, em Ann Arbor (EUA).

"Temos usado o teste em nosso centro de depressão, assim como vários centros, especialmente em pacientes que falharam em uma tentativa com antidepressivo. No meu caso, eu o uso rotineiramente para qualquer pessoa que esteja atendendo na primeira consulta porque recebo pacientes encaminhados, que são mais difíceis de tratar, e eu quero saber por que eles falharam com outros medicamentos, então esta é uma informação valiosa", acrescentou o Dr. Greden.

O estudo incluiu 1167 pacientes ambulatoriais que apresentavam depressão com resistência ao tratamento, de moderada a muito grave, e não tiveram resposta a pelo menos um medicamento antidepressivo. A maioria dos pacientes apresentou pelo menos três falhas no tratamento. A média de idade dos pacientes foi de 47,5 anos, 71% eram mulheres e a maioria era branca (81%). Na triagem e no início do estudo os pacientes tiveram uma pontuação de 11 ou maior no Quick Inventory of Depressive Symptomatology com 16 itens.

Os pacientes foram divididos em dois grupos. Em um grupo, os médicos usaram os resultados do teste GeneSight para orientar as decisões de tratamento (braço de tratamento guiado, n = 560). No outro grupo, os médicos prescreveram a medicação como fariam normalmente, sem o benefício do teste genético (braço de tratamento usual, n = 607). A avaliação primária foi a escala de depressão de Hamilton (HAM-D17). Os pacientes foram avaliados no início e com quatro, oito, 12 e 24 semanas.

Com oito semanas, foi observada melhora dos sintomas (redução na pontuação HAM-D17) no braço de tratamento guiado pelo GeneSight em relação ao braço de tratamento usual, mas ela não foi significativa. Melhoras nas taxas de resposta (redução de 50% na HAM-D17 em relação ao início do estudo) e remissão (pontuação HAM-D17 < 7) foram significativamente maiores no braço de tratamento guiado pelo GeneSight.

Tabela 1. Resultados com oito semanas por braço de tratamento

Desfecho Tratamento usual Tratamento guiado Valor de P
Melhora dos sintomas 24,4% 27,2% 0,11
Resposta 19,9% 26,0% 0,01
Remissão 10,1% 15,3% 0,007

As taxas de resposta e remissão continuaram a melhorar no braço de tratamento guiado pelo GeneSight até a semana 24, assim como a melhora dos sintomas, demonstrando a durabilidade em longo prazo dos resultados, relatam os pesquisadores.

A maior utilidade potencial do teste é para pacientes que tomam medicamentos geneticamente incongruentes. Neste estudo, entre os 213 pacientes que usavam medicações incongruentes no início do estudo, todos os desfechos foram significativamente melhorados entre aqueles que mudaram para medicações congruentes na semana 8, em comparação com aqueles que continuaram tomando medicações incongruentes, como mostrado na Tabela 2.

Tabela 2. Resultados na semana oito, medicações congruentes em relação a incongruentes

Desfecho Incongruente Congruente Valor de P
Melhora dos sintomas 21,1% 33,5% 0,002
Resposta 16,7% 28,5% 0,04
Remissão 8,5% 21,5% 0,007

"Alcançar resposta e remissão são os objetivos finais do tratamento de pacientes com depressão", disse o Dr. Greden em um comunicado à imprensa. "Estes resultados demonstram a promessa de uma abordagem farmacogenômica para ajudar a melhorar as taxas de resposta e a remissão de curto e longo prazo em adultos deprimidos em comparação com as abordagens usuais dos clínicos para a seleção da medicação".

Progresso animador

Comentando os resultados para o Medscape o Dr. James Murrough, diretor do Programa de Transtornos de Humor e Ansiedade da Icahn School of Medicine no Mount Sinai, em Nova York, disse que as descobertas são "animadoras".

"O uso de testes genéticos para ajudar a determinar o tratamento antidepressivo para os pacientes é algo em que o campo vem trabalhando há tempos. Não é considerada a conduta padrão atualmente, então este estudo realmente contribui significativamente ao campo, e pode trazer um verdadeiro impacto no tratamento clínico", disse o Dr. Murrough.

Este estudo realmente contribui significativamente ao campo e pode trazer um verdadeiro impacto no tratamento clínico. Dr. James Murrough

"Este é o primeiro estudo em grande escala que eu conheço que avaliou se o tratamento guiado por testes farmacogenéticos realmente produziu resultados superiores em comparação com o tratamento usual, por isso é um estudo importante", disse ele.

"Neste momento, há muitas evidências de eficácia de drogas que estão na classe dos ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) ou dos IRSN (inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina). Elas são consideradas drogas de primeira-linha para depressão maior, e aproximadamente 50% dos pacientes irá responder a esse primeiro tratamento", observou Dr. Murrough.

"Para os outros 50% que não respondem aos medicamentos mais eficazes ou aos tratamentos de primeira-linha mais recomendados que temos, os clínicos se perguntam o que podem fazer. É o momento em que vão começar a procurar por um biomarcador ou teste genético para ajudar a orientar a tomada de decisões", disse ele.

"Depois que alguém não responde a um ISRS ou ISRN de primeira-linha, não há muita informação para orientar o clínico na próxima etapa. É aí que está a necessidade. Então, é aí que eu consigo imaginar essa tecnologia começando a ser utilizada", disse Dr. Murrough.

De acordo com a empresa, 30.000 médicos nos Estados Unidos estão usando atualmente o teste GeneSight. Ele foi usado para o tratamento de mais de 700.000 pacientes.

O estudo foi financiado por Myriad Genetics. O Dr. Greden é consultor não remunerado de Assurex Health, uma subsidiária da Myriad Genetics. O Dr. Murrough não declarou conflitos de interesses relevantes.

American Psychiatric Association (APA) 2018. Pôster P5-110, apresentado em 7 de maio de 2018.

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