Pokémon Go pode melhorar saúde física e mental

Megan Brooks

Notificação

18 de mai de 2018

Nova York — Jogar Pokémon Go foi associado ao aumento na atividade física e social, e a maior sensação de bem-estar, demonstrando o potencial do jogo com um ativador comportamental e uma ferramenta de exposição para o tratamento de problemas de saúde mental em adolescentes e adultos jovens, dizem pesquisadores do Canadá.

“Este tipo de tecnologia de gam ing pode ser utilizada como uma ferramenta de engajamento numa população historicamente difícil de aderir a tratamentos para transtornos depressivos ou de ansiedade”, disse o Dr. Michael Van Ameringen, professor do Departamento de Psiquiatria e Neurociências Comportamentais, na McMaster University, em Hamilton (Canadá).

Ele apresentou o estudo em uma coletiva de imprensa durante a reunião anual da American Psychiatric Association (APA).

Andar, conversar e o bem-estar

Pokémon Go foi lançado no começo de 2016 e logo tornou-se um fenômeno, especialmente entre jovens. O jogador utiliza um aplicativo em um smartphone. Os usuários têm de andar ao ar livre para “capturar” Pokémon s utilizando os dados do GPS (Global Positioning System) e a câmera dos celulares. Os jogadores também podem ganhar ovos de Pokémon, que só podem ser chocados se eles andarem por vários quilômetros. O jogo requer tanto atividades físicas quanto sociais, com interação cara-a-cara com outros jogadores.

Embora o jogo não tenha sido criado para ser um aplicativo de saúde mental, observações anedóticas indicam que ele pode trazer benefícios.

Em sua pesquisa, Dr. Van Ameringen e equipe entrevistaram 157 pessoas que estavam jogando Pokémon Go há 13 semanas (média), durante sete horas por semana, em média. A idade média dos participantes foi de 20 anos, 57% eram brancos, 78% eram mulheres, 89% eram solteiros, e 62% eram estudantes em tempo integral.

Depois de jogar Pokémon Go, 44% disseram estar praticando mais atividade física; 13% tinham perdido peso (aproximadamente 2,4 Kg); 25% relataram maior sensação de bem-estar; e 23% relataram mudanças no próprio comportamento social.

Dentre os que disseram ter mudado o comportamento social, 85% conversaram mais com pessoas desconhecidas, 53% disseram sentir-se mais confortáveis para conversar com desconhecidos, 77% passaram mais tempo com amigos, e 41% fizeram novo amigos na vida real (amigos não-virtuais) desde que começaram a jogar.

Comparados a participantes que jogavam menos de 10 horas por semana, aqueles que jogaram por mais tempo reportaram dormir menos e gastar menos tempo com trabalho. Eles também relataram aumento da atividade física e maior sensação de bem-estar.

Em entrevista ao Medscape o Dr. Van Ameringen contou que uma das maiores dificuldades com aplicativos de saúde mental é que as pessoas os baixam, olham para eles uma ou duas vezes e depois param de usá-los.

“Se o clínico não tiver algum tipo de envolvimento com o aplicativo, as pessoas não continuam a utilizá-lo. Mas as pessoas que jogam Pokémon Go continuam engajadas no jogo, e isso sem um terapeuta. Portanto, é isso que os outros aplicativos precisam criar. Eles não conseguem manter o usuário engajado”, disse.

Combinação perfeita

A moderadora da coletiva de imprensa, Dra. Ranna Parekh, vice-diretora médica e diretora de diversidade e equidade em saúde da APA, disse que esta pesquisa “é uma combinação perfeita com o tema desta reunião anual, que é construindo o bem-estar por meio da inovação. Nunca voltarei a pensar no Pokémon Go da mesma forma.

Nunca voltarei a pensar sobre Pokémon Go da mesma forma. Dra. Ranna Parekh

 

“A tecnologia está transformando a saúde, incluindo o cuidado à saúde mental, e há milhares de aplicativos que dizem atuar na saúde mental ou comportamental”, disse a Dra. Ranna. Ela aconselha aos clínicos conferir o instrumento de avaliação de aplicativos para celular da APA “para conhecer algumas questões que os clínicos devem se perguntar antes de recomendarem qualquer aplicativo a seus pacientes”.

“Também precisamos de mais pesquisas para entender quais os impactos que a tecnologia e os aplicativos específicos têm na saúde mental. Embora o Pokémon Go não tenha sido criado especialmente para ajudar na saúde mental, há evidências de que ele influencia a saúde mental de pacientes de uma forma geral”, disse Dra. Ranna.

O Dr. Van Ameringen e a Dra. Ranna declararam não possuir nenhum conflito de interesse s relevante. A pesquisa não recebeu financiamento comercial.

American Psychiatric Association (APA) 2018. Pôster P5-154, apresentado em 6 de maio de 2018.

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