Meta-análise: diminuem as taxas de recorrência de câncer após lumpectomia

Kristin Jenkins

Notificação

16 de mai de 2018

Taxas vêm melhorando na “era moderna” do tratamento

Graças ao moderno tratamento multimodal do câncer de mama, os índices de recorrência local em cinco anos após a mastectomia caíram significativamente, tornando a cirurgia conservadora da mama uma opção para mais pacientes com câncer de mama, dizem pesquisadores.

Uma meta-análise de dados provenientes de legados dos nove ensaios realizados pela Alliance for Clinical Trials in Oncology mostra que a recidiva local em cinco anos foi de 4,2% no total de cerca de 7.000 pacientes com câncer da mama tratadas com lumpectomia, bem como com as mais modernas técnicas de tratamento sistêmico e radioterapia.

Até agora, os índices de recidiva local foram de 5% a 10% após a mastectomia. Esses números refletem os dados históricos associados ao uso dos protocolos terapêuticos mais antigos para o câncer de mama, de acordo com uma equipe de pesquisa liderada pela Dra. Heather B. Neuman, da University of Wisconsin School of Medicine and Public Health , em Madison (EUA).

A Dra. Heather apresentou os resultados do estudo em 4 de maio na 16ª reunião anual da American Society of Breast Surgeons (ASBS).

"Muitos ensaios randomizados e controlados demonstraram a equivalência de sobrevida entre a conservação da mama e a mastectomia, embora com maior índice de recorrência local após a cirurgia de conservação da mama", disse a Dra. Heather durante uma entrevista no evento.

"No entanto, os índices absolutos de recorrência local têm diminuído como resultado do tratamento multimodal. Procuramos avaliar os índices de recorrência local após a cirurgia de conservação da mama em uma coorte de pacientes recebendo o tratamento da era moderna com participantes de ensaios clínicos, e a variação dos índices de recorrência do tumor por subtipo molecular", disse a pesquisadora.

A análise mostrou que o índice de recorrência local em cinco anos após a mastectomia foi de 6,9% entre as pacientes com doença triplo negativo. Para as pacientes com doença com receptor de estrogênio negativo e HER2 positivo o índice de recorrência foi de 4,7%. Para as pacientes mais velhas com doença com receptor de estrogênio positivo e HER2 positivo, o índice de recorrência foi de 3%.

"Esses novos dados mostram claramente que a recorrência na cirurgia de conservação da mama diminuiu significativamente no geral", disse a Dra. Heather em um comunicado à imprensa.

"Além disso, na era atual da multimodalidade, o tratamento personalizado do câncer de mama estratificando o risco de recorrência por subtipo de câncer ajuda as mulheres e seus médicos a tomarem decisões mais esclarecidas. Definitivamente este estudo acrescentou novas informações importantes para as minhas conversas com as pacientes sobre os riscos e benefícios relativos da lumpectomia e da mastectomia".

Definitivamente este estudo acrescentou novas informações importantes para as minhas conversas com as pacientes sobre os riscos e benefícios relativos da lumpectomia e da mastectomia. Dra. Heather Neuman

Para a análise os pesquisadores examinaram dados de 6.927 mulheres com câncer de mama em estágio I a III participando de nove ensaios clínicos legados de 1997 a 2011. Todas as participantes fizeram cirurgia conservadora da mama, bem como tratamento sistêmico e radioterapia.

Os pesquisadores também identificaram os fatores associados ao tempo até a recorrência local. Esses fatores incluíram a idade da paciente, o tamanho do tumor, o status dos linfonodos e o subtipo molecular do tumor.

"Por causa das dificuldades na obtenção de dados, este talvez seja o único estudo examinando a relação da recorrência e do subtipo de receptor na era moderna do tratamento do câncer da mama", disse a Dra. Heather.

Os índices de recorrência após a mastectomia para o câncer da mama em fase inicial são de 1% ou menos, confirmou a Dra. Heather em uma entrevista. Estas novas estimativas de recorrência local após a lumpectomia poderiam mudar a forma como as pacientes encaram as próprias opções.

"O índice de recorrência local com a lumpectomia de aproximadamente 4% – e mais baixo para algumas mulheres de acordo com o status dos receptores – vs. 1% com a mastectomia oferece uma decisão muito diferente", disse a autora ao Medscape.

Em um comunicado da American Society of Breast Surgeons, a Dra. Heather observou que muitas mulheres "enfrentam uma difícil escolha ao tomar a decisão sobre qual tratamento fazer. Estes dados contemporâneos mais positivos podem tornar a escolha delas um pouco mais fácil".

A Dra. Carla S. Fisher, professora-associada de cirurgia na Indiana University School of Medicine, em Indianapolis, concordou. Este estudo " oferece respaldo para as pacientes que escolhem a terapia conservadora da mama e que são tratadas com o tratamento moderno multimodal", disse a Dra. Carla no comunicado da American Society of Breast Surgeons.

Para os médicos com pacientes que querem fazer a mastectomia unilateral ou mesmo bilateral, este estudo fornece estofo para as discussões sobre o tratamento, disse um especialista em cirurgia de câncer de mama quando convidado a comentar o assunto.

"O mito de que o câncer de mama triplo-negativo é uma sentença de morte tem de acabar", disse ao Medscape o Dr. Henry M. Kuerer, do Departamento de Cirurgia Oncológica da Mama, MD Anderson Cancer Center, em Houston. "Estes dados indicam que há uma chance de 93% que não haver recorrência após a lumpectomia".

O mito de que o câncer de mama triplo negativo é uma sentença de morte tem de acabar. Dr. Henry Kuerer

As conclusões do estudo também vão facilitar a discussão sobre a cirurgia conservadora da mama com as pacientes que pensam que podem evitar a radioterapia, optando pela mastectomia, disse o Dr. Kuerer. "Este não é necessariamente o caso", ressaltou.

"Essas conversas precisam ser tratadas com muito tato para que a paciente possa fazer uma escolha esclarecida, inclusive ao recusar a mastectomia", acrescentou o comentarista.

Dr. Kuerer enfatizou que o aconselhamento de lumpectomia no meio do tratamento pré-operatório deve ser oferecido às pacientes com doença HER2 negativo e comprometimento de linfonodos que apresentam retração significativa do tumor após a o tratamento sistêmico ou neoadjuvante no pré-operatório.

O estudo foi apresentado em 4 de maio, no encontro anual da American Society of Breast Surgeons em Orlando, Flórida. A Dra. Heather Neuman, os coautores do estudo, a Dra. Carla S. Fisher e o Dr. Henry M. Kuerer informaram não possuir conflitos de interesse relacionados ao tema.

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