Pela primeira vez, a American Heart Association (AHA) emitiu uma declaração científica sobre a dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD, do inglês Spontaneous Coronary Artery Dissection), com a expectativa de "promover uma mudança no paradigma do atendimento de homens e mulheres com esta condição".
Apesar do progresso do conhecimento sobre SCAD, a divulgação de novas informações tem sido lenta, e a dissecção espontânea da artéria coronária continua sendo diagnosticada equivocadamente, ou subdiagnosticada, e conduzida como uma síndrome coronariana aguda (SCA) aterosclerótica, o que pode prejudicar os pacientes com SCAD, diz o comunicado.
"Essa declaração era importante já que o que aprendemos sobre a dissecção espontânea da artéria coronária ao longo dos últimos oito a 10 anos, é diametralmente diferente do que a maioria dos cardiologistas aprendeu na faculdade", disse ao Medscape a Dra. Sharonne N. Hayes, médica da Mayo Clinic, em Rochester, Minnesota, e diretora do grupo de redação da declaração.
"Percebemos que já haviam sido publicados novos dados científicos, e que muitos deles justificavam repensar como temos diagnosticado e tratado a dissecção espontânea da artéria coronária no passado", disse a Dra. Sharonne.
O comunicado foi publicado on-line em 22 de fevereiro no periódico Circulation.
A mensagem mais importante da declaração, disse Dra. Sharonne, é que um evento de dissecção espontânea da artéria coronária é uma "entidade nosológica inteiramente diferente quando comparada com um evento decorrente da aterosclerose. Este quadro ocorre principalmente entre as mulheres no período de pré-menopausa, com diferentes fatores de risco, como gestação ou displasia fibromuscular".
A declaração oferece orientações detalhadas sobre como diagnosticar corretamente uma dissecção espontânea da artéria coronária.
"O diagnóstico apropriado é crucial", disse a Dra. Sharonne. "Mas primeiro é preciso haver suspeita. Fizemos diagnósticos equivocados, não vendo hematomas intramurais, que é uma das apresentações da SCAD, de modo que agora sabemos que ela não é tão rara como se acreditava anteriormente".
Uma vez identificada a condição, o tratamento também é diferente do tratamento de um infarto agudo do miocárdio (IAM) decorrente de aterosclerose, disse a Dra. Sharonne. A terapia conservadora é geralmente a estratégia de escolha em pacientes que estão clinicamente estáveis e sem evidências objetivas de isquemia, e isso tem sido geralmente associado a resultados favoráveis, observa a declaração.
A conduta expectante também é apropriada para os pacientes com obstrução dos vasos ou ramos distais que não seriam normalmente passíveis de intervenção coronariana percutânea.
"A colocação de stent é mais difícil nestes pacientes, com mais complicações e menores índices de sucesso. E as artérias coronárias que sofrem dissecção espontânea tendem a se curar sozinhas. A declaração fornece algoritmos diagnósticos e terapêuticos para ajudar os médicos a tomarem decisões de conduta nos casos específicos de dissecção espontânea da artéria coronária", disse a Dra. Sharonne.
O comunicado também informa que todos os pacientes com infarto agudo do miocárdio causado por dissecção espontânea da artéria coronária devem ser encaminhados para reabilitação cardíaca para prevenção secundária, redução do risco e recomendações de estratégias de apoio psicossocial.
"As dificuldades decorrentes da SCAD recorrente, assim como da precordialgia, da depressão e da ansiedade são impactantes e precisam ser abordadas", comentou a Dra. Sharonne.
Embora várias questões fundamentais ainda precisem ser respondidas, a Dra. Sharonne disse que espera que esta declaração introdutória sobre a dissecção espontânea da artéria coronária "chame a atenção dos médicos e de outros profissionais de saúde para acondição e, assim, melhore o reconhecimento e a conduta nos casos de SCAD. Esta conscientização deve então iniciar esforços de pesquisa colaborativos e multicêntricos para ajudar a conhecer a história natural da dissecção espontânea da artéria coronária, e para implementar tratamentos para prevenir as complicações e a recorrência desta condição".
"Esperamos que não demore muito para termos evidências suficientes para atualizar ainda mais essa declaração", disse a Dra. Sharonne.
A Dra. Sharonne N. Hayes informa não possuir conflitos de interesses relevantes. As declarações dos coautores estão listadas no artigo.
Circulation. Publicado on-line em 22 de fevereiro de 2018.Resumo
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Citar este artigo: Primeira declaração da American Heart Association sobre dissecção espontânea da artéria coronária - Medscape - 27 de março de 2018.
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