Estudo dos CDC comprova eficácia da dose fracionada da vacina contra febre amarela

Ruth Helena Bellinghini

Notificação

16 de fevereiro de 2018

SÃO PAULO - Uma pesquisa realizada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos comprovou a eficiência da dose fracionada da vacina contra febre amarela, avaliando mais de 700 pessoas que foram imunizadas em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, em 2016.

O estudo é um relatório preliminar, publicado esta semana pelo New England Journal of Medicine[1], que utilizou vacinas fabricadas pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (BioManguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz, e afirma que a imunidade produzida pela dose fracionada deve persistir por vários anos e, provavelmente, pela vida inteira, citando, inclusive, estudo de pesquisadores brasileiros sobre o tema.

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Esta é a primeira vez que um estudo sobre a vacina fracionada é feito com a população geral, incluindo crianças e mulheres, e abrangendo diferentes faixas etárias. Todos os estudos anteriores foram conduzidos como testes clínicos em homens jovens e saudáveis. Os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário verificar a resposta imunológica da dose fracionada em crianças com menos de dois anos, grávidas e portadores do HIV.

O mais recente surto de febre amarela no continente africano teve início em dezembro de 2015, em Angola, e rapidamente se espalhou para o Congo, com 962 casos confirmados nos dois países. De 17 a 26 de agosto de 2016, 2.404 postos de vacinação foram abertos em Kinshasa e, na situação de emergência, usou-se a dose fracionada.

Para a pesquisa, utilizou-se a vacina 17DD e foram selecionados pacientes de seis postos de saúde, escolhidos por representarem diferentes estratos sócio-econômicos e pela estrutura disponível para acompanhamento. Os voluntários, que assinaram termos de consentimento informado para participar do estudo, tiveram uma amostra de sangue colhida antes da vacinação (baseline) e outra obtida num período de 28 a 35 dias após a imunização (follow-up). Foi realizada a titulação de anticorpos das amostras pré e pós-vacinação, com emprego do teste de neutralização por redução de placas (PRNT, da sigla em inglês Plaque Reduction Neutralization Test). 

Pacientes que apresentaram PRNT de 10 ou mais no baseline foram considerados soropositivos. Os que apresentaram PRNT abaixo de 10 foram classificados como soronegativos. Foram considerados como soroconvertidos os pacientes que se mostraram soronegativos no baseline e soropositivos no follow-up.

Os pacientessoropositivos no baseline e que tiveram aumento de um fator de pelo menos 4 em sua titulação nas amostras de follow-up foram considerados como apresentando resposta imune.

Também foram coletados dados epidemiológicos, histórico de vacinação contra febre amarela, e presença ou não de sintomas recentes da doença – notadamente febre com icterícia. Todos os lotes de vacina foram produzidos por BioManguinhos e as amostras de sangue foram armazenadas, enviadas e analisadas pelo Laboratório de Arboviroses dos CDC em Fort Collins, no Colorado.

Ao todo, 716 pessoas participaram do estudo e 705 (98%) apresentaram resposta imune após a vacinação. De 493 soronegativos, 482 (98%) foram soroconvertidos após a vacinação. Dos 223 soropositivos, 148 (66%) tiveram resposta imune maior que a previamente registrada.

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De acordo com os pesquisadores, a dose fracionada de 17DD produziu imunidade e foi eficaz para conter surtos de febre amarela, entre pessoas com idade superior a dois anos e mulheres . Além disso, afirmam, produz resposta imunológica semelhante à da dose integral, validando os resultados dos testes clínicos feitos anteriormente.

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