Frequência de biópsias de mama após a cirurgia? Finalmente respostas

Nick Mulcahy

Notificação

13 de fevereiro de 2018

Após a cirurgia do câncer de mama invasivo, com que frequência as pacientes precisam de biópsias durante o acompanhamento? Extraordinariamente, a literatura médica tem sido pouco clara sobre as respostas a esta questão básica.

Agora, um estudo inovador revela que a incidência global de biópsia de mama em cinco e 10 anos foi abaixo de 15% após a tumorectomia, e abaixo de 24% após a mastectomia unilateral, com percentuais ainda mais baixos entre as mulheres mais velhas.

A "mensagem importante" desses resultados para as pacientes é que fazer uma biópsia é a exceção, não a regra, disse o autor sênior do estudo, Dr. Henry Kuerer, PhD, professor de mastologia oncológica no University of Texas MD Anderson Cancer Center , em Houston, Texas.

"As pacientes podem acreditar que vão fazer biópsias regularmente", disse o Dr. Kuerer ao Medscape.

O estudo foi publicado on-line em 31 de janeiro no periódico JAMA Surgery.

Os pesquisadores, todos do University of Texas MD Anderson Cancer Center, em Houston, revisaram os prontuários de 80.369 pacientes mais velhas (idade ≥ 66 anos) no banco de dados Surveillance, Epidemiology, and End Results–Medicare e de 41.510 pacientes mais jovens (idade ≤ 64 anos) no banco de dados Market Scan, de uma companhia de seguro de saúde particular.

O estudo é o primeiro estudo populacional de abrangência nacional nos Estados Unidos sobre biópsias de mama em mulheres com câncer de mama, observam os pesquisadores.

A incidência global de biópsia de mama em cinco e em 10 anos foi de 11,8% após a tumorectomia e 14,9% após a mastectomia unilateral na coorte de mulheres mais velhas, e 14,7% e 23,4%, respectivamente, na coorte de mulheres mais jovens. 

A utilização de quimioterapia adjuvante, a idade da paciente e a terapia endócrina foram independentemente associadas à biópsia em ambas coortes.

As mais de 160.000 pacientes tinham doença de fase I a III e foram diagnosticadas entre 2000 e 2011. As pacientes fizeram cirurgia de preservação da mama (com ou sem radioterapia) ou mastectomia unilateral. Foram utilizados códigos de diagnóstico e procedimentos para identificar as biópsias durante o acompanhamento.

A cirurgia conservadora da mama e mastectomia são as duas principais opções para o tratamento cirúrgico do câncer de mama, ressalta a Dra. Cheng-Har Ylp, cirurgiã da Universiti Malaya em Kuala Lumpur, no editorial que acompanha o estudo.

Após 20 anos, a sobrevida global não difere entre essas duas abordagens, como mostrado em um grande ensaio clínico randomizado (N Engl J Med 2002;347:1233-1241), comentou a Dra. Cheng-Har.

O acompanhamento é diferente para as pacientes de acordo com o tratamento inicial, destaca a comentarista: "Mulheres que fizeram mastectomia unilateral precisam fazer mamografia anual da mama intacta, e as que fizeram cirurgias que preservam a mama precisam fazer mamografia bilateral".

Até agora, tem havido "poucas" informações sobre a incidência de biópsias por suspeita de neoplasia que inevitavelmente decorrem dessas mamografias, acrescenta a Dra. Cheng-Har.

 
 
 Raramente conversamos com as mulheres sobre a frequência das biópsias subsequentes no momento da tomada de decisão cirúrgica. Dra. Cheng-Har Ylp
 

"Raramente conversamos com as mulheres sobre a frequência das biópsias subsequentes no momento da tomada de decisão cirúrgica, mas isto pode afetar a decisão das mulheres e levar a um número maior de mulheres que optam pela mastectomia bilateral", acrescenta a médica.

Como estes novos dados serão usados na prática clínica?

Dr. Kuerer diz que os novos dados sobre a frequência das biópsias podem ser acrescentados ao processo de tomada de decisão das pacientes sobre o tratamento do câncer de mama invasivo em fase inicial.

"Muitas pacientes ficam bastante ansiosas em relação à necessidade de futuras biópsias e a possibilidade de outro diagnóstico de câncer", disse o médico em um comunicado à imprensa.

"Com frequência as mulheres vão optar pela mastectomia para evitar o medo e o estresse associados às futuras biópsias ou a outro diagnóstico de câncer".

No novo estudo, fazer mastectomia unilateral, de fato, resultou em menores taxas de biópsias subsequentes. As taxas estimadas de biópsia em cinco anos da mama remanescente foram de 7,8% e 10,4% nas coortes SEER-Medicare e Marketscan, respectivamente.

 
 
 Se você remover as duas mamas, uma mama ou fizer tumorectomia, teremos de fazer o seu acompanhamento para sempre. Dr. Henry Kuerer   
 

No entanto, o Dr. Kuerer explicou que, a despeito do tipo de tratamento que a paciente escolher — incluindo mastectomia dupla —, as recidivas, locais ou à distância, são uma possibilidade. É necessário o monitoramento prolongado de todas as pacientes.

"Se você remover as duas mamas, uma mama ou fizer tumorectomia, teremos de fazer o seu acompanhamento para sempre. Você tem de se acostumar com a ideia de que isso faz parte da sua vida", disse o médico.

Além disso, o novo estudo também mostra que apenas 23,2% das mulheres na coorte SEER-Medicare, e 29,8% das mulheres na coorte Marketscan, fizeram tratamento oncológico após uma biópsia. Assim, a maioria das biópsias teve resultados benignos, acrescentou o pesquisador.

Mas os médicos que incentivam a tumorectomia estão nadando contra a maré, também sugeriu Dr. Kuerer.

Ele comentou que em quase todas as situações de cirurgia da mama, as pacientes "cada vez mais" querem fazer mastectomia ou mastectomia dupla no caso do diagnóstico de câncer de mama. Infelizmente, essas decisões estão sendo tomadas logo após o "trauma" de um diagnóstico de câncer de mama, disse o pesquisador.

O estudo foi financiado pelas sociedades ou instituições: KWF Kankerbestrijding holandesa,  PH and Fay Etta Robinson Distinguished Professorship in Cancer Research Endowment, National Institutes of Health e MD Anderson Clinical Research Funding Award Program. Dr. Henry Kuerer informa patentes publicação, royalties e outras propriedades intelectuais do grupo New England Journal of Medicine e da McGraw-Hill Publishing, sendo palestrante do PER, e já recebeu financiamento de pesquisa da Genomic Health. Dra. Cheng-Har Ylp declarou não ter relações financeiras relevantes.

JAMA Surg. Publicado on-line em 31 de janeiro de 2018. Resumo, Editorial

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