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Clube de Revista: nova tecnologia pode permitir ablação de arritmias ventriculares graves sem punção

Dr. Bruno Valdigem

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29 de dezembro de 2017

Neste artigo

Dr. Bruno Valdigem

O Dr. Bruno Valdigem, eletrofisiologista dos hospitais Albert Einstein e Dante Pazzanese, em São Paulo, revisa destaques recentes da literatura, entre eles um estudo sobre o uso de ressonância magnética nuclear no diagnóstico e prognóstico de sarcoidose cardíaca e a importância de reinternação hospitalar por insuficiência cardíaca pós implante de válvula transcateter.

1. Uso de ressonância magnética nuclear no diagnóstico e prognóstico de sarcoidose cardíaca

Ao todo 321 pacientes portadores de sarcoidose encaminhados para um centro especializado em doenças do tórax foram submetidos a ECG,h olter, ecocardiograma e ressonância magnética nuclear (RMN) de coração. A ressonância foi classificada como "potencialmente isquêmica" comprometendo o endocárdio de VE ou não-isquêmica (meso miocárdica ou epicárdica). Em caso de dúvida foram realizadas provas funcionais ou angiografia.

Cerca de 30% dos pacientes apresentavam comprometimento cardíaco. O desfecho primário foi composto de morte, hospitalização por insuficiência cardíaca (IC), arritmia cardíaca potencialmente fatal, e transplante cardíaco. Como desfecho secundário, taquicardia ventricular não sustentada.

A maioria dos pacientes com sarcoidose cardíaca (93,5% deles) apresentavam realce tardio, em sua maioria envolvendo o VE (71% septo, 51,6% parede lateral, 21,5% parede anterior, 17,2% parede inferior). Em 20 do total de 96 pacientes do grupo com sarcoidose cardíaca foram necessários testes adicionais para afastar cardiopatia isquêmica (ecocardiograma com estresse em 16, e coronariografia em 4). A acurácia diagnóstica da RMN foi discretamente superior à do ecocardiograma isoladamente. A estratégia de uso de RMN associada a eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma, holter e sintomas (palpitações, síncope ou pré-síncope, dor torácica ou dispneia) aumentou a sensibilidade do screening de 64,6% para 84,4%, mas reduziu a especificidade de 56,9% para 32,9%.

O seguimento foi de 84 meses, e neste período 13 pacientes morreram (oito mortes cardíacas), sete apresentaram arritmias potencialmente fatais, e cinco receberam cardiodesfibrilador implantável (CDI). Em relação ao prognóstico, 73,5% dos eventos aconteceram em pacientes com realce tardio na RMN. Dez dentre as 13 mortes se deram em pacientes com sintomas cardiovasculares e/ou alterações eletrocardiográficas. Eventos adversos foram raros no grupo com holter normal.

Em pacientes com sintomas e ou alteração do ECG a RMN foi um preditor independente de eventos adversos. Em pacientes sem sintomas e sem alterações ao ECG apenas idade foi preditor de eventos. No grupo como um todo, presença de realce na RMN, idade e presença de TVNS em holter foram preditores de maiores eventos.

Para lembrar:
RMN cardíaca identificou sarcoidose cardíaca com acurácia superior (mas semelhante) ao ecocardiograma, com sensibilidade e especificidade aumentadas com uso de holter, ECG e história clínica. Presença de realce tardio, idade e TVNS foram preditores de eventos graves.

Referência:
Kouranos, V., Tzelepis, G., Rapti, A., Mavrogeni, S., Aggeli, K., Douskou, M., Prasad, S., Koulouris, N., Sfikakis, P., Wells, A. and Gialafos, E. (2017). Complementary Role of CMR to Conventional Screening in the Diagnosis and Prognosis of Cardiac Sarcoidosis. JACC: Cardiovascular Imaging, 10(12), pp.1437-1447.

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