Desafio ECG: palpitação de início súbito em uma mulher jovem

Dr. Philip J. Podrid

Notificação

15 de dezembro de 2017

Discussão

O diagnóstico é fibrilação atrial com síndrome de Wolff-Parkinson-White e pseudoinfarto de parede inferior.

Figura 2. Cortesia do Dr. Podrid.

O ritmo é irregularmente irregular; a frequência cardíaca média é de 90bpm. Existem somente três ritmos supraventriculares que são irregularmente irregulares:

  • A arritmia sinusal (uma morfologia de onda P e intervalo PR estável);

  • O ritmo atrial ectópico com frequência cardíaca < 100 bpm e a taquicardia atrial multifocal com frequência cardíaca > 100 bpm (três ou mais morfologias diferentes de onda P e intervalos PR sem nenhuma onda P dominante); e

  • A fibrilação atrial na qual não há ondas P organizadas.

Portanto, isto é fibrilação atrial. Os complexos QRS têm duas larguras e morfologias diferentes. Os dois complexos QRS estreitos (+) têm morfologia e duração normal (0,08 seg), embora haja uma onda R' na derivação V1 (←) e uma onda R alta em V2 (→), compatíveis com transição inicial ou rotação anti-horária. Trata-se de um deslocamento do eixo elétrico em relação ao plano horizontal, determinado ao imaginar a visualização do coração por baixo do diafragma, de baixo para cima. Com a rotação anti-horária, as forças do ventrículo esquerdo surgem mais cedo, e são observadas nas derivações precordiais direitas. Os intervalos QT/QTc são normais (320/390 mseg). Os complexos QRS alargados (0,16 seg) têm morfologia de bloqueio de ramo esquerdo, embora o alargamento do complexo QRS seja primariamente na base, enquanto que o restante do complexo QRS é estreito. Nota-se o empastamento do movimento ascendente do complexo QRS (↑), sugestivo de onda delta e padrão de síndrome de Wolff-Parkinson-White. Uma corroboração adicional para o diagnóstico de síndrome de Wolff-Parkinson-White é a ausência de relação entre a largura do complexo QRS e a frequência cardíaca (ou o intervalo RR). Observa-se o estreitamento dos complexos QRS com o aumento da frequência cardíaca ou intervalos RR mais curtos (┌┐), e o alargamento dos complexos QRS com a diminuição da frequência cardíaca ou intervalos RR mais longos (↔). Este não é o padrão das alterações relacionadas com a frequência cardíaca, nas quais os complexos QRS alargados ou aberrantes são observados com o aumento da frequência cardíaca.

Esse padrão é típico da síndrome de Wolff-Parkinson-White. Pode notar-se que os complexos têm QS com morfologia da síndrome de Wolff-Parkinson-White nas derivações inferiores (^), sugerindo pseudoinfarto do miocárdio de parede inferior. A onda Q em aVF não existe quando o complexo é estreito. As anomalias do ventrículo esquerdo não podem ser diagnosticadas de forma confiável na presença de síndrome de Wolff-Parkinson-White porque a ativação inicial ocorre diretamente através do miocárdio e não pela via normal do sistema de His-Purkinje. Este é um padrão do pseudoinfarto de parede inferior, que é sugestivo de um trato de derivação posterosseptal (ou inferosseptal).

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