Novas diretrizes de hipertensão do ACC/AHA fazem do 130 o novo 140

22 de novembro de 2017

ANAHEIM, CA — O American College of Cardiology (ACC) e a American Heart Association (AHA) publicaram uma nova diretriz sobre hipertensão com uma nova definição que considerará hipertensão arterial estágio 1 a pressão arterial sistólica de 130 a 139 mmHg ou a diastólica de 80 a 89 mmHg.

Oficialmente, a Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation and Management of High Blood Pressure in Adults, aprovada por 11 entidades (ACC/AHA/AAPA/ABC/ACPM/AGS/APhA/ASH/ASPC/NMA/PCNA), inclui novas recomendações sobre a definição de hipertensão, os limiares de pressão arterial sistólica e diastólica para o início do tratamento com medicamentos anti-hipertensivos, e um novo alvo agressivo de tratamento da PA.

As diretrizes foram publicadas aqui nas Sessões Científicas de 2017 da American Heart Association (AHA) e publicadas simultaneamente no Journal of the American College of Cardiology[1], e no periódico da AHA Hypertension[2].

"O objetivo era fornecer uma diretriz abrangente para diagnóstico, prevenção, avaliação, tratamento e, muito importantes, estratégias para melhorar as taxas de controle durante o tratamento", disse o Dr. Paul Whelton (Tulane University School of Public Health and Tropical Medicine, New Orleans, LA), presidente das Diretrizes Clínicas de Hipertensão 2017, em uma coletiva de imprensa no evento.

Dr. Whelton apontou para cinco áreas principais de ênfase na nova diretriz:

  • Uma forte ênfase na aferição da pressão arterial, tanto na precisão das medidas da pressão arterial quanto na média das medidas observadas ao longo de várias consultas, bem como uma ênfase nas aferições de pressão arterial fora do consultório, "o que é relativamente novo para uma diretriz de pressão arterial", observou ele.

  • Um novo sistema de classificação da pressão arterial, atualizando o anterior Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure (JNC7). "Acreditamos que as evidências justificavam um sistema de classificação ligeiramente novo", disse ele.

  • Uma nova abordagem para a tomada de decisões para o tratamento que incorpora o risco cardiovascular subjacente.

  • Alvos mais baixos para a pressão arterial durante o tratamento da hipertensão arterial.

  • Estratégias para melhorar o controle durante o tratamento, com uma ênfase em abordagens no estilo de vida.

Dr. Paul Whelton

A definição de pressão arterial normal não mudou do documento anterior, observou o Dr. Whelton, mas as novas diretrizes eliminam a classificação de pré-hipertensão e dividem os níveis de pressão arterial previamente chamados de pré-hipertensão para PA elevada, com pressão sistólica entre 120 e 129 e pressão diastólica inferior a 80 mmHg; e hipertensão estágio 1, que agora definem como pressão sistólica 130 a 139 ou uma pressão diastólica de 80 a 89 mmHg.

O comitê responsável não gostava do termo "pré-hipertensão" para pacientes, particularmente naqueles valores mais altos, disse Dr. Whelton, "porque acreditamos que naquele estágio o paciente já está em risco substancialmente aumentado – o dobro do risco de ataque cardíaco em comparação com alguém em uma faixa de pressão arterial normal – por isso, acreditamos que hipertensão estágio 1 é o termo apropriado, e que ele irá captar o risco para os adultos e para os clínicos muito melhor".

Classificação da pressão arterial pelo JNC7 e Diretrizes de hipertensão de 2017 ACC / AHA

Pressão arterial sistólica e diastólica (mmHg) JNC7 ACC/AHA 2017
< 120 e < 80 PA normal PA normal
120–129 e < 80 Pré-hipertensão PA elevada
130–139 ou 80–89 Pré-hipertensão Hipertensão estágio 1
140–159 ou 90–99 Hipertensão estágio 1 Hipertensão estágio 2
> 160 ou > 100 Hipertensão estágio 2 Hipertensão estágio 2

Dr. Whelton também foi o autor sênior em um estudo associado, para analisar os efeitos teóricos das definições e objetivos de tratamento nas novas diretrizes[3] em relação àquelas estabelecidas na diretriz anterior do JNC7.

O estudo, que teve como primeiro autor o Dr. Paul Munter (Escola de Saúde Pública, University of Birmingham, Alabama), conclui que, em comparação com a orientação do JNC7, a diretriz ACC/AHA de 2017 "resulta em um aumento substancial da prevalência de hipertensão, mas um aumento pequeno na porcentagem de adultos nos EUA com recomendação para uso de medicamentos anti-hipertensivos", acrescentando que as diretrizes ACC/AHA de 2017 recomendam que uma proporção substancial de adultos dos EUA que usam medicação anti-hipertensiva seja tratada com redução da PA mais intensa.

Prevalência da Hipertensão de acordo com as diretrizes JNC7 e ACC/AHA 2017

Desfecho JNC7 ACC/AHA 2017
Prevalência de hipertensão (%) 31,9 45,6
Número com hipertensão (milhões) 72,2 03,3

 

A razão pela qual a prevalência aumentará substancialmente, mas haverá um aumento apenas moderado nos pacientes que recebem tratamento, é que as recomendações para o tratamento de hipertensão estágio 1 são guiadas pelo risco cardiovascular subjacente dos pacientes: o tratamento seria oferecido apenas àqueles com doença cardiovascular clínica ou risco estimado de 10% ou mais de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), enquanto o restante deve ser orientado sobre a modificação do estilo de vida.

O vice-presidente do comitê de redação, Dr. Robert M. Carey (University of Virginia School of Medicine), discutiu as recomendações do comitê para o tratamento da hipertensão.

"A modificação do estilo de vida é a pedra angular do tratamento da hipertensão, e esperamos que essa diretriz fará com que nossa sociedade e nossa comunidade médica realmente preste muito mais atenção às recomendações de estilo de vida", disse o Dr. Carey durante a coletiva.

Recomendações específicas incluem recomendação para perda de peso, seguir uma dieta padrão DASH, reduzir o sódio a menos de 1500 mg/dia e aumentar a ingestão de potássio para 3500 mg/dia por meio da ingestão dietética, aumentar a atividade física a um mínimo de 30 minutos de exercício três vezes por semana, e limitar o consumo de álcool para duas doses ou menos por dia para homens e uma ou menos para mulheres.

Dr. Carey observou que eles estão recomendando asACC/AHA Pooled Cohort Equations para estimar o risco de DCVA em 10 anos, levando em consideração idade, raça, sexo, colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL, tratamento com ácido acetilsalicílico ou uma estatina, PA sistólica, tratamento para hipertensão, história de diabetes, e tabagismo atual.

Por fim, ele apontou novos objetivos para o tratamento da hipertensão. "Eles diminuíram desde a última diretriz", observou. "A última diretriz recomendou menos de 140 / 90 mmHg; nossa diretriz recomenda um alvo de 130 / 80 mmHg".

Dr. Whelton discutiu a razão para este alvo de pressão arterial mais intensivo de menos de 130 / 80 mmHg em adultos mais velhos. "Em grande parte ele é baseado no fato de que um grande número de adultos mais velhos foi inscrito em estudos de tratamento com redução da pressão arterial, especialmente em estudos mais recentes", disse ele.

Nesses estudos, notadamente os ensaios SPRINT e ACCORD, o tratamento anti-hipertensivo reduziu a morbidade e mortalidade por DCV sem aumentar o risco de quedas ou hipotensão ortostática.

Revisão completa

Moderando a coletiva de imprensa sobre a nova diretriz estavam o Dr. Stephen Hauser (Lewis Katz School of Medicine na Temple University, Filadélfia, PA), ex-presidente da American Heart Association, substituindo o atual presidente John J. Warner (UT Southwestern University Hospitals, Dallas) e a Dra. Mary Walsh (St. Vincent Heart Center of Indiana, Carmel), presidente do American College of Cardiology.

"Vimos a necessidade de atualizar essas diretrizes para refletir as ameaças reais da hipertensão e estabelecer um protocolo que pudesse melhorar a saúde cardiovascular de todos os americanos", disse Dr. Hauser.

"Esta diretriz é o produto de três anos de revisão completa por um painel de 21 especialistas que analisaram mais de 900 fontes", acrescentou ele. "As diretrizes foram submetidas a várias rodadas de revisão por pares, e foram revisadas pelo grupo de redação composto por um comitê de coordenação de consultoria científica com 41 membros – do qual eu fiz parte, e eu de fato as li – todas as organizações parceiras e o comitê executivo de diretrizes".

"Atualizamos diretrizes com base em evidências e monitoramos continuamente novas pesquisas", comentou o Dr. Walsh. "A American Heart Association e o American College of Cardiology receberam a administração primária das diretrizes de tratamento cardiovascular pelo governo dos EUA em 2013. Pouco tempo depois, as organizações começaram a lançar as bases para a nova diretriz, que vem sendo desenvolvida há três anos.

"Outros grupos publicaram recomendações sobre hipertensão arterial nos últimos quatro anos, mas elas não eram abrangentes e não foram amplamente aprovadas", acrescentou. Essas diretrizes, disse ela, "foram um esforço colaborativo de 11 organizações".

Outras organizações parceiras incluem a American Academy of Physician Assistants, o American College of Preventive Medicine, a American Geriatrics Society, a American Pharmacists Association, a American Society of Hypertension, a American Society of Preventive Cardiology, a Association of Black Cardiologists, a National Medical Association e a Preventive Cardiovascular Nurses Association.

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