Desafio ECG: homem de 52 anos com palpitações taquicárdicas, sem tonturas ou sinais de baixo débito

Dr. Bruno Valdigem

Notificação

13 de setembro de 2017

Discussão

Uma das complicações de ablação de fibrilação atrial é a confecção de lesões e cicatrizes nos átrios, que são berço para circuitos de reentrada. Fibrilação atrial e flutter são arritmias que compartilham os mesmos fatores de risco, e geralmente estão ligadas de alguma forma a remodelamento elétrico e fibrose atrial, hipertensão, apneia do sono, cirurgia cardíaca, e coronariopatias, entre outras causas.

O ECG mostra uma taquicardia regular de QRS estreito, inferindo desde já o diagnóstico de taquicardia supraventricular. A frequência de 150bpm é sugestiva de flutter atrial com condução atrioventricular 2:1 (ou seja, a cada dois ciclos da arritmia no átrio é gerado um batimento ventricular). O termo "ciclo" é extremamente preciso, pois cada ativação atrial corresponde a uma volta do circuito, e ao término de um batimento nasce o seguinte. Mais frequentemente, em especial em pacientes sem histórico de cirurgia cardíaca ou ablação prévias, o circuito do flutter atrial se localiza ao redor do anel tricúspide.

Outra característica do flutter atrial é a atividade elétrica contínua no átrio, mostrando que não existe momento de repouso atrial. Isso pode ser melhor visualizado em derivações onde o QRS é menos observado (nesse ECG, em DII e aVR a atividade atrial é mais evidente). A atividade atrial exibe um contínuo, o aspecto de "dente de serrote" ou "serrilhado" do flutter atrial.

Em caso de dúvida na sala de emergência, manobras que aumentam o grau de bloqueio do nó atrioventricular, como manobras vagais ou adenosina, podem afastar os complexos QRS transitoriamente e permitir melhor visualização da atividade atrial.

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