Contraindicações cardiológicas ao mergulho

Dr. Gérald Phan

Notificação

20 de julho de 2017

Neste artigo

Paris, França - As contraindicações cardiológicas ao mergulho submarino foram objeto de um importante trabalho de atualização pelo grupo de trabalho de cardiologia da Fédération Française d'Études et de Sports Sous-Marins (FFESSM, Federação Francesa de Estudos e Esportes Submarinos). O Dr. Gérald Phan, cardiologista em Levallois-Perret, subúrbio de Paris, e médico federado da Fédération Française d'Études et de Sports Sous-Marins, analisa as diferentes situações clínicas.

O mergulho submarino impõe sobrecarga cardíaca (ver Quadro 1). Na maioria dos casos, a anamnese, a avaliação cardiológica convencional, e o teste de esforço bastam para detectar e eliminar alguma doença cardíaca que contraindique este exercício.

Entre as pessoas com doença cardiovascular moderada, as recomendações publicadas pela FFESSM permitem especificar mais precisamente as contraindicações ou as precauções para o mergulho.

Veja a lista de contraindicações ao mergulho da FFESSM

 
Na maioria dos casos, a anamnese, a avaliação cardiológica convencional e o teste de esforço bastam para detectar e eliminar alguma doença cardíaca que contraindique este exercício.
 
Para lembrar:
Mergulho e coração: fisiopatologia

- A imersão (mesmo no banho) provoca uma redistribuição considerável do volume de sangue circulante em favor do volume sanguíneo central, e o aumento de todos os volumes cardíacos.

- O frio induz a vasoconstrição periférica – aumentando ainda mais a redistribuição e a sobrecarga cardiovascular.

- A pressão desempenha um papel secundário sobre o sistema cardiovascular no mergulho esportivo (a menos de 40 metros), mas em contrapartida influencia grandemente a ventilação pela inalação de ar comprimido. A pressão também promove a dissolução de nitrogênio no organismo, o que será um problema durante o retorno à superfície.

- Na verdade, a descompressão durante o retorno à superfície e a liberação de nitrogênio associada estão na origem dos acidentes de descompressão (ou doença de descompressão – DD) potencialmente graves, 80% dos quais ocorrem na primeira hora após a saída da água.

1. Descompressão normal e patológica

Na descompressão normal o nitrogênio dissolvido nos tecidos retorna ao sangue causando microbolhas, normalmente removidas durante a passagem do sangue pelo pulmão.
Se a descompressão for inadequada – subida demasiado rápida ou estado fisiológico (fadiga, desidratação, etc.) no qual a remoção do nitrogênio é reduzida – as bolhas de nitrogênio serão maiores e/ou mais numerosas.
Assim elas podem:
- Dilacerar os tecidos, especialmente os músculos (aumento da creatinofosfoquinase ou CPK, do inglês Creatine Phosphokinase) e os tendões que dão origem à dor após o mergulho: acidentes benignos do tipo I (dor, prurido, edema cutâneo e osteoarticular);
- Bloquear algum plexo venoso que, se medular, causa lesão neurológica da medula espinhal, indiscutivelmente o mais grave dos acidentes;
- Exceder a capacidade de filtração do pulmão e chegar ao coração, causando risco de embolia arterial, em geral na origem dos acidentes, principalmente;
- Cocleovestibulares: vertigem rotatória, ataxia e vômitos;
- Cerebrais isquêmicos; transitórios ou não, dependendo do tempo transcorrido até o início do tratamento em câmara hiperbárica.
É neste momento que a existência de uma comunicação (shunt) do tipo forame oval patente (FOP) aumentaria o risco de doença de descompressão.

 
Forame oval patente e doença de descompressão: o dobro ou o quíntuplo do risco de acordo com diferentes fontes.
 

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