Figure 2.
Fenômeno de Ashman. Imagem: cortesia Dr Podrid.
Discussão
O diagnóstico é fibrilação atrial com alta resposta ventricular. Isso é conhecido como fenômeno de Ashman.
O ritmo é irregularmente irregular e não há ondas P organizadas. A frequência cardíaca média é de 174 batimentos por minuto. A duração do complexo QRS é normal (0,08 seg) e não há alterações morfológicas. Há apenas três ritmos supraventriculares irregularmente irregulares: arritmia sinusal (onda P com morfologia única e intervalo PR constante); ritmo atrial multifocal com frequência menor que 100 batimentos por minuto; ou taquicardia atrial multifocal com frequência maior que 100 batimentos por minuto (pelo menos três diferentes morfologias de onda P e intervalos PR sem nenhuma morfologia dominante de onda P) e fibrilação atrial, na qual não há ondas P organizadas.
Portanto, isso é fibrilação atrial. Note os numerosos complexos QRS com duração aumentada (0,12 seg) com morfologia de bloqueio de ramo direito e padrão RSR' na derivação V1 (←), e onda S terminal ampla na derivação V5 (→). Esses complexos não são resultado de aberração frequência-dependente pois há intervalos RR igualmente curtos ou mais curtos, que não estão associados à aberração. Entretanto, precedendo os complexos aberrantes, há um longo intervalo RR (┌┐) abruptamente seguido de um intervalo RR curto (└┘).
Dada essa informação, trata-se do fenômeno de Ashman, que não é causado por uma anormalidade no sistema de condução His-Purkinje, mas é o resultado das mudanças frequência-dependentes normais na refratariedade do mesmo. Quando a frequência cardíaca (FC) está baixa (intervalo RR longo), a refratariedade do His-Purkinje é prolongada; ao passo que, com frequências cardíacas elevadas (intervalo RR curto), a refratariedade do His-Purkinje diminui. Quando há uma mudança abrupta na frequência cardíaca, indo de uma FC lenta (intervalo RR longo) para uma FC rápida (intervalo RR curto), a refratariedade do sistema His-Purkinje não se adapta ou muda imediatamente, e consequentemente um ou vários complexos QRS são conduzidos com aberração. Quase sempre, a aberração é um bloqueio de ramo direito, provavelmente pela refratariedade do ramo direito ser ligeiramente mais longa do que a do ramo esquerdo.
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Citar este artigo: Desafio do ECG: "Doutor, meu coração está disparando - de novo" - Medscape - 11 de abril de 2017.
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