O estado do Rio de Janeiro confirmou na terça-feira (4) a segunda morte por febre amarela. A vítima, o agricultor Alan Ferreira, de 33 anos, era de Santa Clara, distrito rural da cidade de Porciúncula, no noroeste do estado. Ele morreu dia 26 de fevereiro, em um hospital da cidade de Itaperuna. A confirmação de que se tratava de um caso de febre amarela só veio hoje. As duas cidades não vão intensificar vacinação porque ambas já atingiram a meta de 80% de cobertura.
São 10 casos de febre amarela confirmados no Rio de Janeiro, a maioria (sete) na cidade de Casemiro de Abreu (onde foi registrada a primeira morte), um em São Fidélis, no norte fluminense, e um em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, onde será feita uma campanha de vacinação nesta quinta-feira (6). Uma terceira morte está sendo investigada, a de um homem de 68 anos, de Silva Jardim, que testou positivo, mas não se sabe ainda se por causa da doença ou do vírus atenuado da vacina. As autoridades acompanham também o caso de uma mulher de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio, internada com sintomas da doença. Os resultados dos exames dessa paciente só devem ficar prontos dentro de uma semana.
Fracionamento
O Ministério da Saúde admitiu na semana passada que estuda a possibilidade de fracionamento das vacinas de febre amarela, uma estratégia usada apenas em emergências, em que a dose convencional é transformada em cinco, aplicadas com seringas menores. Essa vacina fracionada protege o paciente por apenas 12 meses, e após esse período é preciso aplicar a vacina convencional. Segundo o jornal O Estado de São Paulo[1], essa possibilidade passou a ser considerada diante da grande demanda pela vacina, mesmo em áreas não ameaçadas pela doença. Como revelado em primeira mão pelo Medscape , o governo federal requisitou 3,5 milhões de doses de entidades internacionais e também teria tentado adquirir vacinas fora do país, mas os principais laboratórios produtores não têm o produto em disponibilidade. Há anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz alertas sobre os estoques reduzidos desta vacina.
Não bastassem as constantes filas para vacinação na cidade do Rio, o governo federal também recebeu pedidos de vacinas da Bahia, onde há várias epizootias (epidemias em populações não-humanas), a mais recente em Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, onde foi confirmada esta semana a morte de um segundo macaco no bairro de Alto Papagaio. A população foi orientada a notificar a existência de animais mortos e vinte deles estão sendo analisados. Segundo epidemiologistas, a proximidade entre Salvador e Feira de Santana, onde não há nenhum caso em humanos, é preocupante.
No interior do Estado de São Paulo, parques foram temporariamente interditados para a visitação pública por causa dos casos de epizootia, notadamente na região de Campinas. É o caso da Mata de Santa Genebra, distrito de Souzas, que abriga duas variedades de macacos, e do Observatório Municipal Jean Nicolini, em Joaquim Egídio, que estava com a agenda lotada de visitantes para uso de seus telescópios. O Tênis Clube de Campinas também fechou sua sede de campo depois que macacos foram encontrados mortos no local.
As autoridades sanitárias também devem decidir esta semana se reabrem ou não o Clube Náutico de Araraquara, interditado desde que dois frequentadores – um homem, que morreu, e um bebê, que está internado – contraíram a doença. Também foram fechadas as trilhas da Mata dos Macacos, em Bady Bassit, divisa com São José do Rio Preto, pois vários macacos foram achados mortos no local.
Em Goiânia, um macaco morreu de febre amarela no zoológico local e a entrada de visitantes só é possível mediante apresentação de carteira de vacinação ou assinatura de termo de responsabilidade confirmando que a pessoa foi vacinada. Na região Centro-Oeste, a cobertura vacinal da população alcança os 95%.
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Citar este artigo: Confirmada segunda morte por febre amarela no Estado do Rio - Medscape - 5 de abril de 2017.
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