OPINIÃO

Clube de revista de Infectologia: Quanto tempo até que seja indicada a realização do teste de sensibilidade do Helicobacter pylori na rotina?

Dra. Silvia Figueiredo Costa

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17 de março de 2017

Neste artigo

Dra. Silvia Figueiredo Costa

A Dra. Silvia Costa comenta recentes destaques da literatura na área de infectologia. Em março ela destaca dois trabalhos sobre tuberculose (um em diabéticos e outro em pacientes com câncer) e fala sobre a importância da realização da cultura e do teste de sensibilidade do H. pylori com base em três guias publicados em 2016 sobre o manejo desta bactéria. A infectologista comenta ainda um estudo sobre resistência a colistina em isolados de K. pneumoniae resistente aos carbapenêmicos. Boa leitura!

 

1. Diabetes como fator de risco para tuberculose latente

Tuberculose é uma das doenças infecciosas de maior importância mundial com alta morbidade e mortalidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 1.5 milhões de mortes foram atribuídas a tuberculose em 2014. Após o contato com bacilos viáveis de M. tuberculosis o hospedeiro pode clarear a infecção ou evoluir para um status de infecção latente, dos quais 5%  a 15% podem desenvolver doença. O diabetes altera a imunidade e está associado a infecções incluindo tuberculose. Estudos prévios demonstraram que o diabetes aumenta em duas a três vezes o risco de tuberculose. Apesar desses achados o último guia da OMS não recomenda o screnning de tuberculose latente em pacientes diabéticos.

Em estudo publicado no Clinical Infectious Diseases 2017; 64 (6): 719-27, Lee e colaboradores descrevem uma meta-análise cujo objetivo foi avaliar o risco de tuberculose latente em pacientes diabéticos. Os autores utilizaram o guia PRISMA para análise dos estudos que foram selecionados em duas base de dados (EMBASE e Pubmed) por três revisores, e posteriormente de forma independente por um pneumologista e um epidemiologista.  Foram incluídos 13 estudos (uma coorte e 12 estudos transversais) totalizando 38.263 participantes. A tuberculose latente foi investigada por meio de reação intra-dérmica (PDD) e Interferon Gama (IGRA). O estudo de coorte demonstrou aumento sem relevância estatística do risco de tuberculose latente em pacientes diabéticos (RR 4.40; IC de 95% 0.50-38.5) e os estudos transversais demonstraram aumento do risco (pooled OR 1.18 IC de 95% 1.06-1.30) com pequena heterogeneidade (I2: 3.5%) entre os artigos.  

Para lembrar:
Os autores concluem que o diabetes aumenta o risco de tuberculose latente e, portanto, o screnning de tuberculose latente pode ser uma estratégia útil no controle da doença nessa população de pacientes.

Referência:
World Health Organization. Global Tuberculosis Report 2015. 20th Edn. Geneva: World Health Organization; 2015.

Murray CJ, Ortblad KF, Guinovart C, et al. Global, regional, and national incidence and mortality for HIV, tuberculosis, and malaria during 1990–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet 2014; 384: 1005–70.

 Getahun H, Matteelli A, Abubakar I, et al. Management of latent Mycobacterium tuberculosis infection: WHO guidelines for low tuberculosis burden countries. Eur Respir J 2015; 46:1563–76.

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