É hora de aposentar o juramento de Hipócrates?

Neil Chesanow

Notificação

21 de fevereiro de 2017

Neste artigo

O juramento hipocrático deveria continuar a definir o padrão ético do cuidado aos pacientes para os médicos de hoje ou é um anacronismo que deveria ser aposentado?

Muitos discordam na resposta.

"Quando você é um médico recém-formado, normalmente acha graça em fazer o juramento em nome de antigos deuses gregos há muito esquecidos", escreveu um cirurgião vascular ao Medscape. "À medida que os anos passam e que você enfrenta casos éticos complicados, o juramento começa a fazer cada vez mais sentido. Às vezes pode ser um fardo, mas permanecer fiel à sua promessa faz você finalmente perceber que o juramento de Hipócrates é uma verdadeira jóia da humanidade, tão verdadeiro e moderno hoje como quando foi escrito pela primeira vez".

Um cirurgião ortopédico ofereceu uma visão contrária.

"Ética e moral são ensinadas muito antes da graduação em medicina", observou ele. "Qualquer juramento é simbólico, e concordar com isso não muda a honestidade ou a compaixão de uma pessoa. A tecnologia avançou muito além da nossa ética, e um juramento de séculos atrás não abrange toda a ciência ou prática médica moderna. Um juramento de alguma forma permanecerá, mas é uma vitrine, muito parecido com nossas vestes acadêmicas".

Um dos mais antigos de sua espécie, o juramento de Hipócrates tem 2400 anos de idade.[1] No entanto, estudantes de medicina prometendo fidelidade ao juramento como um grupo é algo relativamente recente. A prática começou na University of Wittenberg, na Alemanha, em 1508, e teve seus altos e baixos em popularidade até a segunda metade do século 20, quando se estabeleceu como uma tradição na formação médica.

Atualmente, quase todos os estudantes de medicina fazem algum tipo de juramento – seja o hipocrático ou algum que faz parte de um número crescente de alternativas.[2]

Desde a década de 1950 houveram repetidos esforços em modernizar o juramento para mantê-lo relevante.[3] Ele foi modificado, revisado e substituído, as substituições foram revisadas, e revisadas novamente, em uma tentativa de refletir com precisão as mudanças nas expectativas sobre o comportamento ético dos médicos em relação aos pacientes, em um mundo no qual os primeiros frequentemente não dão a última palavra nas decisões sobre o cuidado.

Quais juramentos os médicos têm feito nas últimas décadas? Aqueles que fizeram o juramento de Hipocrátes ainda o consideram relevante para a prática médica? O juramento tradicional deveria ser revisado para refletir as preocupações éticas contemporâneas?

Para descobrir, questionamos estudantes de medicina e médicos em exercício. Também publicamos uma pesquisa on-line que reuniu mais de 2600 respostas de médicos e mais de 200 comentários, muitos deles extensos. Aqui está o que compilamos.

Substituições modernizadas do juramento

Mais da metade (56%) dos médicos entrevistados fizeram o tradicional juramento hipocrático na faculdade de medicina, traduzido do grego antigo.

Três por cento declararamter feito o juramento de Maimônides, um juramento tradicional para médicos atribuído a Maimônides, um médico e filósofo medieval, usado como uma alternativa ao juramento de Hipócrates.

Seis por cento recitaram a declaração de Genebra de 1948, que estabeleceu diretrizes éticas para os médicos após a Segunda Guerra Mundial, por conta das atrocidades cometidas pelos médicos nazistas, reveladas nos julgamentos de Nuremberg.

Cinco por cento proferiram a versão modificada do juramento de Hipócrates escrito em 1964 pelo Dr. Louis Lasagna, reitor acadêmico da Tufts University School of Medicine.

Nove por cento prestaram um juramento alternativo escrito por pelos professores de suas próprias faculdades de medicinas; um por cento recitaram um juramento escrito por suas próprias turmas; e 14% não fizeram nenhum juramento médico.

Três quartos dos participantes (75%) tinham 45 anos de idade ou mais, 12% tinham de 35 a 44 anos; e 9% tinham menos de 34 anos.

Indicações de como a prestação do juramento mudou nos últimos anos foram fornecidas por uma pesquisa realizada em 2009, na qual 98 reitores de faculdades de medicina dos EUA e do Canadá relataram a forma dos juramentos usados em suas instituições.[2] Descobriu-se que o uso do juramento hipocrático estava em declínio. Em 33,3% das faculdades os estudantes faziam o juramento do Dr. Lasagna. O segundo juramento mais utilizado era a Declaração de Genebra (15,6%). Empatados em terceiro, com 11,1%, estavam o tradicional juramento de Hipócrates e "outro", que incluía juramentos escritos por um professor da faculdade, pelos alunos, ou pelos dois em conjunto.

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