O risco de retinopatia diabética reduz com dieta rica em PUFAs marinhos: PREDIMED

Marcia Frellick

Notificação

31 de agosto de 2016

Comer pelo menos duas porções por semana de peixes oleosos, ricos em ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) ômega-3, pode ajudar pessoas de meia idade ou mais velhos com diabetes tipo 2 a reduzir seu risco de retinopatia diabética, sugere uma análise post hoc de um grande estudo de dieta.

Após ajustar para fatores como idade, sexo e grupo de intervenção, os pesquisadores do ensaio PREDIMED descobriram que os participantes que tinham 55 anos ou mais e consumiam pelo menos 500 mg/dia de PUFAs ômega-3 mostraram um risco 48% menor de incidência de retinopatia diabética em comparação com os que consumiam menos de 500 mg/day (hazard ratio, 0,52; p = 0,001).

"Reduções maiores de risco foram observadas em participantes com hipertensão, pessoas com diabetes por mais de 5 anos e naqueles tratados com insulina no início do estudo", de acordo com o relatório de Aleix Sala-Vila, pesquisador em CIBER-Fisiopatología de la Obesidad y Nutrición, Institut d'investigacions Biomèdiques August Pi i Sunyer, em Barcelona, ​​na Espanha, e colaboradores, publicado online em 18 de agosto no JAMA Ophthalmology.

Os resultados estão de acordo com achados de modelos experimentais e com o que os pesquisadores já sabem sobre como o ômega-3 afeta a retinopatia diabética, de acordo com o grupo.

"É fato que a quantidade de ômega-3 no nosso corpo e, portanto, em nossa retina, pode ser modulada pela dieta", Sala-Vila disse ao Medscape Medical News. "Um consumo mantido de duas porções semanais de peixes oleosos vai aumentar os níveis de ômega-3 nas células. Isso preveniria ou pelo menos agiria contra a inflamação no nosso corpo, um componente-chave no surgimento e na progressão da retinopatia diabética. Nossos dados reforçam a ideia até hoje explorada apenas em animais".

Sala-Vila disse que não está claro se os suplementos podem ter o mesmo efeito que o consumo de peixe e destacou possíveis dúvidas levantadas pelo estudo ORIGIN (N Engl J Med 2012;367:309-318). O estudo não mostrou redução de eventos cardiovasculares ao longo de 6 anos para participantes inicialmente com alto risco cardiovascular que tomaram um suplemento de 1000 mg/dia de PUFAs ômega-3.

Os autores do estudo atual resumem sua contribuição para a literatura: "Nossos resultados suportam a visão de que o consumo regular de peixes oleosos pode ser benéfico para retardar o surgimento ou progressão de doenças vasculares em leitos arteriais além do coronariano e cerebral".

Estudo baseado em dados do PREDIMED

Os dados analisados foram de pessoas com diabetes tipo 2 no PREDIMED, um ensaio de intervenção nutricional realizado na Espanha, que avaliou dietas mediterrâneas suplementadas com azeite de oliva extra virgem ou nozes em comparação com uma dieta controle com baixo teor de gordura para a prevenção cardiovascular primária.

A presente análise é baseada em uma subcoorte de 3614 pessoas com diabetes tipo 2 no início do estudo PREDIMED, cuja idade variou de 55 a 80 anos. Dados completos estavam disponíveis para 3482 participantes (48% homens, com média de idade de 67 anos). O consumo de alimentos foi avaliado no início e anualmente por 6 anos de acompanhamento usando uma pesquisa de frequência alimentar de 137 itens validado para o estudo PREDIMED. Em seguida, os pesquisadores entrevistaram participantes quanto à frequência de consumo de cada item alimentar no último ano e questionou sobre os tamanhos habituais das porções.

O desfecho principal foi a incidência de retinopatia diabética exigindo fotocoagulação a laser, vitrectomia e/ou terapia antiangiogênica. Após um acompanhamento de cerca de 6 meses, os pesquisadores encontraram 69 novos eventos de retinopatia diabética.

Benefícios ainda maiores nos Estados Unidos?

Em um editorial de acompanhamento, o Dr. Michael Larsen, do Departamento de Oftalmologia, Rigshospitalet-Glostrup e University of Copenhagen, em Glostrup, Dinamarca, observa que o estudo foi realizado na Espanha, principalmente em grandes centros urbanos, onde o peixe é o prato principal das refeições.

"Peixes e nozes já fazem parte da cultura alimentar, disponíveis em todos os supermercados, cafeteria e restaurantes e na maioria das residências". Não é nenhuma surpresa, ele diz, que 75% (2611 participantes) tinham os níveis de consumo alvo de ômega-3 no início do estudo.

Ele disse ao Medscape Medical News que o potencial para mudança na prevenção da retinopatia diabética é maior nos Estados Unidos, onde o consumo de peixes e nozes (também ricos em PUFAs ômega-3) é muito menor.

"Se os resultados podem ser verificados e se eles também se aplicam para o estrato mais baixo da escala de ômega-3, onde muitos de nós estamos, as implicações para a saúde pública serão consideráveis", escreve ele. "O valor potencial de uma mudança em larga escala para uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 merece séria atenção".

Este estudo foi financiado em parte pelo Ministério da Ciência e Inovação da Espanha e pelo Instituto de Salud Carlos III, na Espanha; Centro Nacional de Investigaciones Cardiovasculares; Miguel Servet I; e Juan Rodes. CIBER Fisiopatologia de la Obesidad y Nutrición é uma iniciativa do Instituto de Salud Carlos III, na Espanha. Sala-Vila não relata relações financeiras relevantes; declarações dos coautores estão listadas no artigo. O Dr. Larsen relata doações e taxas pessoais de Eli Lilly, Novo Nordisk, Alcon, GlaxoSmithKline, Roche, Allergan, Bayer, AstraZeneca e Novartis.

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JAMA Ophthalmol. Publicado online em 18 de agosto de 2016. Artigo, Editorial

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