Risco de convulsão febril após vacinas múltiplas é baixo

Jennifer Garcia

Notificação

20 de junho de 2016

O risco para convulsão febril em crianças com menos de dois anos de idade após vacinação é pequeno e deve ser avaliado em relação ao benefício potencial da vacinação de acordo com o calendário, de acordo com um novo estudo publicado online em 6 de junho no periódico Pediatrics.

"Nossos resultados sugerem que o risco de convulsão febril aumenta após certas associações de vacinas, mas o risco absoluto de convulsão febril depois dessas combinações é pequeno", escreve o autor principal Dr. Jonathan Duffy, do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Atlanta, Georgia, com seus colegas.

Os pesquisadores revisaram dados de 1.915.108 eventos vacinais obtidos do Vaccine Safety Datalink, uma colaboração entre o CDC e várias organizações de saúde, para avaliar o risco de CF depois da administração da vacina contra influenza, isoladamente ou em combinação com outras vacinas.

Para controlar outros fatores, os autores usaram um método de intervalo de risco autocontrolado para analisar os dados, com o intervalo de risco definido como o dia da vacinação e o dia seguinte (dias 0 – 1). Eles definiram como período de controle os dias 14 a 20 após a vacinação. O intervalo de controle foi designado para representar "um período de tem no qual nem as vacinas inativadas nem as vivas atenuadas induzem febre e risco de CF".

No total eles identificaram 333 casos de convulsão febril confirmados em prontuário entre crianças de seis a 23 meses de idade, durante as temporadas de influenza entre 2006 e 2011. Desses, 103 casos ocorreram no período de intervalo de risco e 230 no período de controle.

As crianças incluídas tinham entre seis e 23 meses de idade e foram estratificadas em dois grupos: o grupo do intervalo de risco (n = 103), composto de crianças que apresentaram convulsão febril em até um dia após receber pelo menos uma vacina de qualquer tipo; e o grupo intervalo controle, consistindo de crianças com uma convulsão febril dentro de 14 a 20 dias após a vacinação (n = 230).

Os pesquisadores descobriram que a administração simultânea da vacina conjugada para pneumococo (VCP) junto com uma vacina de influenza inativada (VII3), ou vacina de prevenção de difteria/tétano/pertussis acelular (DTPa), aumentou o risco absoluto para convulsão febril em 30 por 100.000 crianças vacinadas, quando comparado com o risco de convulsão febril se as vacinas fossem administradas em dias separados.

Os autores do estudo também descobriram que, após ajuste para o recebimento de vacinas concomitantes, apenas a vacina pneumocócica 7-valente esteve associada com um risco aumentado independente de convulsão febril (razão de taxa de incidência [RTI], 1,98; intervalo de confiança [IC] 95%, 1,00 – 3,91). A vacina contra influenza (VII3) não teve risco independente (RTI 0,46; IC 95%, 0,21 – 1,02); no entanto, o risco aumentou quando a VII3 foi administrada com a VCP (RTI 3,50; IC 95%, 1,13 – 10,85) ou uma vacina contendo DTPa (RTI 3,50; IC 95%, 1,52 – 8,07). Os pesquisadores observam, entretanto, que o risco para convulsão febril pode variar anualmente com base em diferenças na formulação da vacina.

Os autores definiram convulsão febril "como uma convulsão com uma temperatura registrada ≥ 38°C (100,4°F) ou um relato de febre pelo cuidador dentro de 24 horas, ou um diagnóstico clínico de convulsão febril, excluindo pacientes com infecção intracraniana, distúrbio metabólico, ou história de convulsão febril".

Em um comentário que acompanhou o estudo, o Dr. Mark H. Sawyer e colegas do Comitê de Doenças Infecciosas da American Academy of Pediatrics observaram que esses achados significam que "seria esperado ver no máximo uma criança com convulsão febril a cada cinco a 10 anos devido a administração conjunta dessas vacinas nos primeiros dois anos de vida".

Os autores reconhecem as limitações do estudo, como a inabilidade de estudar cada combinação única de vacinas e o baixo número total de casos de convulsões febril. Eles observam, no entanto, que ao combinar os dados de várias temporadas de influenza, as interações de duas e três vias entre a VII3 e outras vacinas puderam ser avaliadas.

Os autores do estudo e os comentaristas concordam que há risco de convulsão febril quanto essas vacinas são administradas juntas; no entanto, reconhecem que o benefício da vacinação no momento certo nesse grupo etário supera o risco. "Os benefícios de dar essas vacinas simultaneamente incluem a redução das visitas ao médico associadas com vacinas dolorosas, menos episódios de irritabilidade associada a vacina, e, mais importante, a certeza de que a criança estará totalmente imunizada e protegida de infecções que têm uma morbidade e mortalidade reais", escrevem o Dr. Sawyer e colegas.

O financiamento desse estudo foi fornecido pelo CDC. Os autores e comentaristas não declararam relações financeiras relevantes.

Pediatrics. Publicado online em 6 de junho de 2016. Resumo Editorial

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