EUA registram primeiro caso de E. coli resistente aos antibióticos de última geração

Notificação

1 de junho de 2016

Pesquisadores detectaram nos Estados Unidos o primeiro caso conhecido de bactérias resistentes à colistina, antibiótico de última geração, exacerbando o medo das superbactérias que podem transformar uma infecção comum em doença mortal.

O caso em questão é o de uma paciente de 49 anos do estado de Pennsylvania, tratada de infecção urinária em uma clínica em abril deste ano. Sua cultura de urina revelou uma cepa de Escherichia coli posteriormente identificada como sendo resistente à colistina. Os resultados foram publicados online no periódico Antimicrobial Agents and Chemotherapy.

Em uma palestra realizada em 26 de maio no National Press Club, o diretor do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) disse que o estudo é uma convocação para a produção de novos antibióticos e seu uso criterioso.

"O armário de remédios está vazio para alguns pacientes", disse o diretor do CDC o Dr. Thomas Frieden. "Será o fim da linha para os antibióticos se não agirmos com urgência".

O que é ainda mais alarmante sobre o caso dessa paciente da Pennsylvania é que a E. coli tornou-se resistente à colistina não por mutação, mas pela aquisição de um fragmento de DNA chamado plasmídeo que carrega o gene da resistência. Esses plasmídeos se transmitem facilmente de uma bactéria para outra.

"A recente descoberta de um gene de resistência à colistina transmitido por plasmídeo, o mcr-1, pressagia o aparecimento de bactérias verdadeiramente panresistentes" registram os autores, todos associados ao Walter Reed National Military Medical Center em Maryland.

Embora os autores digam que este é o primeiro relato de mcr-1 nos Estados Unidos, o gene da resistência à colistina já apareceu em bactérias em outros países, em especial na China.

A paciente da Pennsylvania informou não ter viajado nos últimos cinco meses. O estudo não informou o seu quadro clínico atual.

"Uma vigilância ininterrupta para determinar a real frequência deste gene nos EUA é crucial", observam os autores.

Em seu discurso de hoje, o Dr. Frieden referiu-se à colistina como o último antibiótico disponível "para o que eu chamo de bactérias de pesadelo, as enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos (ERC)".

Acontece que a infecção da paciente da Pennsylvania não é resistente aos carbapenêmicos, disse outro funcionário do CDC ao Medscape. No entanto, o Dr. Christopher Braden, médico, diretor-adjunto do National Center for Emerging and Zoonotic Infectious Diseases do CDC, advertiu que o gene de resistência à colistina transmitido por plasmídeo poderia se transferir para as ERC ou qualquer outra superbactéria, tornando-as ainda mais letais.

O CDC e o Departamento de Defesa dos EstadosUnidosestão trabalhando junto com o Departamento de Saúde do estado da Pennsylvania (na sigla em inglês, DPH)para investigar o caso da E. coli resistente à colistina, segundo um comunicado de imprensa do DPH. O departamento informou que uma lei estadual impede a revelação dos detalhes específicos sobre a investigação ou a paciente.

Antimicrob Agents Chemother. Published online May 26, 2016.Texto completo

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