O que você precisa saber sobre a ligação entre narcolepsia e vacina contra influenza H1N1

Dra. Carla Vorsatz

Notificação

5 de maio de 2016

Em 15 de abril de 2016 o Ministério da Saúde do Brasil publicou uma nota de esclarecimento sobre os casos de narcolepsia relacionados com a vacina contra a influenza H1N1.[1]  Essa nota foi publicada em virtude da grande divulgação nas redes sociais dos casos de narcolepsia ocorridos na Europa durante a pandemia de 2009.

Apresentamos a seguir um resumo sucinto sobre narcolepsia e sua relação com a vacina contra a influenza A/H1N1, bem como links para material de consulta e auxílio na tomada de decisões terapêuticas nos casos de influenza A/H1N1.

Narcolepsia

A narcolepsia é um quadro neurológico formado por cinco sintomas: sonolência diurna excessiva, alterações do sono noturno, paralisia do sono, cataplexia e alucinações hipnagógicas ou hipnopômpicas. Nem todos os sintomas estão presentes em todos os casos e a sua gravidade é variável.[2]

Na doença existe tipicamente a perda de aproximadamente 70.000 células secretoras de hipocretina no hipotálamo. A hipocretina é um neurotransmissor também conhecido como orexina, descoberto e batizado ao mesmo tempo por dois pesquisadores diferentes em 1998, sendo um importante neuropeptídeo de origem hipotalâmica que atua na regulação do sono-vigília.

A incidência de narcolepsia é de cerca de 20 casos por 100.000/habitantes, entre 0,3 e 0,6 por 100.000 pessoas/ano, e acredita-se que suas causas estejam relacionadas com fatores genéticos e ambientais. Entretanto, a hipótese de etiologia autoimune tem ganhado força nos últimos anos.[3,4,5,6,7,8,9]

Casos de narcolepsia pós-vacinal

Desde agosto de 2010, após a campanha de imunização contra a influenza A/H1N1 na pandemia de 2009, têm sido registrados casos de narcolepsia pós-vacinal, especialmente entre crianças e adolescentes. Os índices informados na Finlândia, na Suécia e na Islândia foram significativamente maiores que os dos outros países. O risco estimado pelas autoridades de saúde pública na Finlândia é de um caso a cada 12.000 indivíduos vacinados nesta faixa etária.[10]

A única vacina utilizada na Finlândia e na Suécia foi a Pandemrix, da GlaxoSmithKline, vacina monovalente de influenza A/H1N1 com adjuvantes, dentre os quais o ASO3, que foi considerado o possível responsável pelos casos de narcolepsia observados. Adjuvantes são substâncias acrescentadas à vacina para estimular a resposta imunológica do organismo, podendo assim diminuir a quantidade de antígeno viral utilizado em sua preparação.[11]

Desde então foram registrados casos isolados de narcolepsia pós-vacinal em todo o mundo, com publicação de estudos e relatórios na literatura indexada. O tema é atualmente objeto de estudo publicações de eminentes pesquisadores em todo o mundo, e a implicação do próprio vírus na etiologia da doença ainda está sendo pesquisada.[12]

A nota informativa do Ministério da Saúde esclarece que a vacina utilizada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) nesta sua 18ª Campanha contra a influenza que se iniciou em abril não apresenta em sua composição o adjuvante ASO3 implicado na etiologia da narcolepsia pós-vacinal, sendo portanto considerada segura e devendo ser utilizada de acordo com as diretrizes do PNI, priorizando temporalmente os grupos de risco até alcançar a cobertura universal almejada.

A Sociedade Brasileira de Infectologia disponibiliza para toda a comunidade médica um Informe Técnico sobre influenza A/H1N1, bem como o Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica da Influenza do Ministério da Saúde.

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