Embora não se possa descartar, não é provável que o larvicida usado para matar mosquitos na água potável no Brasil esteja associada ao aumento de microcefalia observado no país, afirmou o Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), em uma conferência com a imprensa.
Um grupo argentino, Médicos em Localidades com Pulverização da Colheita (no original, em inglês: Physicians in the Crop-Sprayed Villages) , foi o primeiro a alegar que o larvicida piriproxifeno era a provável causa no aumento de malformações congênitas em um artigo que teve muita repercussão nas redes sociais.
“Esta é uma teoria difícil de ser refutada neste momento”, disse o Dr. Fauci. Mas, ele acrescentou, “deve-se ainda explicar as evidências crescentes de vírus no cérebro de natimortos”.
O Dr. Tom Frieden, diretor do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), afirmou que autoridades federais “ainda não consideram que o Zika tenha uma associação causal definitiva” com a microcefalia, mas que dados epidemiológicos e laboratoriais “sugerem fortemente uma associação entre microcefalia e Zika na gravidez”.
A determinação final virá “com estudos caso-controle minuciosos”, disse o Dr. Fauci. Esses estudos começaram no Brasil e “dirão se existe ou não uma conexão e qual a magnitude desta associação”, ele disse, acrescentando que espera respostas em poucos meses.
“Ação urgente”
Tanto o NIAID quanto o CDC estão atualmente deslocando dinheiro de outros programas para financiar os esforços com o Zika, como auxiliar pesquisadores brasileiros. O presidente Obama requisitou 1,8 bilhão de dólares de verbas emergenciais para combater o Zika, incluindo controle do mosquito, desenvolvimento de vacina, teste diagnóstico, estudos epidemiológicos e auxílio a parceiros estrangeiros, mas o Congresso ainda tem que aprovar.
“Quanto mais cedo o Congresso agir, melhor”, disse o Dr. Frieden, destacando que o CDC tem 500 membros trabalhando com Zika.
Muitos deles estão em Porto Rico, que teve transmissão local e necessita de “ação urgente”, disse o Dr. Frieden. Oitenta a noventa por cento dos adultos na ilha estão infectados com dengue, e 25% foram infectados com chikungunya no último ano, ele afirmou. Ambas as doenças virais são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite o Zika.
Existe “uma preocupação de que pode haver uma introdução rápida e disseminada do Zika”, disse o Dr. Frieden, que chamou o Aedes aegypti “a barata dos mosquitos”, devido à dificuldade em matá-lo.
O CDC também está se preparando para “centenas, se não milhares, de viajantes voltando com zika”, disse o Dr. Friedman. A cada ano, 40 milhões de americanos viajam para países e territórios onde o Zika foi identificado.
O Dr. Frieden não disse se pode chegar a haver alguma restrição de viagem, como foi discutido durante o surto de Ebola em 2014.
Ele e o Dr. Fauci afirmaram que a crise do Ebola ensinou ao mundo a importância de se manter sistemas sentinelas para detectar e conter essas doenças. “A lição do Ebola é: não deixe alguma coisa chegar à frente de você”, disse o Dr. Fauci.
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Citar este artigo: Autoridades afirmam que não há evidência de que larvicida esteja associado a microcefalia - Medscape - 26 de fevereiro de 2016.
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