Deslize para avançar

A medicina está cada vez mais feminina: eis a nossa homenagem a algumas pioneiras na profissão

Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dentro de dois anos, as mulheres serão maioria na medicina. Desde 2009, as mulheres já são maioria entre os novos registros nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), e a cada ano há mais mulheres do que homens inscritos. Em alguns estados, como Alagoas, Rio de Janeiro e Pernambuco, a população feminina já representa mais da metade da força de trabalho na medicina: 51,6%, 50,9% e 50,2%, respectivamente. [1,2] No entanto, a igualdade de gênero ainda está longe de ser alcançada nesta profissão.

Mesmo quando considerada a carga horária e a especialização, a remuneração das mulheres ainda é inferior à dos homens. A composição dos conselhos de medicina, das associações de especialistas e das entidades trabalhistas também é predominantemente masculina. Isso se repete nos cargos de chefia dos serviços de saúde, tanto públicos como privados. As mulheres também são sub-representadas em 36 das 55 especialidades médicas reconhecidas no Brasil.

Mas há exceções, que podem ser um sinal de mudança. Destacamos a seguir 10 médicas que, em distintas áreas, circunstâncias e momentos, furaram a "bolha do gênero" e se tornaram referência para as gerações seguintes.

A medicina está cada vez mais feminina: eis a nossa homenagem a algumas pioneiras na profissão

Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Angelita Habr-Gama

O pai se opôs ao seu desejo de prestar vestibular para medicina. O chefe da residência tentou dissuadi-la de se dedicar ao centro cirúrgico. Mas a Angelita Habr-Gama seguiu em frente e inaugurou a presença feminina em diversos espaços, fundou e preside a Associação Brasileira de Prevenção de Câncer do Intestino, mudou o paradigma do tratamento do câncer de reto inferior ─ no mundo ─, recebeu o título de professora emérita pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e, em abril de 2022, entrou para o ranking de 100 cientistas mais influentes do mundo indicado por pesquisadores da Stanford University, nos Estados Unidos.

A Dra. Angelita foi a primeira residente de cirurgia mulher do Hospital das Clínicas da FMUSP, a primeira estagiária mulher no St. Mark's Hospital, na Inglaterra, a primeira mulher a se tornar membro honorário da American Surgical Association e a primeira professora titular de cirurgia no Departamento de Gastroenterologia da FMUSP ─ onde fundou a disciplina de coloproctologia e o primeiro programa de residência na especialidade no Hospital das Clínicas da FMUSP.

Em 2020, a Dra. Angelita passou 54 dias na unidade de terapia intensiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em função de uma infecção pelo SARS-CoV-2. Em entrevista ao Medscape em 2022, ela contou que, após a alta, não levou mais de 10 dias para voltar ao trabalho, e ainda acrescentou aulas de xadrez à rotina. "Levantar e trabalhar me dá muita alegria. O trabalho é meu grande hobby. Nunca, felizmente, ninguém me viu lamentar da vida." Atualmente aposentada, ela ainda atende em seu consultório particular no Instituto Angelita e Joaquim Gama no Hospital Oswaldo Cruz.

A medicina está cada vez mais feminina: eis a nossa homenagem a algumas pioneiras na profissão

Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Dulce Pereira de Brito

Professora de Clínica Médica na FMUSP, assistente clínica de residência no Hospital das Clínicas da FMUSP e chefe do Serviço de Promoção da Saúde e Bem-estar Corporativo do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), a Dra. Dulce Brito é uma das únicas mulheres negras no Brasil a ocupar um cargo de alta chefia na saúde.

A Dra. Dulce é graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista em Clínica Médica, Medicina de Urgência e Terapia Intensiva e subespecialista em Promoção da Saúde.

Ela criou o programa OUVID para oferecer apoio psicológico aos colaboradores do HIAE e os respectivos familiares. E também coordena a pós-graduação em Gestão de Saúde Mental e o treinamento de milhares de gestores e líderes corporativos para as empresas associadas ao HIAE: "nós rompemos uma barreira do estigma de falar sobre saúde mental dentro das organizações", afirmou.

Em relação ao seu maior destaque até o momento, a Dra. Dulce afirmou que "foi na pandemia de covid-19, liderando um projeto de saúde mental de apoio aos colaboradores do hospital na linha de frente". Segundo ela, "como mulher, negra, professora da Faculdade de Medicina da USP, head de uma área dentro do Einstein, ter esse espaço de fala sendo uma liderança reconhecida, isso seja, talvez, a maior bolha que eu furei, porque quase não tenho pares", concluiu a médica, que é membro do Comitê Estratégico de Diversidade e Inclusão Einstein.

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Margareth Dalcolmo

Antes da pandemia de covid-19, a infectologista Dra. Margareth Dalcolmo já havia construído uma sólida carreira acadêmica na área de tuberculose e outras micobacterioses. No periodo pandêmico, no entanto, ela se tornou uma das principais vozes da ciência no país ao se pronunciar inúmeras vezes nos maiores veículos de imprensa com uma defesa clara e eloquente das melhores evidências científicas para a definição de políticas públicas para o enfrentamento da crise sanitária, social e humanitária causada pelo SARS-CoV-2.

Pesquisadora sênior da Fundação Oswaldo Cruza (Fiocruz), presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e a quinta mulher a se tornar membro da Academia Nacional de Medicina, a Dra. Margareth fundou e dirigiu o ambulatório do Centro de Referência Professor Hélio Fraga da Fiocruz, é membro do Comitê Regional de Apoio a Projetos nas Áreas de Doenças Respiratórias Ocupacionais e Tuberculose para a África Subsaariana do Banco Mundial e integra o grupo de peritos para aprovação de medicamentos essenciais da Organização Munidal da Saúde (OMS).

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Eloisa Bonfá

A Dra. Eloisa Bonfá é a primeira diretora mulher da FMUSP ─ em 110 anos de história da instituição. Também é a primeira reumatologista a ocupar uma cadeira de titular na Academia Nacional de Medicina e, aos 40 anos de idade, a primeira mulher titular da disciplina de reumatologia do Departamento de Clínica Médica da FMUSP.

Nos últimos 11 anos, a Dra. Eloisa foi diretora clínica do Hospital das Clínicas da FMUSP, inclusive durante a pandemia de covid-19, e integrou o Comitê de Contingência da Covid-19 do Estado de São Paulo.

Na ciência e no ensino, ela marca a sua importância nos 358 artigos publicados em periódicos internacionais e nacionais, e por ter orientado 14 alunos de iniciação científica, 30 doutorados, 13 mestrados e 7 pós-doutorados.

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Myrian Krexu

Aos 34 anos, a Dra. Myrian Krexu é a primeira cirurgiã cardíaca indígena do Brasil. Criada na aldeia Rio das Cobras, no Paraná, da etnia Guarani Mbya, a Dra. Myrian Krexu se formou em medicina pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná e especializou em cirurgia cardiovascular pelo Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.

Atualmente, ela realiza projetos com as comunidades indígenas; o mais recente focado na construção de hortas medicinais.

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Ana Paola Brasil Medeiros

Ela foi a primeira mulher oficial-general diretora do Departamento de Saúde e Assistência Social do Ministério da Defesa

O cargo envolve nível estratégico de decisão com as três entidades das Forças Armadas do Brasil (Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira), nas quais as mulheres são minoria. A Dra. Ana Paola ingressou na Força Aérea Brasileira em 1993 e teve passagens importantes como Comandante do Esquadrão de Saúde da Base Aérea de Porto Velho, Diretora do Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (Imae), Diretora do Hospital de Força Aérea de Brasília (HFAB), entre outras.

Especialista em anestesiologia, a Dra. Ana Paola fez MBA (Master of Business Administration) em Gestão em Saúde na Universidade Federal Fluminense, Pós-Graduação em Auditoria em Saúde na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e especialização em Medicina Aeroespacial.

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Mariana Perroni

Palestrante do TEDx em tecnologia e saúde e keynote speaker em saúde, inovação e futurismo, a Dra. Mariana Perroni é a única médica da América Latina no time Clinical Lead no Google. Ela é médica intensivista e se destaca por seu papel na integração entre saúde, inovação e tecnologia. O Social Selling Index (SSI) do seu perfil no LinkedIn está no top 1% de perfis em saúde do Brasil. É mentora de startups e presta consultoria em temas de HealthTech

 A Dra. Mariana foi diretora médica de inovação e saúde digital do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e a primeira médica da IBM Watson Health na América Latina. Na IBM, fez parte do conselho estratégico HOPE team Global Clinical Council e do Technical Leadership Council.

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Sheila Martins

A neurologista gaúcha Dra. Sheila Martins preside a World Stroke Organization (WSO), que representa 55 mil especialistas em acidente vascular cerebral (AVC) do mundo inteiro, a. Esta é a primeira vez que a WSO é comandada por uma profissional de um país em desenvolvimento.

Atuando na sensibilização de autoridades e na elaboração de planos de enfrentamento com governos, a Dra. Sheila tem contribuido para a implantação de planos nacionais no Chile, no Peru, na Argentina, no Paraguai, no Uruguai, na Colômbia e no México, e participou de reuniões com representantes da Rússia e dos Emirados Árabes.

Cofundadora da Rede Brasil AVC, a Dra. Sheila implantou, junto ao Ministério da Saúde do Brasil, centros de tratamento de AVC adequados aos recursos e às características de cada região, além de ter sido responsável pela implementação da telemedicina em AVC no país.

A Dra. Sheila também é chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, Coordenadora do Programa de AVC no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Beatriz Grinsztejn

Eleita presidente da International AidsSociety (IAS), a Dra. Beatriz Grinsztejn será a primeira mulher latino-americana a ocupar o cargo. De 2024 a 2026, a infectologista liderará a associação de profissionais especializados em vírus da imunodeficiência humana (VIH)/síndrome da imunodeficiência adquirida (sida), que reúne mais de 12.000 pesquisadores, profissionais de saúde, gestores e representantes de movimentos sociais de 170 países.

Além de chefiar o Laboratório de Pesquisa Clínica em infecções sexualmente transmissíveis e sida do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, a Dra. Beatriz atua como docente, consultora do Ministério da Saúde do Brasil e participa de comissões da OMS e OPAS. Ela também é conselheira dos periódicos The Lancet HIV e Journal of the International AIDS Society.

Entre as suas contribuições, destacam-se várias pesquisas que subsidiaram a implementação da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao VIH no Brasil.

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Equipe Medscape Professional Network | 23 de janeiro de 2023 | Autores

Dra. Fernanda Tovar-Moll

Cofundadora e presidente do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino, a Dra. Fernanda Tovar-Moll fez o curso técnico de biotecnologia aos 14 anos e, aos 18, fez estágio de iniciação científica, cursando o primeiro período da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Hoje, ela é presidente do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Seu cargo envolve a gestão de mais de 100 pesquisadores que têm colaborações internacionais com mais de 60 países e que, apenas nos últimos dois anos, publicaram mais de 400 artigos científicos nas áreas de neurociência, terapia intensiva, medicina interna, oncologia e pediatria.

Doutora em Ciências Morfológicas pela UFRJ com pós-doutorado em Neuroimagem nos Estados Unidos (National Institutes of Health, Maryland), atua como pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e tem como foco os distúrbios do desenvolvimento, neurológicos e neurodegenerativos.

Dra. Fernanda foi membro afiliada da Academia Brasileira de Ciências (filiação limitada a cinco anos para jovens pesquisadores de excelência) e fundou o IDOR junto com seu marido, o Dr. Jorge Moll Neto, e com o apoio do sogro, o Dr. Jorge Moll Filho, também médico e fundador da Rede D'Or.

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Referências