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Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos Brasil e Portugal – 2022

Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Para fazer um pé-de-meia, iniciar uma mudança na carreira (ou de carreira) ou mesmo ter um hobby, muitos médicos recorrem ao trabalho extra informal. O Medscape em português buscou compreender o perfil desses profissionais e de suas atividades extras por meio da Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos.

Médicos residentes, generalistas e de mais de 40 especialidades, atuantes no Brasil e em Portugal, contaram se faziam trabalhos informais paralelos, bem como as especificidades dessas atividades, em uma enquete disponibilizada on-line para os leitores de Medscape e Univadis entre 25 de fevereiro e 31 de maio de 2022. No total, 2.193 médicos participaram da pesquisa: 1.187 homens e 999 mulheres. Destes, 700 tinham menos de 45 anos e 1.493, a partir de 45 anos de idade.

Neste slideshow, compartilhamos os principais dados obtidos na pesquisa.

Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos Brasil e Portugal – 2022

Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Definindo os termos

Para a pesquisa, "trabalho extra informal" foi definido como: "Um trabalho a tempo parcial no qual você ganha dinheiro extra",por exemplo, perícia médica judicial, consultoria médica para empresas, orientação médica para treinamento desportivo, fotografia ou até rendimento de investimentos financeiros, como aluguel de propriedades. Essas atividades foram classificadas entre "relacionadas com a medicina" e "não médicas", ou seja, trabalhos extras realizados dentro e fora da área médica. No primeiro caso, "consultoria médica" foi mais popular (21%) e, no segundo caso, a categoria "investimentos e/ou orientação sobre investimentos" ganhou o pódio entre os participantes (27%).

No total, 685 dos 2.193 respondentes da pesquisa (34% dos portugueses e 31% dos brasileiros) afirmaram que tinham algum trabalho extra informal, dos quais 34% relacionados com a medicina e 27% não médicos.

Veja nos dois slides a seguir os tipos de trabalho informados na pesquisa.

Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos Brasil e Portugal – 2022

Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos Brasil e Portugal – 2022

Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos Brasil e Portugal – 2022

Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Trabalhar ‘por fora’... por quê?

A motivação para se dedicar a uma atividade paralela variou entre os médicos respondentes. Mas com a categoria "investimentos e/ou orientação sobre investimentos" à frente das atividades extras não médicas, não surpreende que "ganhar dinheiro extra" tenha liderado, com folga, o ranking (53%) dos principais objetivos mencionados pelos participantes para se dedicarem a um trabalho extra, seguido por "começar a construir uma segunda carreira para quando me aposentar da medicina" (15%) e "usar ou aprimorar minhas habilidades" (10%).

Na comparação entre os profissionais brasileiros e portugueses, "ganhar dinheiro extra" foi mais importante para os portugueses, com 65% dos respondentes indicando esse objetivo versus 50% dos brasileiros, para os quais "começar a construir uma segunda carreira para quando me aposentar da medicina" ficou em segundo lugar, com 17% das respostas.

Poucos médicos, independentemente da idade, do gênero ou da nacionalidade, indicaram diversão como o motivo para se ter um trabalho extra.

Pesquisa Medscape: Trabalho extra informal e renda complementar dos médicos Brasil e Portugal – 2022

Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

E manter um trabalho extra paga bem?

A disputa pela maioria foi acirrada, mas o "não" prevaleceu, com mais mulheres, pessoas acima de 45 anos, e brasileiros indicando que não ganham bem com o trabalho informal.

Ao estimar o quanto ganharam com o trabalho informal ao longo de 2021, os médicos portugueses indicaram uma média de 13.700 euros e os brasileiros, de 41.400 reais. Já em termos de perspectiva, brasileiros e portugueses estimaram que, em curto prazo, esperam ganhar no máximo 77.000 reais e 15.800 euros por ano, respectivamente.

No recorte por gênero, a média anual de remuneração extra das mulheres foi menor do que a dos homens: 44.560 reais vs. 35.968 reais. E na comparação por faixa etária, o grupo ≥ 45 anos levou vantagem, com um ganho médio de 45.296 reais por ano vs. 33.886 reais para o grupo < 45 anos*.

*Dados deste grupo referentes ao Brasil. Portugal não atingiu o mínimo de respostas necessário para essa comparação.

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Renda antes da covid-19

Quando perguntados sobre se a pandemia de covid-19 os fez buscar um trabalho extra informal, 68% dos respondentes disseram que não. Quem já se dedicava ao trabalho extra há mais de dois anos foi solicitado a compartilhar o quanto costumava ganhar com a atividade antes da pandemia de covid-19. Os médicos portugueses indicaram aproximadamente 14.000 euros por ano e os brasileiros, 41.100 reais por ano. Apesar da discreta diferença em relação ao montante recebido em 2021, 32% dos participantes afirmaram que as circunstâncias relacionadas com a pandemia, como fechamento de consultórios, demissões e redução no número de pacientes, os levaram a buscar outro tipo de trabalho extra informal – e esse movimento aparentemente não gerou um impacto significativo na renda associada ao trabalho informal dos médicos.

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Trabalho extra é igual a capacitação extra

Aventurar-se em uma nova empreitada pode exigir a aquisição de "novos truques", isto é, talvez seja necessário investir em desenvolver e/ou aprimorar habilidades específicas. Em relação à necessidade de capacitação extra, 78% dos participantes disseram que precisaram "aprender coisas novas para poder realizar ou ter sucesso no trabalho extra informal", e sobre os métodos de aprendizado, 67% recorreram a cursos/tutoriais (presenciais ou on-line), 60% buscaram conhecimento por meio de leituras, 41% preferiram conversar com outras pessoas, 10% frequentaram uma escola (ensino formal) e 11% utilizaram outros recursos.

Segundo os resultados, a maioria dos respondentes também leu livros de instrutores/especialistas em finanças (23%) ou consultou esses profissionais pessoal ou virtualmente (35%) para aprender estratégias comerciais, táticas ou conhecimentos, com o intuito de obter sucesso em seu trabalho extra informal. Na mesma linha, a maioria dos médicos indicou que o aprendizado de conhecimentos específicos para gerenciar um negócio seria muito (48%) ou ao menos um pouco benéfico (35%).

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Falta tempo

Em uma carreira marcada pela longa formação e as extensas jornadas de trabalho, nem sempre é possível investir muito tempo em atividades paralelas. Sobre o nível de flexibilidade no principal trabalho como médico, de modo a permitir alguma dedicação a um trabalho extra informal, 28% dos participantes referiram pouca e 13% reportaram nenhuma flexibilidade. Mais homens marcaram a opção "muita flexibilidade", em comparação com as mulheres: 26% vs. 18%.

A falta de tempo também ganhou destaque quando o assunto foram os "principais obstáculos para ganhar todo o dinheiro que poderia com seu trabalho extra informal", com 38% dos respondentes indicando falta de tempo suficiente para se dedicar à atividade e, na mesma linha, 33% afirmaram que buscam "manter um equilíbrio razoável entre a vida privada e o trabalho".

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Tempo de estrada

Por falar em tempo, a maioria dos médicos que realizam algum trabalho extra, tanto os brasileiros quanto os portugueses, já o fazem há anos. Os resultados mostram que a mediana de anos dedicados ao trabalho extra informal por médicos portugueses é de 15 anos, e a mediana dos brasileiros é de seis anos.

Em relação às horas trabalhadas por mês, a média brasileira foi de 26 horas dedicadas ao trabalho extra informal vs. 128 horas dedicadas ao trabalho como médico; e a média portuguesa foi de 33 vs. 132 horas, respectivamente. 

A maioria dos participantes disse que a sua atividade extra contribui de alguma forma com o principal trabalho como médico: 30% responderam que contribui muito e 36% afirmaram que contribui um pouco. Também vale pontuar que nem portugueses nem brasileiros obtêm benefícios fiscais com seus trabalhos extras (i. e., deduções, planos de poupança diferidos por impostos etc.), visto que 82% disseram que não usufruem desse tipo de benefício – e 8% informaram não ter certeza.

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

O quão gratificante é o trabalho extra informal

Para os portugueses, o trabalho extra informal parece ser significativamente mais gratificante do que o trabalho como médico: 41% dos respondentes desse grupo afirmaram que o trabalho extra os "gratifica mais" do que o trabalho médico e 34% disseram que "gratifica tanto quanto". Entre os brasileiros, os números foram bem diferentes: 39% afirmaram que o trabalho extra "gratifica menos" do que o trabalho como médico.

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Recalculando a rota

A medicina é uma carreira puxada. E, especialmente depois do início da pandemia, as coisas não parecem estar ficando mais fáceis, pelo contrário. Diante disso, é natural que alguns profissionais repensem as suas escolhas de carreira. Na pesquisa, mais médicos portugueses do que brasileiros responderam que consideram "abandonar a medicina para seguir uma carreira não clínica": 26% vs. 18%. No total, 532 profissionais manifestaram essa vontade; ou seja, a grande maioria segue firme em sua trajetória clínica – nos dois países.

Essa "firmeza" também se revelou na pergunta sobre satisfação com a medicina: 62% dos participantes afirmaram que estão "muito satisfeitos" (20%) ou "satisfeitos" (42%) com o trabalho que realizam como médicos.

Dos participantes que disseram considerar a mudança de carreira como uma possibilidade, o cansaço figurou entre os principais motivos, com 25% indicando que gostariam de "trabalhar menos" e 23% que estão "exauridos, mas não pela pandemia de covid-21". Dois por cento afirmaram, porém, que "não gostaram de ser médicos". No grupo com menos de 45 anos de idade, 21% justificaram a escolha por acreditarem que ganhariam "mais dinheiro em uma carreira não clínica".

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Investimento financeiro e, de novo, o tempo

Para 59% das médicas entrevistadas, o tempo e o dinheiro investidos na formação "pesam muito" ao considerar a mudança para uma carreira não clínica, tal como para 56% do total geral. Por outro lado, uma pequena parcela de respondentes, 7%, afirmou que esses fatores são insignificantes, e não pesam em "nada" nessa escolha.

As carreiras não clínicas cogitadas incluíram empresas do setor de saúde (26%), educação/ensino (24%), tecnologia (19%), administração hospitalar (15%), escrever (11%), indústria farmacêutica (9%) e legislação (4%). O restante dos respondentes respondeu "outros" (29%) ou "não tenho certeza" (22%).

Pouquíssimos médicos recorreram ou pretendem recorrer a coaching/mentoria para ajudar na mudança de carreira. Dentre os que responderam que têm a intenção de buscar o auxílio desse tipo de profissional, a maioria (21%) tem mais de 45 anos de idade.

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Equipe Medscape | 13 de setembro de 2022 | Autores

Planejamento vs. procrastinação

Alguns dos 532 médicos que disseram ter a intenção de abandonar a carreira médica aparentemente já têm data certa: 5% pretendem fazer esse movimento nos próximos seis meses, 9% nos próximos 7 a 12 meses, 20% de dois a três anos e 13% de quatro a cinco anos. Curiosamente, o grupo com mais de 45 anos apresenta mais candidatos a repaginar a vida profissional do que os grupo de médicos mais jovens (24% vs. 15%).

Por outro lado, 26% dos profissionais que manifestaram essa intenção na pesquisa disseram que não têm prazo para mudar de carreira e 11% afirmaram que "é possível que eu jamais faça essa mudança".

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