
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
Quanto ganham e o quão satisfeitos estão os médicos portugueses com a medicina?
Pela primeira vez, o Medscape realiza uma pesquisa anônima sobre remuneração e satisfação profissional entre os médicos portugueses. Os resultados trouxeram à tona as dificuldades enfrentadas e, principalmente, a grande insatisfação com a remuneração anual média paga à categoria.
Entre os respondentes, a amostra foi equilibrada, com uma ligeira maioria de homens (52%), e entre as especialidades com mais representantes, o primeiro lugar foi para medicina geral e familiar (23%), seguida de cardiologia e de medicina interna (ambas com 10% cada).
Da amostra total de médicos, 69% declararam trabalhar em hospital e 20% disseram atuar em unidades de saúde. Quando perguntada sobre o que melhor descreve sua situação trabalhista, a grande maioria dos respondentes se definiu como funcionário (91%). A maioria dos participantes atua em Lisboa (35%) e no Porto (25%).
Veja a seguir os principais achados do levantamento.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
Elas ganham menos
A remuneração média anual de todos os participantes do levantamento ficou em 47 mil euros – 10 mil a menos do que o reportado no mesmo levantamento feito pelo Medscape na Espanha.
A diferença de remuneração entre os gêneros se faz presente em Portugal: as médicas ganham em média 30% menos do que os médicos, uma diferença na renda bruta anual de 12 mil euros.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
Tempo demais com burocracia
A pesquisa mostrou que os participantes passam em média 35 horas por semana vendo pacientes. Dois quintos dos respondentes disseram passar 15 horas ou mais por semana realizando trabalhos administrativos, sendo que os homens gastam uma média de duas horas a mais do que as mulheres realizando esse tipo de atividade.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
Salários ruins
Quase 90% dos médicos estão insatisfeitos com o salário recebido pelo trabalho que exercem. A porcentagem de insatisfação entre os portugueses é a mais alta entre os países pesquisados pelo Medscape – Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Brasil e México –, se igualando apenas à da Espanha.
"Gosto do que faço, embora tenha consciência de que, com melhores condições e melhor remunerado, poderia fazer melhor. Presentemente sinto-me desencantado com a minha profissão. Já gostei mais de ser médico do que gosto hoje", escreveu um dos participantes.
Entre os 13% que se disseram satisfeitos com os ganhos na profissão, os homens foram maioria.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
Desempenho positivo
Apesar da grande insatisfação com a remuneração, a maioria dos respondentes (78%) disse estar satisfeita ou muito satisfeita com a própria performance no trabalho.
"Atribuo minha satisfação à minha resiliência perante as dificuldades diárias no local de trabalho (computadores que não funcionam, impressoras avariadas e falta de ar condicionado no edifício que facilmente passa dos 30 ºC durante o verão) e à capacidade de fornecer um serviço médico que qualidade aos pacientes", foi a resposta de um médico de família que atua em Lisboa.
Homens com menos de 45 anos, e os que trabalham em hospitais foram os que mais frequentemente se disseram pouco satisfeitos com o próprio desempenho.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
A parte ruim da profissão
Muitas horas de trabalho foi, de longe, considerado o aspecto mais desafiador do trabalho como médico entre os profissionais portugueses. Em seguida veio o excesso de regras e regulamentos, e as dificuldades com seguradoras e planos de saúde.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
O lado bom
Em geral, os participantes apontaram a capacidade de desempenhar bem o próprio trabalho como o aspecto mais gratificante da profissão.
"Saber que sou informado, dedicado e que faço o máximo que posso em benefício do paciente", disse um profissional que atua no Porto, exemplificando o segundo aspecto mais citado como positivo entre os respondentes.
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Mais uma vez
Quando questionada se escolheria a mesma profissão a maioria dos participantes afirmou que sim, apesar da remuneração insatisfatória, do excesso de trabalho e dos desafios enfrentados no dia a dia.
Remuneração e satisfação profissional dos médicos portugueses 2019
A mesma especialidade
Três quartos dos respondentes que voltariam a seguir a carreira médica disseram que escolheriam a mesma especialidade, embora apenas 22% tenham dito que escolheriam o mesmo local de trabalho.