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Estilo de vida e burnout médico no Brasil

Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

O médico brasileiro consegue conciliar a carreira com a vida pessoal? É feliz no trabalho e fora dele, ou se sente exausto ou deprimido? O Medscape realizou uma pesquisa on-line anônima com 1.838 médicos de 38 especialidades diferentes no período de 16 de maio a 14 de junho de 2018, na qual abordou estes e outros aspectos relevantes, como hábitos, crenças, satisfação com o trabalho e o impacto do burnout em todas estas esferas. Saiba quais foram os principais resultados do levantamento nos slides a seguir.

Estilo de vida e burnout médico no Brasil

Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Burnout e depressão

Cerca de um terço (26%) dos médicos disse sofrer de burnout e 19% afirmaram que estão deprimidos – enquanto 11% indicaram tanto depressão como burnout. Ambos os quadros foram mais frequentes entre os médicos jovens e os generalistas. Trabalhar em hospital também pareceu aumentar a incidência de burnout e depressão. Quando solicitados a classificar o que sentiam, mais da metade dos médicos deprimidos informou sentir depressão situacional (tristeza) em comparação a um terço que afirmou ter diagnóstico clínico de depressão.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Impactos da depressão

Questões financeiras e de trabalho são as que mais contribuem para a depressão dos médicos que responderam à pesquisa, sendo a saúde um fator maior de contribuição para os médicos com mais de 45 anos. Quando perguntados sobre o impacto da sua depressão nos pacientes, cerca de um terço afirmou que o problema não interfere na relação com os pacientes. Dentre os médicos que admitiram que a depressão interfere na sua relação com os pacientes, estar menos motivado a ser diligente nas anotações sobre o paciente foi a opção mais escolhida.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Como a depressão interfere no trabalho

Ser menos afável e comprometido com funcionários e colegas foram as duas maiores consequências da depressão no ambiente de trabalho. Posturas como chegar atrasado, se irritar com facilidade e perder a paciência com funcionários e colegas também foram bastante mencionadas.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

O peso do burnout

Dois terços dos participantes disseram que sentem burnout há um ano ou mais. Quando solicitados a indicar a intensidade do cansaço, 13% classificaram o burnout como tão grave que cogitam abandonar a medicina.

Remuneração insuficiente, carga horária excessiva e desrespeito por parte de chefes e colegas de trabalho foram os principais motivos citados para o burnout médico. Generalistas e médicos mais jovens foram mais propensos a citar o desrespeito como motivo.

Aumento da remuneração, a fim de evitar preocupações financeiras, foi a solução mais citada para contribuir com a redução do burnout médico. Mais tempo de descanso remunerado (folgas e férias), mais respeito dos chefes e mais oportunidades acadêmicas também foram soluções bastante mencionadas.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Quadro subestimado?

Apesar do cansaço e da tristeza, a metade dos médicos que sofrem de burnout e/ou depressão não procura ajuda profissional para lidar com o problema. As mulheres, no entanto, são mais propensas a fazê-lo.

"Os sintomas não são suficientemente graves" foi o motivo mais recorrente para justificar o fato de não procurarem ajuda, indicando que muitos médicos podem estar subestimando o que sentem. Dentre os que buscaram ou pretendem buscar ajuda, psicólogos e psiquiatras foram os profissionais mais citados como opção para consulta ou tratamento.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Programas de ajuda

A maioria dos participantes disse que o seu empregador atual ou o seu local de trabalho não oferece nenhum programa de redução do estresse e/ou burnout. Entre os médicos que têm acesso a um programa dessa natureza no local de trabalho, mais da metade disse nunca tê-lo utilizado. Entre os que informaram não ter acesso a programas assim, pouco mais de um quarto afirmou que participaria se o empregador ou o local de trabalho oferecessem um.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Mudar é a solução?

Mudar para um local de trabalho diferente foi a possibilidade mais considerada pelos médicos para reduzir o próprio burnout. Mulheres e médicos mais jovens consideraram essa alternativa com mais frequência. Os mais jovens também foram mais propensos a considerar uma mudança de carreira, ou seja, largar a medicina para se dedicar a outra atividade.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Enfrentando o burnout

Dormir e se isolar foram os principais recursos citados para combater o burnout. Mais homens responderam consumir bebidas alcoólicas e mais mulheres afirmaram comer em excesso quando estressadas.

Como providências para reduzir o burnout, as mais recorrentes foram a redução da jornada de trabalho e as mudanças das características do trabalho.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

O trabalho e a vida pessoal

Metade dos participantes se considerou extremamente ou muito feliz com a própria vida fora da medicina. Vale ressaltar que apenas um terço dos generalistas que respondeu à pesquisa disse se sentir assim.

Quando indagados sobre como se sentiam quanto à vida profissional, um terço se declarou extremamente/muito feliz. Homens, pessoas mais velhas, especialistas e médicos que trabalham em consultório se disseram mais felizes do que seus colegas não especialistas e que não atendem em consultório.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Tempo de descanso

Três quartos dos médicos tiram de uma a quatro semanas de férias por ano. Entre os que tiram menos de uma semana por ano, os generalistas são a maioria (21% versus 6% dos especialistas). Entre os que conseguem descansar cinco semanas ou mais, a proporção se inverte: especialistas são 16% vs. 10% de generalistas.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Atividade física

Pouco mais de seis em cada 10 médicos que responderam à pesquisa praticam exercícios ao menos duas vezes por semana. Entre os que não se exercitam, a maioria foi de generalistas, jovens e médicos que trabalham em hospital.

Metade dos participantes está tentando perder peso. Desse total, a maioria é de mulheres e de médicos que trabalham em hospital.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Consumo de álcool

Quase um quinto dos médicos que participaram da pesquisa são abstêmios, com predomínio das mulheres, com 27% de abstenção vs. 16% dos homens. Dois terços dos participantes disseram consumir quatro bebidas alcoólicas ou menos por semana. As mulheres informaram consumo menor do que o dos homens.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Crenças que ajudam na rotina da profissão

Sete em cada 10 médicos afirmaram ter alguma crença religiosa ou espiritual, com preponderância de mulheres entre os que responderam sim (75%). Esta maioria também acredita que as próprias crenças ajudam a lidar com os desafios do trabalho. Entre os que disseram não ter crença religiosa ou espiritual, os homens predominaram com 32%.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Quem são e onde atuam

Do total de médicos que responderam à pesquisa, homens e mulheres participaram em igual número, distribuídos entre 20 estados mais o Distrito Federal. A maior parte dos participantes (54%) atua na região Sudeste, e as especialidades com maior representação foram pediatria (9%), psiquiatria (8%), ginecologia e obstetrícia (7%) e cardiologia (6%). A faixa etária com maior participação foi a de 28 a 34 anos de idade (25%), seguida da de 35 a 39 anos (15%), e da de 40 a 44 anos (12%). Em relação ao estado civil, 73% se declararam casados ou vivendo maritalmente, sendo que a maioria destes cônjuges é de médicos (33%) ou outros profissionais que trabalham na área da saúde (19%). Entre os participantes que informaram ser solteiros ou divorciados, a maioria foi de mulheres.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores

Onde, como e o quanto trabalham

Entre os médicos que responderam à pesquisa 83% trabalham em tempo integral. Mais da metade disse trabalhar mais de 40 horas por semana, com predominância de homens e de profissionais mais jovens no último grupo. Quase metade (45%) dos participantes informou trabalhar com vínculo empregatício, 21% declararam ser prestadores de serviços e 20% afirmaram ser donos do próprio negócio (consultório particular). Em relação ao local de trabalho, 34% trabalham em hospital, 16% em clínicas médicas e 12% atendem em consultório. Quando perguntados sobre o sistema predominante de atuação, o setor privado ficou em primeiro lugar com 44% das respostas (maioria de homens) e o setor público com 37% (maioria de mulheres). A grande maioria dos participantes (85%) informou atuar em metrópoles ou grandes centros urbanos.

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Leoleli Schwartz | 23 de janeiro de 2019 | Autores